Da Redação
A relação de Rafael Gonçalves Rezende, de 26 anos, com a montaria começou ainda na infância, quando acompanhava os pais na fazenda onde eles trabalhavam, em Mato Grosso do Sul. Nascido em 25 de julho de 2000 e natural de Camapuã, o competidor conta que os primeiros contatos com os animais ocorreram antes mesmo de imaginar que a atividade poderia se transformar em profissão.
Segundo Rafael, ele costumava acompanhar o pai no trabalho e, quando encontrava oportunidade, montava em bezerros. "Bom, tudo começou na fazenda onde meus pais trabalhavam. Lá, às vezes, eu montava nos bezerros das leiteiras, escondido. Mexia no gado, ajudava meu pai, andava a cavalo e, daí, foi pegando o gosto", relata.
O contato com o campo foi, aos poucos, dando lugar ao interesse pelas competições. A experiência adquirida na fazenda serviu como uma das bases para que Rafael começasse a buscar espaço nos rodeios e a disputar provas de montaria em touros.
Entre os momentos que considera mais importantes na trajetória, ele destaca a primeira final que disputou. Para o competidor, chegar à decisão representou uma mudança dentro da própria carreira e confirmou que o trabalho realizado até então poderia levá-lo a novas oportunidades.
"O momento marcante, com certeza, foi a primeira final que entrei na carreira", afirma.
A preparação para uma competição envolve tanto os treinos quanto o cuidado com o aspecto psicológico. Rafael explica que costuma intensificar a preparação nos dias que antecedem os eventos e procura manter a concentração antes de viajar para as competições.
"Eu treino geralmente uns três dias antes do evento e faço exercícios em casa. Procuro sempre ficar tranquilo, concentrar bem antes da viagem", explica.
Para ele, a preparação de um competidor não está limitada à parte física. Rafael cita princípios que considera importantes para quem pretende seguir carreira na montaria em touros.
"Primeiro de tudo, fé em Deus, disciplina, humildade, discernimento e muita coragem", afirma.
Apesar dos anos de competição, Rafael diz que ainda não tem um touro específico que considere um marco em sua trajetória. "Assim, de touros que marcaram até agora, não tem algum até o presente momento", conta.
Os desafios, porém, não ficam restritos ao momento da montaria. De acordo com o competidor, um dos obstáculos enfrentados pelos atletas é a falta de incentivo financeiro para custear deslocamentos e participação em eventos realizados em diferentes cidades e estados.
"Os desafios, acho que são a desvalorização às vezes da gente e a falta de incentivo financeiro, porque é difícil às vezes para a gente viajar muito longe e não ter ajuda de nada", afirma.
Rafael ressalta que, mesmo diante das dificuldades, existem pessoas que colaboram com os competidores e ajudam a viabilizar a participação nas provas. Ele diz ser grato a quem contribui para que consiga continuar viajando e disputando competições.
"Mas, graças a Deus, tem gente que ajuda a gente, sabe? E eu sou muito grato", declara.
Na avaliação do competidor, Mato Grosso do Sul possui atletas que conseguem se destacar nas arenas de rodeio. Rafael considera que o Estado tem uma quantidade significativa de competidores que podem alcançar resultados em grandes eventos.
"Eu acho que o MS tem muitos cowboys que se destacam. Para mim, é um dos estados que tem mais estrelas em relação a competidores", afirma.
A rotina de competições também envolve riscos. As quedas e os contatos com os animais podem provocar lesões, e Rafael já passou por situações que exigiram recuperação física para voltar às arenas.
Ao longo da carreira, ele sofreu diferentes acidentes. Entre as lesões, estão uma fratura no rosto, pisões, "crifadas" e, mais recentemente, uma fratura no tornozelo.
"Acidentes sempre têm. Eu fraturei o rosto, já levei pisão, crifadas e, por último, ano passado, fraturei o tornozelo", relata.
Mesmo depois das lesões, Rafael afirma que continua encarando as competições e coloca a preocupação com a saúde como uma prioridade antes de cada viagem. Para ele, o objetivo é conseguir competir e retornar para casa em segurança.
"Eu só peço a Deus sempre para ir com saúde e voltar para casa, para a família", diz.
A continuidade na carreira também está relacionada à busca por resultados que possam melhorar as condições de vida da família. Rafael afirma que pretende seguir trabalhando para aperfeiçoar sua técnica e alcançar competições de maior destaque no cenário do rodeio.
"As conquistas são do nosso esforço, da nossa dedicação. Quero tentar aperfeiçoar mais para poder competir nas principais competições que têm dentro do rodeio e tentar levar sempre o sustento para casa", afirma.
Entre os objetivos está a participação no rodeio de Barretos, uma das principais referências para os competidores da modalidade no país. Rafael afirma que pretende chegar à competição e disputar espaço entre os atletas que participam do evento.
"E ir competir no tão almejado Barretos, se Deus quiser", declara.
Para alcançar esse objetivo, o competidor sabe que ainda precisa manter a rotina de treinos, buscar evolução e continuar participando das provas. A trajetória, iniciada ainda na fazenda onde os pais trabalhavam, agora tem como meta chegar às grandes arenas.
Ao falar sobre quem está começando na modalidade, Rafael aconselha que os interessados mantenham a disciplina e não abandonem o objetivo diante das dificuldades. Para ele, a persistência é fundamental para quem deseja construir uma trajetória no rodeio.
"O conselho que eu posso dar é: se você tem vontade, vá atrás. Treine bastante, se dedique ao máximo, se apegue com Deus e sempre persista e insista. Seja humilde, porque é a chave para tudo", afirma.