Da Redação
“Seu nível é campeã olímpica.” A frase dita pelo sensei Alessandro Nascimento segue presente na rotina da judoca Amytai Diandra Vicente Santana, de 14 anos, atleta da categoria Sub-18 que vem acumulando resultados importantes no cenário regional, nacional e internacional do judô.
Nascida em 29 de setembro de 2011, em Campo Grande (MS), Amytai iniciou no esporte por meio de um projeto social na Escola Municipal Nagen Jorge Saad. O primeiro contato com o tatame rapidamente se transformou em identificação com a modalidade.
“Conheci o judô na Escola Municipal Nagen Jorge Saad, por meio de um projeto. Comecei treinando e logo participei do Judokinha. Foi paixão na primeira competição”, relembra.
Depois do início na escola, Amytai passou a treinar na Associação Atlética Judô Futuro, onde teve como um dos principais incentivadores o sensei Alessandro Nascimento. Segundo ela, foi nesse período que passou a enxergar o esporte de forma mais ampla e competitiva.
“Logo depois conheci a Associação Atlética Judô Futuro, com o sensei Alessandro mostrando onde poderíamos chegar. Ali fui campeã regional quatro vezes seguidas, campeã brasileira nacional e terceiro lugar no Pan-Americano.”
Além dos resultados regionais e nacionais, a atleta também é invicta nas competições estaduais e segue participando das etapas dos Jogos Escolares, competição que começa na fase municipal e pode avançar até as disputas nacionais e mundiais.
Ao longo da trajetória, Amytai consolidou seu nome entre os destaques da nova geração do judô sul-mato-grossense. Mesmo jovem, ela já soma medalhas em competições nacionais e internacionais, além de manter regularidade nos campeonatos regionais. Neste ano, disputou pela quinta vez consecutiva a competição regional e conquistou medalha de bronze.
Apesar das conquistas, a atleta afirma que o momento mais marcante da carreira foi a conquista do Campeonato Brasileiro Nacional. O título teve um significado especial pela relação construída com o sensei Alessandro, que faleceu em 2025.
“Alessandro sempre acreditou no nosso potencial. No ano de 2025 tive essa perda. Ele falava que eu seria campeã brasileira e eu fui. Devo muito a ele.”
Segundo Amytai, subir ao pódio do Brasileiro representou mais do que um resultado esportivo.
“Ganhar o Brasileiro Nacional foi um sentimento de missão cumprida. Eu devia isso ao meu sensei, que acreditava em mim, e a todas as pessoas que confiaram e investiram em mim.”
A perda do treinador foi um dos momentos mais difíceis enfrentados pela atleta até aqui. Ela conta que o apoio da família foi essencial para continuar competindo e treinando.
“Superar a dor só foi possível graças ao apoio da minha família e ao propósito que ele deixou para mim.”
Os pais, Keyvalsson e Pamela, além dos avós Elídio e Ivone, são apontados por Amytai como a base da caminhada no esporte. Atualmente, ela também destaca a importância do trabalho realizado no Clube Rocha, onde segue treinando sob orientação do sensei Diogo.
“Meus pais, Keyvalsson e Pamela, e meus avós Elídio e Ivone são essenciais para tudo isso acontecer. Meu sensei Diogo também é fundamental nessa nova fase.”
Hoje, a rotina da atleta envolve treinamentos físicos e técnicos diários, além dos estudos. Para ela, o segredo da regularidade nos resultados está diretamente ligado à dedicação diária.
“O segredo é treinar diariamente, treinar e treinar, e ter alguém que acredite em você.”
A chegada à categoria Sub-18 também trouxe novos desafios. Amytai entende que a mudança exige amadurecimento constante.
“Sub-18 é uma nova fase, e o segredo é saber que cada dia é um novo aprendizado, que nunca vou saber tudo. É preciso manter os pés no chão.”
Entre as competições mais marcantes da carreira, o Pan-Americano ocupa um espaço importante, mesmo sem o resultado esperado. Amytai terminou a competição com medalha de bronze, mas avalia a experiência como um aprendizado necessário para seguir evoluindo.
“O Pan não foi o resultado que busquei. Faltaram detalhes que estou trabalhando para conseguir mudar.”
Ainda assim, ela afirma sentir orgulho pelo desempenho alcançado no torneio internacional.
“Sinto muito orgulho de ter subido no pódio no Pan, mesmo não sendo o resultado esperado.”
Outro momento lembrado pela judoca aconteceu em uma final regional decidida nos segundos finais. A situação permanece viva na memória da atleta pelas orientações recebidas do sensei Alessandro durante a luta.
“Teve uma competição regional que ganhei faltando quatro segundos. Eu estava perdendo por um yoko. Faltando nove segundos, com a luta parada, olhei para o lado e ouvi meu sensei falando: ‘Você não tem mais nada a perder, vai’. Eu fui, joguei a menina, fiz um wazari faltando quatro segundos e fui campeã.”
Além dos desafios técnicos e emocionais, Amytai também enfrenta dificuldades financeiras comuns ao esporte de alto rendimento. Para conseguir competir, a atleta e a família já realizaram rifas e vaquinhas online para custear viagens e despesas.
“Já fiz rifa e vaquinha online para conseguir pagar os gastos. Minha maior necessidade hoje é conseguir um patrocínio. Não é fácil, mas acredito que tudo tem seu momento certo.”
Mesmo diante das dificuldades, Amytai afirma que segue motivada pelo amor ao judô e pelo sonho de chegar ao topo da modalidade.
“Sou apaixonada pelo meu esporte. Não me vejo sem ele na minha vida.”
A atleta também destaca os ensinamentos que leva do tatame para fora das competições.
“Com o judô aprendi a respeitar meus adversários. Aprendi que nem tudo sai como desejamos, mas que não devemos desistir jamais.”
Com apenas 14 anos, Amytai Diandra já construiu uma trajetória de resultados importantes e carrega metas ainda maiores para o futuro. O principal objetivo está definido desde cedo.
“Quero continuar evoluindo, competir cada vez mais e conquistar títulos internacionais. Meu maior sonho é ser campeã olímpica.”
E completa, lembrando novamente das palavras do antigo treinador:
“Como meu sensei Alessandro falava: ‘Seu nível é campeã olímpica’. E eu vou ser.”