Da Redação
Uma brincadeira durante um churrasco com amigos acabou dando início a uma nova rotina na vida de Cristiano Cícero da Costa Silva, de 34 anos. Natural de Dourados, ele começou a praticar corrida de rua há cerca de um ano, depois de ser incentivado pelo amigo Rodrigo Sobral, atleta profissional da modalidade. O que inicialmente seria apenas uma experiência acabou se tornando parte da rotina e levou Cristiano a completar, em julho deste ano, sua primeira meia maratona.
A relação com o esporte, no entanto, não começou com a corrida de rua. Cristiano conta que sempre teve contato com diferentes modalidades e que o esporte também faz parte da sua trajetória profissional. Além de atuar como contador, ele integra a crônica esportiva de Mato Grosso do Sul, já trabalhou na Rádio Grande FM, em Dourados, e atualmente é assessor de imprensa do Dourados Atlético Clube (DAC).
“Digamos que o esporte esteja inserido na minha vida desde sempre”, afirma.
Aos 17 anos, Cristiano participou dos Jogos da Juventude de Mato Grosso do Sul (JOJUMS), em Campo Grande, competindo no atletismo nas provas de 100 e 200 metros. Anos depois, aos 34, voltou a se dedicar à modalidade, desta vez por meio das corridas de rua.
O início aconteceu de maneira casual. Durante um churrasco com amigos, o grupo começou uma brincadeira envolvendo Rodrigo Sobral, que já era atleta profissional de corridas de rua. A partir da conversa, surgiu o convite para um treino no dia seguinte.
“Começamos uma brincadeira com nosso amigo Rodrigo Sobral, que é atleta profissional de corridas de rua, e ele começou a nos incentivar a fazer treinos. Marcamos um treino para o dia seguinte junto com ele e, desde então, não parei mais”, conta.
Os outros amigos que participaram da brincadeira acabaram deixando os treinos, mas Cristiano continuou. A corrida passou a fazer parte da rotina e também ganhou espaço como uma forma de se afastar, por alguns momentos, das responsabilidades do trabalho.
Cristiano trabalha como contador, atividade que envolve longos períodos sentado e uma rotina marcada por números, contratos e burocracias. Nesse contexto, a corrida passou a representar uma oportunidade de colocar o corpo em movimento.
“A corrida hoje vem como um momento de descontração e passatempo, pois sou contador, trabalho muito tempo sentado, mexendo com números, contratos e tantas outras burocracias. A corrida vem como uma forma de me desligar de tudo isso e me exercitar, para que o corpo esteja em movimento, fugindo do sedentarismo”, explica.
A prática também contribuiu para a perda de peso. Quando começou a correr, Cristiano estava com 102 quilos. Depois de quase um ano de atividade, chegou aos 86 quilos, uma redução de 16 quilos.
“Além disso, a corrida tem servido para que eu consiga continuar perdendo peso e tentando me manter em forma”, relata.
A evolução nos treinos também trouxe novos desafios. Em julho, durante a Maratona de Campo Grande, Cristiano completou sua primeira meia maratona, distância de 21,097 quilômetros. A preparação para a prova foi acompanhada pela presença da família na linha de chegada, o que tornou a experiência um marco em sua trajetória.
“O momento mais marcante até o momento foi na Maratona de Campo Grande, que aconteceu em julho, quando completei a minha primeira meia maratona. Foi algo incrível, pois consegui me preparar para esta prova e ter a minha família lá na linha de chegada”, afirma.
Segundo ele, a preparação também mostrou que a constância nos treinamentos é um dos principais desafios para quem pratica a modalidade.
“O principal desafio que enfrentamos na corrida é manter a constância, se manter firme diante dos treinamentos”, resume.
Para Cristiano, cada prova possui um significado próprio, independentemente da distância ou do resultado. Mais do que buscar uma colocação, ele considera a conclusão do percurso uma conquista.
“No meu caso, todas as provas são especiais, porque só de cruzar a linha de chegada, sem desistir, sem lesões ou algo do tipo, já é uma vitória”, diz.
A presença da família também passou a fazer parte desse processo. Cristiano conta que ter pessoas próximas esperando na chegada é uma das situações que tornam as provas importantes para ele.
“Ter pessoas especiais na linha de chegada, torcendo por você, te esperando para comemorar mais uma prova finalizada, é sempre muito especial”, afirma.
A rotina de treinamentos é acompanhada por profissionais de educação física. No início, Cristiano treinava com Luís Matheus, um amigo que morava em Chapadão do Sul. Desde julho, passou a integrar a assessoria da professora Maira Brum, que atua há mais de 15 anos com corrida em Dourados.
Os treinos acontecem, geralmente, três vezes por semana e são planejados de acordo com o desempenho e as características de cada aluno.
“Ela quem me passa os treinamentos para que eu possa desenvolver e melhorar meu desempenho nas corridas. Geralmente, os treinos acontecem três vezes na semana, sempre de uma forma pensada no desempenho que o aluno tem”, explica.
Para Cristiano, o acompanhamento profissional é um dos cuidados necessários para quem pretende evoluir na modalidade. Ele também destaca a importância de conhecer os próprios limites e realizar exames de rotina antes de aumentar a intensidade dos treinamentos.
“O primeiro cuidado essencial que considero importante para a evolução é escutar sempre um profissional que entenda do assunto e, o mais importante, conhecer os limites do seu corpo, para evitar lesões sérias e graves. Fazer exames de rotina, verificar se a máquina, que é o corpo, está ok para funcionar”, afirma.
Além das mudanças físicas, Cristiano percebe efeitos na forma como lida com a rotina. Ele relata que a corrida também passou a ser um momento para aliviar a cabeça e lidar com a ansiedade.
“Fisicamente mudou muito, pois me ajudou a perder peso e me ajudou muito com a questão da ansiedade, pois a corrida vem como um descanso para a cabeça”, conta.
A concentração exigida durante as provas, segundo ele, também interfere na maneira como o corredor lida com os problemas do cotidiano.
“Sempre comentamos que as provas de corrida são muito mentais, uma luta contra a mente, e isso ajuda a esquecer os problemas do dia a dia e te força a focar no seu desempenho na corrida”, explica.
O hábito também chegou à família. A filha Beatriz já participou de algumas corridas na categoria Kids, enquanto Julia começou a praticar corrida. A esposa, Bruna, iniciou na caminhada. A família tem ainda uma prova conjunta marcada para setembro, quando pretende participar da Corrida da Família, em Dourados.
“Hoje tenho minha filha Beatriz, que tem corrido em algumas corridas Kids, ficando até brava quando não consigo inscrever ela nas provas. Tenho minha filha Julia, que começou também a praticar corrida, e minha esposa Bruna, que também começou na caminhada”, relata.
Cristiano avalia que o crescimento das corridas de rua em Mato Grosso do Sul e em Dourados tem contribuído para colocar mais pessoas em movimento. Para ele, a motivação dos participantes nem sempre está relacionada à competição.
“Hoje as corridas estão na ‘hype’, como se diz, mas vejo como importante, pois é impressionante ver a quantidade de pessoas se movimentando, se desafiando”, afirma.
Na avaliação dele, muitas pessoas encontram nas corridas um objetivo pessoal que vai além da busca por resultados.
“Para a maioria das pessoas, as corridas não são pelas competições em si, mas sim por algo maior, por alguma motivação extra, e eu vejo isso como fundamental para a saúde de todos”, diz.
Para quem ainda não começou a correr, Cristiano recomenda não estabelecer como referência o desempenho de outras pessoas. A orientação é iniciar de acordo com a própria condição física e aumentar gradualmente as distâncias.
“Não queira começar correndo o que um amigo ou um conhecido corre. Apenas comece, com seu tênis simples, respeitando os seus limites. Comece com 100 metros, 1 quilômetro e, com sua constância, quando você menos esperar, estará correndo 5 km e por aí vai”, aconselha.
Ele também reforça a importância do acompanhamento de um profissional para orientar a evolução nos treinos e reduzir o risco de lesões.
O próximo objetivo de Cristiano é tentar conquistar um pódio em sua categoria. O resultado, porém, não é tratado como uma prioridade. Para ele, continuar praticando a modalidade e participando de provas é o principal.
“Próximo objetivo na corrida é tentar conseguir um pódio na categoria, mas não é algo que me prenda ou algo que seja obsessão. Até porque, para mim, o importante é estar em movimento, correndo em mais e mais corridas até quando Deus permitir”, conclui.