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Treinador da Nipo fala sobre evolução da modalidade, desafios e crescimento no estado

da redação - 12 de jan de 2026 às 15:36 82 Views 0 Comentários
Treinador da Nipo fala sobre evolução da modalidade, desafios e crescimento no estado Da Redação

O badminton ainda engatinha no Brasil quando comparado a esportes tradicionais, mas, em Campo Grande, a modalidade ganhou força graças ao trabalho de profissionais dedicados. Um deles é Willian Silva, 33 anos, professor de Educação Física e treinador da Nipo Brasileira, referência estadual na formação de atletas. Ele conheceu o esporte quase por acaso em 2015 e, desde então, dedicou a vida a difundir a modalidade na capital. Hoje, com certificação internacional e um clube consolidado, Willian colhe os frutos de uma semente plantada há quase uma década.

 

Willian descobriu o badminton quando ainda era atleta de alto rendimento no voleibol pela UNIGRAN Capital. Ao lado da quadra onde treinava, aconteciam aulas de badminton, o que despertou sua curiosidade. “Comecei a observar, achei diferente e fui experimentar. A partir dali, não parei mais”, relembra. A veia empreendedora também pesou: “Vi que era uma modalidade nova em Campo Grande, sem concorrência e com muito potencial para crescer.”

 

Ao longo da trajetória, buscou formação e se tornou coach nível 1 pela BWF, a Federação Mundial de Badminton. A certificação, dividida em três níveis, permite atuar em qualquer lugar do mundo. “Posso ensinar badminton em qualquer país. É uma responsabilidade grande, mas também um privilégio”, afirma. Hoje, ministra cursos, workshops e mentorias para professores iniciantes, expandindo ainda mais o acesso à modalidade.

 

A Nipo Brasileira, clube que dirige, é atualmente o principal centro de badminton do Mato Grosso do Sul. O espaço possui quadra totalmente fechada, com capacidade para quatro quadras oficiais, arquibancadas, vestiários e estrutura adequada para treinamentos e competições. Willian argumenta que o maior desafio ainda é o desconhecimento do público e a necessidade de quadras fechadas. “A peteca pesa só 3 ou 4 gramas. Se tiver vento, não tem jogo. Isso exige uma estrutura muito específica.” Mesmo assim, o clube cresceu graças à divulgação ativa, especialmente nas redes sociais e em ações públicas.

 

O cenário estadual também evoluiu. Programas como DEAC e PRODESC ampliaram o acesso ao badminton nas escolas. “Hoje, muito mais crianças conhecem o esporte por causa desses programas. Isso muda tudo”, destaca. A evolução se reflete nas competições escolares, como JERES, JIRES e Jogos Escolares, que movimentam centenas de alunos no estado. Em 2024, Willian representou o Mato Grosso do Sul no JEBs como treinador, resultado do trabalho contínuo nas categorias de base.

 

No clube, vários atletas vêm se destacando. Enzo Rodrigues e Heloise Duarte colecionaram títulos estaduais, enquanto Lauriane Rocha se destacou nos Jogos Escolares. Em 2024, uma nova geração ganhou força, com Jimmy Chen conquistando o estadual e representando o MS no nacional. “A base que estamos formando é muito promissora. São crianças disciplinadas, que gostam do esporte e têm futuro”, avalia.

 

Willian divide treinos entre iniciantes e atletas avançados, ajustando métodos e intensidade. “Para quem está começando, o foco é aprender a técnica da forma correta e se apaixonar pelo esporte. No rendimento, trabalhamos físico, estratégia e preparação mental.” Para ele, a iniciação bem feita é o alicerce de qualquer atleta de alto nível.

 

Quanto aos incentivos públicos, o treinador destaca a importância das instituições estaduais e municipais. “A FUNESP e a FUNDESPORT têm sido fundamentais. Sem esse apoio, seria muito difícil colocar atletas em competições.” Já no setor privado, ainda enxerga obstáculos. “O badminton ainda é pouco conhecido. As empresas não entendem o retorno, mas isso vai mudar com o tempo.”

 

Para quem ainda tem receio de começar, o treinador reforça que o esporte é acessível e acolhedor. “Basta dar o primeiro passo. Pode fazer uma aula experimental, sentir o jogo, entender a dinâmica. Quem experimenta, se apaixona”, conclui.

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