Sábado, 07 de fevereiro de 2026, 12:17

Futebol como recomeço: a trajetória de Andrey Falinski em MS

Andrey vê futebol de MS como chance de recomeço
da redação - 6 de fev de 2026 às 16:59 120 Views 0 Comentários
Futebol como recomeço: a trajetória de Andrey Falinski em MS Da Redação

O futebol sul-mato-grossense aparece, para muitos atletas, como ponto de partida. Para outros, vira retorno, pausa e tentativa de reorganização de carreira. Para Andrey Falinski Rodrigues, nascido em 18 de março de 1996, em Dourados (MS), o futebol do Estado representa algo ainda mais direto: um reencontro com a própria realidade.

“Eu acho que o que mais me moldou foi a parte em que decidi parar e voltar para Dourados e encarar mais a realidade, entende?”, afirma o jogador, ao falar sobre um dos momentos decisivos da sua trajetória no futebol.

Com passagens por clubes de diferentes estados do país e até experiência internacional, Andrey construiu a carreira lidando com mudanças frequentes de ambiente, cultura e rotina. Segundo ele, a rodagem por vários lugares impõe desafios que vão além do campo. “Você tem que encarar muita cultura nova, que você não está acostumado a viver. E sobre jogadores, encaramos muitas personalidades diferentes, nas quais você tem que se adaptar, mas nunca deixar de ser a pessoa que você é e que te fez chegar até lá.”

Essa adaptação constante, segundo o atleta, exige equilíbrio entre flexibilidade e identidade pessoal. Para ele, mudar de clube não significa apenas trocar de camisa, mas também aprender a conviver com novos grupos, métodos de trabalho e expectativas. “Você tem que ter uma personalidade forte para encarar mudanças de clubes, treinadores, atletas e todo um staff novo. E estar sempre pronto para mostrar o seu melhor, independentemente do que esteja para acontecer.”

Ao falar sobre o futebol de Mato Grosso do Sul, Andrey aponta um cenário que, para muitos jogadores, funciona como reinício de carreira. “Eu vejo o futebol de MS como um recomeço para muitos atletas, mas falta visibilidade para atrair investimentos.” Em Dourados, cidade onde nasceu e voltou a viver em determinado momento da carreira, ele avalia que o problema é semelhante. “Em questão de Dourados, falta visibilidade e oportunidade. Aqui, muitos sonhos e talentos são deixados de lado.”

A convivência com diferentes níveis de estrutura e exposição também moldou a percepção do jogador sobre a instabilidade da profissão. Para ele, o debate sobre atletas que passam por muitos clubes precisa considerar a realidade do calendário brasileiro. “Acho que não é sobre ser um jogador comum. O futebol é muito desigual e é ruim você ter contratos de três, quatro meses e ficar pulando de galho em galho por conta de o clube não ter um calendário cheio.”

Entre os ambientes mais marcantes da carreira, Andrey cita a passagem pelo Brusque, onde dividiu espaço com atletas experientes do cenário nacional. “Acho que foi o do Brusque, por ter grandes nomes de jogadores no futebol brasileiro”, relembra, ao comentar sobre o vestiário mais desafiador que viveu.

A trajetória no futebol, no entanto, começou muito antes das viagens e dos contratos profissionais. Segundo ele, o primeiro incentivo veio dentro de casa. “A primeira pessoa que me levou para fazer uma avaliação foi minha vó. Ela me colocou na garupa da bicicleta e me levou para o antigo 7 de Setembro, aqui na cidade, com o treinador Gauchinho, que a maioria que joga ou jogou passou por ele.”

A relação familiar com o futebol também atravessa um dos episódios mais delicados da sua vida pessoal e esportiva. Em 2016, Andrey perdeu o tio, figura que acompanhava de perto seus jogos desde a infância. “Tive uma perda muito grande em 2016 que me desestabilizou bastante, futebolisticamente falando e na vida pessoal também. Foi a perda do meu tio, que me levava para cima e para baixo para jogar, com a filmadora dele, vivia me filmando pelos campos.”

Mesmo com a ausência, o jogador afirma ter conseguido cumprir um desejo importante desse familiar. “Graças a Deus, consegui realizar o sonho dele, que era me ver jogando profissionalmente e em uma torcida grande, que foi a do Remo. Infelizmente, ele já não estava mais com nós.”

Além do futebol brasileiro, Andrey também teve uma passagem internacional, atuando na Croácia, experiência que ele resume de forma direta. “Tive também uma passagem na Croácia. Frio do carai”, brinca, ao lembrar do período fora do país.

Ao avaliar o impacto do futebol em sua vida, Andrey diz que a modalidade foi responsável por aprendizados que extrapolam o esporte. “O futebol me ajudou e me ensinou muitas coisas, tanto do lado ruim como do bom. Sou muito grato a tudo o que eu vivi.”

Apesar das dificuldades, da instabilidade e das pausas ao longo da carreira, ele afirma que a motivação para seguir jogando permanece simples. “O que me move é a paixão e o amor por jogar futebol. Dentro das quatro linhas, eu esqueço de tudo e só quero me divertir.”

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