Da Redação
“Sem suor não haverá vitória.” A frase resume a forma como o goleiro Igor Barrios Ricarte enxerga o futsal e a própria trajetória dentro do esporte. Natural de Amambai, no sul de Mato Grosso do Sul, ele começou a se envolver com a modalidade ainda na infância, inspirado pelas partidas que assistia na própria comunidade.
“A minha trajetória começou desde criança. Eu via meus tios jogando os campeonatos na cidade e também os campeonatos da aldeia”, conta. Segundo Igor, o contato com o ambiente competitivo e familiar fez nascer o interesse pelo esporte, que rapidamente se transformou em escolha dentro da quadra.
Desde o início, ele decidiu atuar em uma posição específica. “Minha paixão começou pela posição de goleiro. Foi o que eu escolhi ser e continuo até agora”, afirma.
O primeiro passo em um processo de formação mais estruturado veio ainda na adolescência. “Na juventude, entre os meus 10 e 12 anos, entrei no treino do Ismael. Foi ali que comecei a treinar e me aprofundar mais ainda para ser goleiro”, relembra.
A experiência nos treinamentos abriu portas para as primeiras oportunidades em competições regionais. Aos 15 anos, Igor recebeu um convite que considera importante no início da carreira. “Recebi o convite para representar a cidade de Amambai no campeonato regional de futsal. Fomos campeões invictos”, diz.
A partir dessa conquista, ele passou a participar com mais frequência de competições organizadas na região. “De lá comecei a jogar o futsal em alto nível”, relata.
Entre os 15 e 17 anos, Igor teve passagem pelo CAA de Amambai. “Foi um período em que estive no time comandado pelo Dr. Odil Puques”, explica. Na época, porém, ele ainda não tinha idade suficiente para disputar a principal competição do estado.
“Por causa da idade eu ainda não podia jogar a Liga MS de Futsal”, lembra.
Mesmo sem participar da competição estadual naquele momento, o goleiro continuou atuando em equipes locais. Um dos principais vínculos foi com o time da própria comunidade. “Fui treinando com o meu time da aldeia, que é bem conhecido na cidade e na aldeia, a Invernada”, conta.
Igor também destaca a convivência com atletas mais experientes como parte importante do processo de evolução dentro da modalidade. “Graças ao treinamento e aos jogadores que jogavam comigo, como o Sidinei Vilhalva, fui me aprimorando. Jogar com atletas que estavam fora do padrão ajudou muito no meu desenvolvimento”, afirma.
Em 2025, ele teve a oportunidade de disputar competições estaduais em diferentes categorias. Uma delas foi a Liga MS Sub-20. “Joguei com o professor Júnior, de Aral Moreira, que me deu a oportunidade. Ficamos em terceiro lugar da Liga na fase de Bodoquena”, conta.
No mesmo ano, Igor também integrou o elenco do Atlético Sapucaiense, equipe que havia conquistado o título da região sul. “O atual campeão da região sul me chamou para somar. Fomos juntos e caímos nas quartas de final”, relata.
Além dessas competições, o goleiro participou da Super Copa BDM de Futsal. “Joguei a fase regional em Antônio João. Por um fio não passamos para a fase estadual”, lembra.
Ao olhar para a própria trajetória, Igor destaca que o objetivo sempre foi atuar em competições de nível mais alto. “A minha carreira como goleiro indígena sempre foi jogar em alto nível”, afirma.
O reconhecimento dentro da modalidade também aparece como meta pessoal. “Meu sonho é um dia ser reconhecido e manter o nível que estou agora”, diz.
Fora das quadras, a rotina envolve conciliar trabalho e treinos. Segundo ele, a preparação depende da disponibilidade dos atletas do próprio time. “Às vezes treinamos juntos, mas nem sempre conseguimos todos os dias por causa do serviço da maioria do time”, explica.
Entre as referências na posição, Igor cita um nome do futsal brasileiro. “Um atleta que me inspira muito é o goleiro da ACBF, de Carlos Barbosa”, afirma.
Sobre o cenário da modalidade em Mato Grosso do Sul, ele acredita que o estado possui atletas competitivos, mas enfrenta dificuldades relacionadas a oportunidades. “Vejo que o futsal daqui é de alto nível. O que falta muitas vezes é oportunidade”, avalia.
Mesmo assim, ele acredita que jogadores do estado podem alcançar o cenário profissional. “Tenho certeza de que ainda veremos atletas daqui chegando ao profissional”, diz.
Ao longo da carreira, Igor afirma que o esporte também trouxe aprendizados que vão além das quadras. “O futsal me ensinou que uma hora você vai perder e outra hora vai ganhar. Mas sem suor não haverá vitória”, afirma.
A experiência nas competições também trouxe reflexões sobre perseverança e continuidade no esporte. “Hoje você pode perder, mas amanhã talvez você levante a taça”, diz.
Para jovens que desejam seguir caminho semelhante no futsal, ele reforça a importância do treino e do aproveitamento do tempo na juventude. “Aproveitem a juventude, treinem e tentem ser melhores que ontem”, aconselha.
Igor também destaca o papel da família na continuidade da carreira esportiva. “Meu maior incentivo para continuar jogando é a minha família, que sempre foi a base de tudo”, afirma.
Com participação em competições regionais e estaduais, o goleiro segue buscando espaço dentro do futsal sul-mato-grossense e mantendo o objetivo de ampliar a própria trajetória na modalidade. “Quero continuar treinando, evoluindo e representar o nosso povo cada vez mais longe”, conclui.