Da Redação
“Quando você sabe que fez sacrifícios, deixou de sair, de beber ou viajar para alcançar aquele objetivo, naquele momento difícil da prova tento me lembrar dos treinos bons e dos ruins”. A frase resume a forma como o sul-mato-grossense Matheus Silva encara a corrida de rua e também explica como construiu sua relação com o esporte.
Atleta amador e praticante de corrida de rua em Mato Grosso do Sul, Matheus conta que a competitividade sempre fez parte de sua personalidade. Foi esse traço que o levou a mergulhar mais profundamente na modalidade depois de começar a correr.
“Sempre fui muito competitivo, então, quando me identifico com algum esporte, procuro aprender tudo sobre ele, sobre o que os melhores estão fazendo. Após as provas, acabo me comparando com os resultados dos adversários e vi que, em pouco tempo de treino, já estava bem próximo de alguns concorrentes”, relata.
Segundo ele, o processo de evolução veio naturalmente à medida que aumentava o volume de treinos e passava a observar o desempenho de outros corredores. A comparação de resultados, comum entre atletas, serviu como referência para entender seu nível competitivo.
Matheus afirma que não enfrentou grandes barreiras estruturais para iniciar na corrida, principalmente porque considera a modalidade acessível. Para ele, a facilidade de encontrar lugares para treinar contribuiu para manter a prática constante.
“Acredito que não tive muitas dificuldades, pois a corrida é um esporte que você pode praticar em qualquer lugar, no asfalto ou na estrada de chão. Nosso estado tem paisagens incríveis para desfrutarmos”, afirma.
Apesar dessa facilidade de acesso, manter uma rotina de treinos exige disciplina. Como não vive exclusivamente do esporte, Matheus precisa conciliar trabalho, preparação física e vida familiar.
“Tem sido uma rotina bastante puxada como atleta amador que não sobrevive do esporte. Acordo às 5h30 da manhã, tomo café, vou trabalhar, faço o fortalecimento que a corrida exige, à noite vou treinar e ainda preciso ter tempo para a família”, explica.
Dentro dessa rotina, o treinamento não se limita apenas às corridas. Ele destaca que o fortalecimento muscular é parte essencial da preparação, ajudando a prevenir lesões e melhorar o desempenho.
Mesmo tendo se destacado nas corridas, um dos primeiros resultados que marcaram sua trajetória esportiva aconteceu em outra modalidade. Antes de focar mais diretamente na corrida, Matheus participou de uma prova de ciclismo em Bonito, onde conquistou seu primeiro pódio.
“Foi quando conquistei o quarto lugar em uma prova de ciclismo em Bonito, mesmo com equipamento de entrada e sem ter um plano de treinos. Com certeza é um grande marco”, recorda.
Além da experiência nas competições, Matheus também destaca a influência de pessoas que contribuíram para sua evolução no esporte. Entre elas está o treinador Jonatan Reis, ultramaratonista que hoje acompanha seu trabalho.
“O principal atleta que me inspira é meu treinador, Jonatan Reis, que é ultramaratonista. Mas quem me incentivou mesmo foi um amigo de longa data. Acabei encontrando com ele em uma prova e ele já treinava em uma assessoria de corrida”, conta.
A preparação mental também ocupa um espaço importante na rotina do atleta. Para enfrentar momentos de desgaste durante as provas, ele busca lembrar do esforço realizado durante os treinos.
“Ao meu ver, não tem nada que nos faça mais capazes do que o senso de merecimento. Quando você sabe que fez sacrifícios, deixou de sair, de beber ou viajar para alcançar aquele objetivo, naquele momento difícil da prova sempre tento me lembrar dos treinos bons e dos ruins”, afirma.
Matheus também compartilha orientações para quem pretende começar na corrida de rua. Segundo ele, buscar orientação profissional e cuidar da preparação física são fatores essenciais para quem deseja evoluir na modalidade.
“Procure um profissional de qualidade para orientar os treinamentos. Não deixe o fortalecimento em segundo plano e cuide da nutrição alimentar, que são pilares desse esporte”, orienta.
Entre os próximos desafios, o atleta já tem um objetivo definido: disputar uma ultramaratona. A meta faz parte de um projeto maior, que vai além das competições.
“Meu maior objetivo é correr uma ultramaratona e que eu possa deixar um legado para pessoas que, assim como eu, não vivem do esporte, trabalham e ainda assim conseguem praticar esporte em alto nível”, afirma.