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Sidinei Vilhalva: A força que vem da aldeia no futsal sul-mato-grossense

da redação - 23 de fev de 2026 às 15:48 167 Views 0 Comentários
Sidinei Vilhalva: A força que vem da aldeia no futsal sul-mato-grossense Da Redação

“Quero mostrar que é possível sair da aldeia e conquistar espaço no esporte.” A frase resume o objetivo de Sidinei Vilhalva, 29 anos, atleta indígena da etnia Kaiowá, nascido em 21 de janeiro de 1997, na Aldeia Amambai, no município de Amambai, em Mato Grosso do Sul.

 

Sidinei cresceu na aldeia e iniciou sua relação com o futsal ainda criança. “Minha relação com o futsal começou cedo, por volta dos 6 ou 7 anos, quando jogava com meus primos e colegas da escola. Nossa bola era improvisada, feita de saquinhos e meias velhas que nós mesmos confeccionávamos.” Naquele período, ele dividia o tempo entre o trabalho e os estudos. “Eu não jogava com frequência porque ajudava minha mãe e meus avós na roça pela manhã, e à tarde estudava na escola indígena da aldeia.”

 

O primeiro contato com treinos organizados ocorreu aos 11 anos. “Participei do meu primeiro treino oficial com o professor indígena de Educação Física Ismael Morel, que se tornou meu primeiro treinador de futsal.” No ano seguinte, passou a disputar competições escolares. “Comecei a disputar os jogos intercolegiais representando nossa escola nas categorias sub-12 e sub-14. Fomos campeões por três anos consecutivos.”

 

A equipe também representou o município nos Jogos Escolares da Juventude de Mato Grosso do Sul (JEMS) e, posteriormente, nas categorias sub-15 e sub-17 dos Jogos da Juventude de Mato Grosso do Sul (JOJUMS). Segundo ele, foi nesse período que o interesse pelo futsal se consolidou. “Foi quando meu interesse pelo futsal cresceu ainda mais.”

 

Sidinei também participou da Copa da Juventude em cidades da região de fronteira. “Conquistei o vice-campeonato da Copa da Juventude em Ponta Porã, com o professor Ismael, e o título em Dourados, treinando com o professor Nelson Franco Machado, no Ginásio Flávio Derzi.” A visibilidade nessas competições abriu uma oportunidade fora do Estado. “Graças ao apoio dos professores, tive a oportunidade de participar de uma peneira do Santos Futebol Clube, no estádio Douradão. Não fui selecionado, mas essa experiência marcou minha trajetória.”

 

As dificuldades financeiras marcaram esse período. “Eu morava apenas com minha mãe e meu irmão em uma casa de sapê, e ela fazia o papel de mãe e pai. Muitas vezes faltavam recursos para treinos, bolas, tênis, meias e transporte. Mesmo assim, com esforço e determinação, jogava descalço ou de chinelo e segui em frente.”

 

Com o passar dos anos, o atleta também passou a atuar no futebol de campo. Representou a cidade de Paranhos, no Paraná, e acumulou participações em campeonatos fora da aldeia. No futsal, um dos marcos da carreira foi a disputa da Copa Morena, em 2019, defendendo o CAA Futsal de Amambai.

 

Em 2021, durante a fase de grupos da competição, viveu um momento que considera especial. “Tive a honra de conhecer e jogar ao lado do jogador profissional Alex Merlim, do Sporting Clube de Portugal, eleito o terceiro melhor jogador de futsal do mundo no Futsalplanet Awards 2021.” O encontro ocorreu dentro de quadra e, segundo ele, representou uma referência para seguir no esporte.

 

Sidinei também disputou a Liga MS nos anos de 2020, 2021 e 2022, novamente pelo CAA Futsal de Amambai. Ele destaca o apoio do advogado Odil Puques e do treinador Andrey Fernandes. “Com ele aprendi muito sobre futsal e sou profundamente grato por todo o conhecimento que me transmitiu.” No período, participou de diferentes campeonatos e conquistou o título da Liga Sul-Mato-Grossense – Conferência Sul, além do vice-campeonato na fase estadual da mesma competição.

 

Em 2023, a trajetória sofreu uma interrupção. “Sofri um grave acidente de carro e fraturei a coluna cervical, na vértebra C1. Esse momento quase me fez desistir do esporte.” O processo de recuperação contou com apoio familiar. “Com o apoio da minha esposa, da minha filha, da minha mãe e dos amigos, consegui voltar às quadras, mesmo convivendo com algumas lesões.”

 

No ano de 2025, recebeu novo convite para disputar a Liga Sul-Mato-Grossense, representando o Corel Sapucaia. “Foi uma prova de que, apesar das dificuldades, ainda posso fazer o que mais amo.”

 

O atleta afirma que pretende continuar no futsal e no futebol de campo. “Meu objetivo é continuar jogando, recuperar totalmente das lesões e representar novamente minha cidade e minha aldeia em grandes competições.” Ele reforça o propósito de ampliar a visibilidade dos atletas indígenas. “Nas aldeias existem muitos jovens talentosos no futsal, mas que precisam de oportunidade e visibilidade para mostrar seu potencial.”

 

Para Sidinei, o futsal praticado no Estado carrega características próprias. “O futsal sul-mato-grossense tem a garra e a força de jogadores que vêm de realidades difíceis. Muitos atletas indígenas jogam com paixão e improviso, o que dá uma identidade única ao esporte no Estado.”

 

Ao final, deixa uma orientação aos mais jovens. “Nunca desistam, mesmo diante das dificuldades. Aproveitem cada oportunidade, valorizem os estudos e treinem com disciplina. O talento precisa caminhar junto com esforço e dedicação.”

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