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Tom, o ciclista de Maracaju, e a rotina que começa às 3 da manhã

da redação - 8 de jan de 2026 às 15:46 109 Views 0 Comentários
Tom, o ciclista de Maracaju, e a rotina que começa às 3 da manhã Da Redação

“Quem quer faz, quem não quer dá desculpas.” A frase, repetida por Milton dos Santos Ribas Neto, conhecido no ciclismo como Tom, sintetiza o caminho que ele construiu sobre duas rodas desde o final de 2020, quando decidiu que precisava mudar de vida. Aos 27 anos, natural de Campo Grande e morador de Maracaju há 12 anos, ele conta que chegou ao ciclismo por necessidade, após abandonar a musculação na pandemia e ver o peso subir de 90 kg para 130 kg. Tentou correr, mas as lesões vieram rápido. A alternativa foi a bike. “Tive a ideia de comprar uma bike e fazer cardio, já que é praticamente zero impacto”, relata.

 

O que começou como tentativa de voltar ao ritmo logo virou rotina. “Comecei e gostei. Vi que precisava de uma bike melhor e fui trocando.” Até o fim de 2021, ainda pedalava apenas por lazer, mas o incentivo de amigos fez com que se inscrevesse na primeira competição, realizada em Maracaju. Com duas semanas e meia de treino específico, entrou na categoria Turismo, destinada aos iniciantes, e ficou em segundo lugar. O impacto foi imediato. “Não tinha o intuito de competir, mas subir ao pódio na primeira corrida muda tudo.”

 

No início de 2022, participou de outra prova em uma cidade vizinha. “Me preparei com mais tempo e consegui o terceiro lugar.” Foram quatro competições na categoria iniciante antes de subir para a Esporte, e, em 2024, decidiu entrar na Pró, onde, segundo ele, “não é brincadeira”. A ascensão veio acompanhada de mudanças no corpo e nos métodos de treinamento. Ele lembra que o peso era o maior desafio. “As provas têm subidas duras, serras, e quanto mais pesado, mais arrasto na subida.” Para lidar com isso, adotou estratégias próprias. “Treinei em locais com muitas subidas. Fazia por horas a mesma subida para melhorar. Saía para treinar no calor, entre dez da manhã e duas da tarde, para ter mais resistência.” A preparação também incluía longas distâncias. “Fiz desafios que me levaram ao limite, como pedais de 210 km e 240 km em um dia.”

 

A rotina atual inclui treinos de terça a domingo, com segunda reservada ao descanso ou giro regenerativo. O planejamento varia entre trabalhos intervalados, de força, de baixa intensidade, ritmo e longos. Para manter o desempenho, Tom lista fatores que considera essenciais: “Boa noite de sono, boa alimentação, boa suplementação, hidratação e constância.”

 

Ele se identifica principalmente com o mountain bike (MTB), embora utilize a bike speed para treinos específicos. A conquista mais significativa até agora ocorreu em 5 de julho de 2023, quando representava uma equipe e competiu pela primeira vez em uma serra desafiadora. “Foram 8 km de subida de uma vez, e em Maracaju não temos serra para treinar.” O resultado, ali, teve peso simbólico. “Foi a maior superação até agora.”

 

A disciplina aparece também na forma como organiza seu dia. Os treinos são encaixados entre o trabalho e a vida familiar. “Treinos curtos eu faço entre 11h e 12h30. Os de duas horas, faço de madrugada, entre 4h30 e 6h30. Nos treinos longos, acordo às 3h e treino até 6h30, depois vou trabalhar.” Ele diz que esse modelo permitiu conciliar o esporte com a rotina. “Fazendo isso, fim de tarde e noite são da família, e fica tudo bem.”

 

Sobre a estrutura disponível no estado, Tom acredita que o ciclismo ainda não recebe a atenção necessária. “Acredito que deveriam investir mais no ciclismo, já que foi um dos esportes que ajudou o Brasil e o mundo na pandemia.” Em Maracaju, ele vê espaço para avanços. “A cidade precisa de uma equipe para levar o nome da cidade, e não o nome de uma equipe.”

 

Para 2026, o objetivo permanece o mesmo: treinar e buscar o topo. Ao falar com iniciantes, usa a mesma linha direta que aplica em sua rotina. “Só vai. Você precisa dar o primeiro passo. Não importa a bike que você tenha.” Ele também reforça que equilíbrio é parte do processo. “Não fique obcecado por médias e resultados. Somos feitos para vencer, mas também precisamos viver.” Em sua visão, a constância é a chave. “Faça 1% todos os dias. Você já vai estar fazendo a diferença.”

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