Da Redação
“No master sempre dizemos que, além das conquistas, se manter competindo também é uma vitória”. A frase do atleta Reginaldo Wolff Freitas resume a forma como ele encara o voleibol atualmente. Natural de Angélica, município do interior de Mato Grosso do Sul, ele construiu ao longo dos anos uma trajetória ligada ao esporte, que começou ainda na adolescência e segue ativa nas competições da categoria master.
Nascido em 14 de março de 1985, Reginaldo conta que o primeiro contato com o voleibol aconteceu dentro de casa, acompanhando os treinos da irmã mais velha. “Minha irmã mais velha jogava vôlei e eu acompanhava ela nos treinamentos. Acabei me atraindo pelo esporte”, relata.
Até os 17 anos, ele disputou competições escolares representando Angélica. O cenário mudou quando passou a jogar por Naviraí, cidade que marcou o início da participação em campeonatos estaduais. “Comecei a jogar por Naviraí-MS, meu primeiro estadual infanto-juvenil, com o professor Norberto Puertas. Participei também dos treinamentos da seleção do estado na época”, afirma.
Na sequência, ainda na categoria adulta, continuou defendendo equipes de Naviraí em competições regionais. “Depois do adulto, jogando por Naviraí, disputei vários regionais, sendo o maior campeão da Copa Conesul”, lembra.
Mesmo com a participação constante em torneios, Reginaldo destaca que o esporte sempre foi tratado como atividade amadora. “Eu não chamaria de carreira no esporte, porque sempre fui amador. E no esporte amador a dificuldade sempre é bancar os custos para participar das competições”, explica.
O vínculo com o voleibol também influenciou uma escolha profissional. Ao ingressar no ensino superior, optou pelo curso de Educação Física, motivado pela vivência dentro das quadras. Durante esse período, continuou participando de competições.
“Entrei na faculdade de Educação Física tendo o voleibol como uma motivação. Participei de campeonatos universitários e, depois de formado, continuei jogando por vários times da região e também fora do estado, como no Paranaense e em competições regionais de São Paulo”, relata.
Com o passar dos anos, passou a integrar o projeto da SkillSports, em Dourados, ligado ao professor Douglas Sauda. A partir dessa experiência surgiu a oportunidade de disputar campeonatos da categoria master, etapa que marcou uma nova fase na trajetória dentro do voleibol.
“Depois me mantive no voleibol adulto no projeto da SkillSports em Dourados, com o professor Douglas Sauda, até que surgiu a oportunidade de jogar o master por um time de São Paulo. Me identifiquei bastante e hoje são os campeonatos que priorizo”, conta.
Entre as conquistas acumuladas ao longo dos anos, Reginaldo cita títulos e experiências em diferentes competições. “Momentos marcantes é difícil dizer um só. O título do Campeonato Paranaense foi significativo para mim, também conquistei Liga MS e JAMS. Já no master tive a oportunidade de participar de um campeonato em Saquarema e chegar à final”, diz.
Nos últimos anos, ele também conquistou resultados expressivos na categoria. “Atualmente sou bicampeão no Brasileiro em Santos pela equipe Galatajax e campeão em Saquarema pela equipe MG Vôlei de Minas Gerais. Tive a oportunidade de jogar na Arena Minas e trazer medalha, representar o Corinthians e disputar um sul-americano na Argentina, fazendo final, pelo MVM de São Paulo”, relata.
Ao lembrar da própria trajetória, Reginaldo destaca a distância entre a realidade de onde começou e os locais onde passou a competir. “Para alguém que saiu de uma cidade de 10 mil habitantes, são oportunidades que pareciam inalcançáveis”, afirma.
Apesar da experiência acumulada em competições nacionais e internacionais, ele explica que a preparação para os torneios ocorre de forma limitada em Mato Grosso do Sul. “Na parte de treinamento não tem nada específico para master onde eu moro. Então tento focar mais na parte física e, às vezes, treino com a equipe master da SkillSports, com o professor Victor Isoton”, explica.
A falta de estrutura também se reflete no calendário estadual da modalidade. Segundo ele, o número de competições voltadas para atletas master ainda é reduzido no estado.
“No Mato Grosso do Sul o master tem pouquíssimo investimento. No calendário do vôlei estadual só temos a Copa Pantanal na categoria master, agora em maio, e o restante do ano fica esquecido”, afirma.
Mesmo assim, algumas iniciativas tentam manter a categoria em atividade. “Algumas equipes se organizam para movimentar os campeonatos nessa categoria. Cito o Pezão como exemplo e a SkillSports novamente, que este ano já tem dois torneios em calendário”, relata.
Para Reginaldo, o voleibol na categoria master demonstra que a prática esportiva pode continuar por muitos anos. “Para quem ama o esporte, ele não acaba com a juventude. O master tem categorias até 60 anos, que é lindo de ver a participação deles”, afirma.
Ele também destaca que a continuidade no esporte exige cuidados com a saúde. “Como conselho, eu digo para cuidarem da parte física e da saúde física e mental, para que possam viver isso ainda por muito tempo”, diz.
Entre os objetivos atuais está a participação em diversas competições nacionais e internacionais previstas para a temporada. No ano passado, atuando pelo Corinthians, terminou em quinto lugar na Superliga Master, considerada uma das principais disputas da categoria.
“Ano passado, jogando pelo Corinthians, ficamos em quinto na Superliga Master, que reúne os melhores times do Brasil. Espero ainda poder conquistar um pódio nessa competição”, afirma.
O calendário inclui torneios em diferentes cidades brasileiras e também no exterior. “Além da Superliga Master, que costuma ser em Brasília, ainda temos o Brasileiro de Santos, a Copa Curitiba, que vale vaga para a Superliga Master, o Master Fortaleza, a Copa Minas em Belo Horizonte, o Brasileiro de Saquarema e o Sul-Americano em Mar del Plata. Aqui no estado tem a Copa Pantanal”, enumera.
Mesmo com a busca por resultados, ele ressalta que a permanência no esporte já representa uma conquista. “No master sempre dizemos que, além das conquistas, se manter competindo também é uma vitória”, conclui.