Da Redação
A personal trainer Silvia Alves Conciani, paulista radicada há anos em Mato Grosso do Sul, construiu uma trajetória pouco comum entre profissionais da educação física. Antes de entrar de vez no universo esportivo, atuou no direito, passando por júris, assessorias jurídicas no município e no Estado e por casos de grande complexidade. Ela faz questão de lembrar que não abandonou oficialmente a antiga carreira. “Eu SOU advogada, que hoje estou de férias da advocacia para viver um lifestyle com a educação física. Eu disse ‘férias’, pois amanhã posso voltar atrás”, afirma.
A mudança, no entanto, nasceu de uma rotina que já não fazia bem. “Um dos pontos principais que me levaram a buscar o esporte foi a rotina massacrante e estressante do direito”, lembra. Primeiro veio a corrida, depois a musculação, inicialmente apenas como fortalecimento. O impacto desse contato foi imediato. “Ali eu me identifiquei de um tanto que retornei aos bancos da faculdade de Educação Física na UCDB. Eu nunca tive preguiça de estudar, da mesma forma que a idade não foi fator impeditivo deste retorno.”
Hoje, aos 45 anos, Silvia afirma que buscou no esporte não apenas um novo emprego, mas uma nova forma de viver. “Transformar vidas é um dos objetivos principais, assim como ensinar a ter disciplina tanto no esporte como na alimentação”, diz. Para ela, saúde, qualidade de vida e autonomia pesaram na decisão: “Hoje tenho uma rotina mais leve, sono tranquilo, poder dizer ‘não’ e ter tempo livre. Isso foi a grande vitória na minha vida.”
Silvia destaca que os principais desafios para quem tenta iniciar uma rotina esportiva ainda são comportamentais. “Primeiro é vencer a preguiça. Segundo ponto é a disciplina. E, por último, cito o foco, que transcende os dois primeiros quesitos”, afirma. Segundo ela, a prática esportiva não depende necessariamente de dinheiro, mas de vontade e consistência.
Essa visão se reflete também na forma como ela acompanha seus alunos. “A maior métrica de avaliação de um progresso são os relatos de melhora”, explica. Para Silvia, a evolução acontece em várias frentes — física, técnica e emocional. “Já tive relato de melhoras na dor, no humor, na depressão, na glicemia, no desempenho esportivo, na estética corporal. O caso é mais complexo do que a balança ou o percentual.”
Silvia acredita que a autoridade do professor está no exemplo diário. “Na minha visão, o professor tem que ser espelho para seus alunos. Eu tenho uma rotina que traz a disciplina como base”, afirma. Para ela, a disciplina supera a motivação: “Você não levanta todos os dias motivado. Você utiliza da disciplina para fazer o que tem que ser feito, e pronto.”
No entanto, a relação entre saúde mental e desempenho varia muito de pessoa para pessoa. “Tem alunos que, mesmo quando não estão bem, conseguem utilizar o corpo como válvula de escape e entregam um treino ainda melhor. Já outros têm o rendimento afetado. Cada indivíduo responde de uma forma.”
A preparação física, segundo Silvia, é indispensável tanto para atletas amadores quanto profissionais. “Ela vai além do condicionamento físico e sustenta a evolução técnica, tática e mental”, explica. Atualmente, ela acompanha um jovem futebolista de 14 anos, Lucas, e destaca como o trabalho estruturado muda o rendimento. “Hoje, após iniciado os trabalhos, ele evoluiu grandemente no esporte”, afirma. No Instagram, ela publica vídeos dos treinos específicos e da evolução do atleta.
Esse acompanhamento começa com a análise do que ela chama de princípio da individualidade biológica. “Não existe treino ‘padrão’ que funcione igual para todos. Genética, idade, sexo, nível de condicionamento, histórico de lesões, rotina, sono, alimentação e objetivos pessoais precisam ser considerados.”
Para Silvia, a tendência é que cada vez mais pessoas adotem algum tipo de prática esportiva. Ela cita como exemplo o movimento crescente no Parque dos Poderes, em Campo Grande, onde uma das vias é fechada aos finais de semana pela lei “Amigos do Parque”. “Ali as pessoas praticam caminhada, corrida, ciclismo. O incentivo ao esporte já está em alta”, avalia. Segundo ela, treinar passou a ser visto como investimento em saúde, rotina e disciplina: “Hoje quem pratica esporte está à frente, pois demonstra foco e compromisso com a própria evolução.”