Quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026, 19:03

Atleta retoma vida no esporte e projeta novos desafios

da redação - 18 de fev de 2026 às 15:04 18 Views 0 Comentários
Atleta retoma vida no esporte e projeta novos desafios Da Redaçao

“Para começar, tenho mais lembranças com uma bola de futebol do que com pessoas da minha família.” É a partir dessa frase que um jovem atleta sul-mato-grossense resume o início de uma trajetória marcada por mudanças de rota, interrupções, retornos e reflexões sobre o esporte competitivo. A relação com o futsal começou ainda na infância, entre os quatro e cinco anos de idade, em uma escolinha de Campo Grande. Segundo ele, o início foi marcado pela diversão e pelo fascínio em conduzir a bola. “A única coisa com que eu me importava era que eu gostava de driblar. O que mais me fascinava era correr e deixar adversários para trás”, recorda.

 

Apesar do entusiasmo, o começo também foi atravessado por pressões familiares e dificuldades para compreender os processos de formação esportiva. “Nos treinos eu não conseguia entender o processo de ser um atleta em formação”, afirma. A percepção de que poderia buscar níveis mais altos veio cedo, em um amistoso contra jogadores mais velhos. “Mesmo com nove anos jogando contra meninos de 12 e 13, estava muito fácil. Ali foi a primeira sensação de que eu estava apto para um nível maior.”

 

Após esse episódio, ele subiu de categoria e passou a disputar torneios em diferentes cidades do estado. Recebeu bolsa de estudos e ampliou a rotina de treinamentos. Entre os dez e doze anos, ocorreu a transição para o futebol de campo. A mudança veio após a participação em um evento esportivo estadual, que marcou seu primeiro torneio nos gramados. Nos anos seguintes, a rotina foi de viagens e campeonatos pelo interior, além de experiências em avaliações para clubes de fora do estado.

 

O primeiro grande afastamento aconteceu em 2014, quando crises de ansiedade e um princípio de depressão interromperam a carreira. “Tudo que era diversão se tornou um peso emocional”, relata. O período longe do esporte levou a mudanças de escola e a uma pausa completa nas competições.

 

O retorno ocorreu em 2017, após o fim do ensino médio. “Era como se algo em mim dissesse: ainda não acabou.” Ele procurou antigos treinadores e voltou a atuar em equipes amadoras e projetos ligados ao futebol de base. Durante esse período, afirma ter presenciado situações que considera injustas dentro do ambiente esportivo. “Ouvi de dirigentes que, por influência, seria melhor outro jogador ser titular. São coisas que mostram a injustiça que o esporte competitivo pode acarretar.”

 

Em 2019, uma lesão grave às vésperas de um campeonato estadual sub-20 interrompeu novamente os planos. “Pressões com a idade e com o ambiente dificultavam a resiliência.” Após meses de recuperação, voltou a treinar com equipes locais e chegou a planejar uma oportunidade no futebol universitário dos Estados Unidos, cancelada pela pandemia em 2020. O período seguinte foi marcado por mais um afastamento das competições.

 

A reaproximação definitiva com o esporte ocorreu após o ingresso na universidade, em 2021. O ambiente acadêmico foi decisivo para o retorno ao futsal e à competição. “O esporte universitário tem um peso gigantesco na vida de atletas que ainda querem competir e vestir uma camisa.” Em 2025, voltou oficialmente às quadras pela atlética do curso, participando de seletivas nacionais. Em uma final classificatória, marcou um gol decisivo e relembrou a própria trajetória. “Foram muitas ladeiras onde caí muito. Mas a vida tem surpresas e, se você trabalha, a recompensa aparece.”

 

Atualmente, a rotina inclui treinos de quadra, campo e academia, além da conciliação com estudos e trabalho. “A vida social acaba pagando o preço, mas o desejo de performar bem fala mais alto”, afirma. Entre os momentos marcantes, destaca conquistas em seletivas universitárias e um gol marcado contra uma equipe tradicional do futebol sul-mato-grossense.

 

Experiências contra equipes de maior estrutura também contribuíram para mudanças de visão sobre o esporte. “Ficou nítida a diferença de estrutura e como isso muda o jogo. Às vezes é frustrante ver que seu melhor não é suficiente sem um ambiente adequado.” Ao mesmo tempo, o esporte universitário trouxe uma nova perspectiva. “Só de retornar ao ambiente competitivo já foi algo que me deixou feliz.”

 

Dentro de quadra, ele se define como um jogador de velocidade e drible, características mantidas desde a infância. “Busco evoluir taticamente, porque passei muitos anos no campo e ainda me adapto ao futsal.” Sobre derrotas e pressão, afirma ter aprendido a lidar com frustrações ao longo da carreira. “O segredo é ter consciência de que entregou o seu melhor.”

 

As maiores dificuldades enfrentadas foram relacionadas à saúde mental e às lesões. “Minhas crises de ansiedade criaram uma fobia de competir. As lesões também trouxeram um vazio difícil de lidar.” Com o tempo, afirma ter encontrado novas formas de encarar as competições e o próprio desempenho.

 

Para o futuro, o objetivo é disputar competições universitárias nacionais e continuar atuando no cenário amador. “Minha mentalidade é estar sempre pronto para algo a mais.” Ele também pretende usar as experiências acumuladas para contribuir com novos atletas. “Se você realmente deseja algo, não pare. O apoio pode surgir de onde você menos espera.”

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