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“O futsal feminino ainda precisa ser mais valorizado”, diz Cau

da Redação - 7 de out de 2026 às 16:52 23 Views 0 Comentários
“O futsal feminino ainda precisa ser mais valorizado”, diz Cau Da Redação

Conhecida no futsal como Cau, Quarem Cauana Bernardo de Souza começou a jogar ainda na escola, aos 11 anos. Natural de Dourados, onde nasceu em 18 de maio de 1999, ela teve os primeiros contatos com a modalidade acompanhando partidas pela televisão e também por influência do pai.

 

“Aos 11 anos comecei a jogar no colégio. Sempre gostei de assistir aos jogos na televisão e meu pai sempre me levava para assistir a ele jogar”, conta.

 

O incentivo dentro de casa continuou conforme Cau passou a disputar partidas e competições. Segundo ela, os pais estiveram presentes desde o início e faziam questão de acompanhá-la inclusive quando os jogos eram realizados fora da cidade.

 

“Com certeza, minha mãe e meu pai foram os que mais me incentivaram. Sempre estiveram presentes em todos os jogos. Até quando íamos jogar fora, eles davam um jeito de ir”, relata.

 

Quando começou no futsal, Cau encontrou um cenário com poucas equipes femininas. Por isso, durante um período, dividiu a quadra com os meninos. Ela afirma que não enfrentava problemas dentro da própria equipe, mas a presença de uma menina no time gerava dificuldades quando enfrentavam adversários de outras localidades.

 

“No começo não tinha muitas equipes femininas, então eu jogava com os meninos. Eles sempre me trataram bem, mas era complicado jogar fora com eles, porque, na maioria das vezes, as outras equipes não aceitavam meninas no time”, lembra.

 

A situação mudou quando a escola em que estudava montou uma equipe feminina. A partir daquele momento, Cau passou a participar de competições escolares. “Logo depois, a escola em que eu estudava formou uma equipe feminina e aí pude participar de vários campeonatos escolares. Foi incrível”, afirma.

 

Ao longo da trajetória, Cau defendeu equipes de diferentes municípios e chegou a atuar fora de Mato Grosso do Sul. Quando morou durante um ano no Paraná, jogou pela equipe de Entre Rios do Oeste. De volta ao Estado, teve uma passagem mais longa pelo Agnix, de Dourados, além de defender o Fênix, de Bela Vista, e o Pratas da Casa, de Guia Lopes da Laguna.

 

Atualmente, representa a seleção de Jardim. Para continuar no futsal, precisa conciliar a modalidade com o trabalho e os estudos. A equipe realiza dois treinamentos por semana no ginásio municipal.

 

“É bem difícil. Tenho que trabalhar, fazer curso e treinar, mas sempre conseguimos dar um jeito. Nossos treinos são duas vezes por semana no ginásio da cidade, graças ao secretário de Esportes, que nos apoia muito, juntamente com a prefeitura. Conseguimos ter nosso horário fixo”, explica.

 

Entre as competições que fizeram parte de sua trajetória estão o Campeonato Estadual, a Copa Joãozinho, a Copa Top 10, em Fátima do Sul, e os JAMS. Cau conquistou o terceiro lugar no Estadual com o Agnix, foi vice-campeã da Copa Joãozinho representando Jardim, ficou em segundo lugar na Copa Top 10 com o Agnix e terminou os JAMS na terceira colocação pela equipe de Jardim.

 

Ela também conquistou títulos quando jogou em Entre Rios do Oeste, no Paraná, mas, por terem ocorrido há mais tempo, não se recorda dos nomes das competições.

 

“Todas foram muito importantes para mim, mas o Estadual, a Copa Joãozinho, a Copa Top 10 de Fátima do Sul e os JAMS foram competições marcantes”, diz.

 

Entre todas essas experiências, Cau aponta justamente a participação nos JAMS como um dos momentos que mais ficaram marcados em sua trajetória. A possibilidade de disputar a competição em casa permitiu que familiares e torcedores acompanhassem de perto os jogos.

 

“É incrível poder fazer o que você gosta, viajar e conhecer lugares e pessoas jogando. Mas o momento mais marcante foi nos JAMS, por poder jogar em casa e ter o apoio da torcida e da família”, afirma.

 

Ao comparar o cenário atual do futsal feminino com aquele encontrado quando começou a jogar, Cau avalia que houve aumento no número de equipes e competições em Mato Grosso do Sul. Para ela, porém, ainda existe espaço para ampliar a presença feminina na modalidade.

 

“Desde quando comecei a jogar até hoje melhorou bastante. Tem mais times femininos e muitos campeonatos, mas pode melhorar. Quanto mais espaço o futsal feminino tiver, mais meninas vão se interessar, seja nas escolas ou fora delas, com equipes femininas”, avalia.

 

Na visão da jogadora, um dos pontos que ainda precisam avançar é o apoio destinado às equipes e competições femininas. “Acho que o futsal feminino ainda precisa ser mais valorizado, com mais competições e mais apoio das secretarias de Esportes”, afirma.

 

Neste momento, Cau está afastada das quadras. Seu último campeonato foram os JAMS. Ela sofreu uma lesão no ombro esquerdo em decorrência de um acidente de trabalho e, por isso, ainda não pode voltar aos jogos.

 

Aos 27 anos, ela afirma que já não projeta uma carreira em uma equipe profissional. O objetivo é retornar à seleção de Jardim quando estiver recuperada, continuar participando de campeonatos e contribuir para que atletas mais jovens encontrem espaço no futsal.

 

“Pretendo continuar jogando na equipe de Jardim, participando de campeonatos e dando espaço para as mais novas sonharem. No momento, estou afastada das quadras. Meu último campeonato foram os JAMS. Estou com uma lesão no ombro esquerdo devido a um acidente no trabalho, então não estou podendo jogar. Mas, assim que possível, voltarei a fazer parte da minha equipe”, finaliza.

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