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“Resultado não vem do dia para a noite”, diz corredor sul-mato-grossense

da redação - 7 de jan de 2026 às 15:27 122 Views 0 Comentários
“Resultado não vem do dia para a noite”, diz corredor sul-mato-grossense Da Redação

A corrida não entrou na vida de Moisés Rodrigues Rios como um plano. Veio por convite, quase por acaso, e acabou mudando sua rotina, seus objetivos e a forma como ele enxerga o esporte. “A corrida de rua entrou na minha vida através de um convite de um amigo do quartel em 2023 para correr a Corrida de São José, que acontece todo ano em Coxim”, relembra. Naquela prova, Moisés concluiu os 5 quilômetros em quinto lugar no geral, resultado que chamou sua atenção. “Ali eu vi que tinha um potencial a mais nesse esporte, algo que eu nem sabia”, conta.

 

Nascido em 1º de novembro de 2001, em Campo Grande, Moisés passou a enxergar a corrida de rua não apenas como participação, mas como possibilidade de evolução. Após a Corrida de São José, ingressou na equipe Manda Brasa, em Coxim, e começou a competir com mais frequência. “Fui evoluindo a cada dia, participando de mais provas e me destacando positivamente”, afirma. Segundo ele, o aprendizado veio junto com o processo. “Hoje dou graças a Deus, porque a corrida me ensinou que resultado não vem do dia para a noite, e sim com constância, disciplina e vontade de, um dia, viver desse esporte.”

 

Apesar da evolução rápida, o início da trajetória foi marcado por obstáculos comuns a muitos atletas do interior. Para Moisés, a principal dificuldade não está apenas no treino, mas fora dele. “Todo atleta, seja amador ou profissional, enfrenta muita dificuldade em ter apoio das autoridades locais”, explica. Ele cita a falta de estrutura básica como um dos entraves. “Um local adequado para treinar, um tênis bom, locomoção para ir às provas… tudo isso gera gasto financeiro.”

 

Na avaliação do corredor, o apoio muitas vezes fica restrito a gestos simbólicos. “No interior do estado, muitas vezes a pessoa quer ser vista, quer que fale o nome dela no evento, e em contrapartida oferece só um aperto de mão e um ‘parabéns’”, relata. Mesmo assim, Moisés afirma que segue acreditando em mudanças. “Torço para que isso mude para melhor.”

 

A rotina de treinos é organizada dentro da realidade atual do atleta. Moisés costuma treinar no período da tarde, entre 17h e 18h, priorizando o descanso e o sono. “Antes eu treinava de manhã, mas hoje estou priorizando dormir melhor”, explica. O fortalecimento muscular acontece às segundas-feiras à noite, no Studio Prisciele Ferreira. O treino mais longo da semana fica para o sábado, enquanto sexta-feira e domingo são reservados para descanso.

 

Entre as provas disputadas até agora, algumas marcaram de forma especial sua trajetória. “A que mais marcou foi os 5 km da Corrida São José de 2024, quando bati meu recorde pessoal”, destaca. Outro momento importante foi nas Olimpíadas do Comando Militar do Oeste. “Fui vice-campeão nos 10.000 metros na pista, também com recorde pessoal”, diz. A experiência motivou novos planos. “Inclusive, estou me preparando para competir novamente este ano.”

 

Mesmo sem ainda ter competido fora de Mato Grosso do Sul, Moisés afirma que representar o estado é um objetivo claro. “Se um dia Deus me abençoar com essa oportunidade, quero mostrar que nossa cidade e nosso estado têm muitos atletas com excelente desempenho, mas que precisam de apoio para viver do esporte”, afirma.

 

O cenário da corrida de rua em Mato Grosso do Sul, segundo ele, tem mostrado sinais de crescimento. “Está melhorando, com mais pessoas preocupadas com a saúde”, avalia. Em Coxim, onde reside atualmente, o calendário anual conta com cerca de quatro provas. “Isso faz com que a comunidade esteja sempre envolvida com atividade física.”

 

Para Moisés, o apoio estrutural faz diferença direta no rendimento. “Palavras não abrangem quase nada”, resume. Ele cita a necessidade de investimentos concretos. “Uma pista de atletismo, equipamentos, estrutura. Isso dá ao atleta mais motivação para fazer o que precisa ser feito.” Sem isso, ele acredita que a cobrança se torna incoerente. “Sem apoio, não tem como cobrar resultado do atleta local.”

 

A vontade de desistir já apareceu em alguns momentos, especialmente diante da falta de suporte. Ainda assim, ele seguiu. “A paixão pelo esporte e as pessoas que incentivam, que estão ali para treinar, elogiar ou criticar, já são motivo para continuar”, afirma.

 

Para o futuro, Moisés traça metas objetivas. “Este ano, o principal objetivo é competir nas Olimpíadas do Exército, em Brasília”, projeta. Depois, o foco será uma prova específica. “Quero correr os 21 km da Bonito 21K e, se Deus quiser, representar minha cidade com um bom resultado.”

 

Ao falar com quem pensa em iniciar na corrida de rua, o atleta reforça que o processo exige paciência. “Coloque Deus na frente e dê o primeiro passo”, orienta. Para ele, a corrida não é imediatista. “Não é curto prazo, é médio e longo prazo.” Moisés também destaca o valor do caminho. “Aproveite cada conquista, cada recorde pessoal, cada percurso, faça amizades e cuide da sua saúde. Onde você for, sempre vai encontrar algum corredor.”

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