Da Redação
“O handebol deixou de ser apenas um esporte quando percebi que ele influenciava não só meu desempenho físico, mas também minhas atitudes fora da quadra.” A frase resume a relação construída ao longo dos anos pelo douradense Rafael Robson de Souza Barrios, nascido em 27 de julho de 1996, com a modalidade que passou a fazer parte de sua rotina e de suas escolhas pessoais.
O primeiro contato com o handebol aconteceu dentro da própria família. Segundo Rafael, a aproximação surgiu ao acompanhar a irmã, que já praticava o esporte. “O primeiro contato foi através da minha irmã, que na época praticava o esporte também. Comecei a ir aos treinos dela e comecei a pegar gosto pelo esporte”, relata. A convivência com a equipe e a rotina de treinos foram determinantes para que ele permanecesse na modalidade.
Ao longo da trajetória, Rafael aponta que a permanência no handebol em Mato Grosso do Sul exige adaptação constante diante das limitações estruturais. “Um dos principais desafios foi a falta de estrutura e de oportunidades em comparação com outros estados. Precisamos fazer rifa ou até mesmo tirar do nosso bolso para custear idas a campeonatos”, afirma. A realidade descrita por ele reflete um cenário comum entre atletas amadores e semiprofissionais que precisam conciliar a prática esportiva com outras atividades.
Entre as lembranças marcantes, Rafael destaca duas experiências vividas em 2021. A primeira foi a conquista dos Jogos Abertos de Dourados, quando sua equipe terminou a competição como campeã. A segunda ocorreu no mesmo ano, em Pedro Juan Caballero, quando enfrentou a seleção do Paraguai. Para ele, os momentos representaram oportunidades de crescimento e contato com novos níveis de competição.
Atualmente, a rotina esportiva é impactada pela necessidade de conciliar estudos e trabalho. “Hoje em dia, por conta da faculdade e do serviço, consigo treinar apenas uma vez na semana”, explica. A redução do volume de treinos não diminui a ligação com o handebol, mas exige reorganização de prioridades e expectativas dentro do esporte.
Os aprendizados adquiridos nas quadras são apontados por Rafael como elementos que influenciam sua vida cotidiana. “O handebol me ensinou valores como respeito, trabalho em equipe, disciplina, responsabilidade e perseverança. Esses aprendizados levo para a vida pessoal”, afirma. Ele considera que a experiência esportiva contribuiu para o desenvolvimento de atitudes e comportamentos aplicados também fora do ambiente competitivo.
Na avaliação do atleta, a falta de investimento e visibilidade continua sendo um dos principais entraves para o crescimento da modalidade no Estado. “A principal dificuldade ainda é a falta de investimento e visibilidade para a modalidade. Muitos atletas talentosos acabam desistindo por falta de apoio, estrutura adequada e competições frequentes que estimulem o desenvolvimento esportivo”, analisa.
Entre as referências esportivas, Rafael cita o francês Nikola Karabatic como inspiração dentro das quadras, enquanto fora delas aponta a família como principal base de apoio. A influência familiar também aparece na forma como ele encara os desafios diários e a necessidade de equilibrar responsabilidades. “Hoje em dia, por conta da rotina de trabalho e estudos, ficou mais difícil manter um treinamento mais contínuo”, comenta.
Mesmo com limitações de tempo e estrutura, o atleta mantém planos para o futuro dentro da modalidade. A curto prazo, ele pretende evoluir tecnicamente, adquirir mais experiência em competições e colaborar com o desenvolvimento da equipe. Já a longo prazo, projeta continuar ligado ao handebol em outra função. “Meu sonho é continuar no esporte não só como atleta, mas também como treinador”, afirma.