Da Redação
“Aqui tem vários atletas muito bons, só que o investimento é muito baixo.” A avaliação é de Ryan Brenno da Silva Targino, treinador sul-mato-grossense de 23 anos que atua nas categorias de base e tem acompanhado de perto as dificuldades estruturais enfrentadas por clubes e atletas do Estado. Para ele, a falta de apoio ainda impede que mais talentos de Mato Grosso do Sul avancem no cenário nacional.
Nascido em 10 de janeiro de 2002, Ryan iniciou a trajetória profissional no futebol há apenas dois anos, quando assumiu a preparação física do Operário na categoria sub-20. Segundo ele, a transição para treinador foi um movimento natural. “Sempre fui um grande líder. Me via nessa função dentro de campo, tentando ajudar meus companheiros. Quando vi que a idade já tinha avançado, me dediquei à faculdade para me formar e ser treinador.”
Hoje, trabalhando diretamente com formação, Ryan relata que os primeiros desafios aparecem logo no contato inicial com os atletas. “Por ser novo e ter um currículo bom, as crianças e jovens acabam não depositando tanta confiança no começo. Mas, com o passar do tempo, eles veem que o trabalho é bem feito e depositam a confiança.” Ele aponta, porém, que a estrutura dos clubes ainda é uma barreira constante no desenvolvimento das categorias de base.
Com uma rotina voltada à construção de atletas mais preparados técnica e emocionalmente, Ryan trabalha com uma metodologia direta. “O treino serve para o que vai fazer no jogo. Sou exigente, rígido e determinado nos treinos e nos jogos.” Fora do campo, adota uma abordagem mais leve. “Quando não estamos em jogo ou treino, converso com cada um. Faço perguntas não relacionadas ao futebol para descontrair um pouco.”
O treinador afirma que a identificação de um atleta promissor exige acompanhamento diário. “Sempre converso, tiro dúvidas, reforço a concentração em tudo que estiver ligado ao futebol e tento fazer com que ele crie mais maturidade rapidamente.” Essa relação próxima já rendeu frutos marcantes. “Quatro atletas com quem eu me identificava fizeram suas estreias no profissional e me agradeceram depois do jogo. Hoje, três estão na Série B e um na Série A do Brasileirão.”
Equilibrar disciplina, técnica e motivação é outro ponto que ele considera decisivo na rotina das categorias de base. “É difícil ser o mesmo todos os dias, mas para eles você tem que estar sempre preparado e motivado nos treinos e jogos.”
Para quem deseja ingressar na carreira de treinador, Ryan resume o caminho: estudo contínuo. “Futebol virou muito estudo. É fazer cursos, aprender cada dia mais e não desistir quando a derrota vem.”
O treinador também projeta passos para os próximos anos. A meta é evoluir os atletas e fortalecer o cenário local. “Quero desenvolver mais os atletas. Espero que 2026 seja um ano de vitórias. Meus planos são ajudar uma equipe a crescer e ganhar visibilidade e competições, para que, juntos, a gente possa chegar ao topo.”
Ryan Targino segue atuando na base do futebol sul-mato-grossense com o objetivo de ampliar oportunidades e participar da construção de um ambiente mais estruturado para o esporte no Estado. Para ele, o avanço depende de um ponto central: “Tem que ter investimento e apoio.”