Da Redação
Murilo Batista Lima nasceu em 26 de março de 2009, em Amambai (MS), e encontrou no handebol o esporte em que pretende construir sua carreira. Antes de defender as metas nas quadras, o atleta iniciou sua trajetória no futebol de campo, também como goleiro. A mudança de modalidade aconteceu em 2022, por incentivo da treinadora Léa Patrícia, e marcou o início de uma nova etapa.
Segundo Murilo, a posição de goleiro sempre fez parte da sua história esportiva. O que mudou foi o ambiente em que passou a atuar. O convite para conhecer o handebol acabou despertando uma identificação imediata com a modalidade.
"Eu sempre fui goleiro desde os meus cinco anos de idade, porém iniciei no futebol de campo. Em 2022, minha atual treinadora, Léa Patrícia, me chamou para começar no handebol. A partir daí fui me apaixonando por esse esporte a cada dia. Decidi que queria jogar de goleiro quando entendi a responsabilidade que essa posição tem, sempre me esforçando ao máximo dentro de quadra para defender meu time e a família que o esporte me proporcionou."
Ao longo da trajetória, o atleta afirma que precisou lidar com momentos que colocaram à prova não apenas sua preparação física, mas também o aspecto emocional. Lesões e derrotas fizeram parte do processo de amadurecimento.
"Enfrentei algumas lesões que me limitaram. Nesses momentos, o que mais é afetado é o nosso psicológico. Passei por dificuldades pessoais e dentro do esporte que já me fizeram duvidar do meu próprio potencial. Também vivi derrotas amargas que me faziam questionar se teríamos vencido caso eu tivesse tomado decisões diferentes, assumindo uma responsabilidade que nem sempre era exclusivamente minha. Mas todos esses momentos me fizeram crescer como pessoa e atleta, desenvolvendo uma mentalidade melhor para lidar tanto com a derrota quanto com a vitória."
Para Murilo, a preparação de um goleiro vai além dos treinamentos físicos. O controle emocional é apontado como um dos principais fatores para manter o desempenho durante uma partida de handebol, modalidade em que os goleiros costumam sofrer muitos gols ao longo do jogo.
"Eu acredito que, ainda mais no handebol, um goleiro precisa estar com a cabeça 100% no jogo. É um esporte em que facilmente um goleiro pode sofrer mais de 20 gols em uma partida. É preciso ter um psicológico firme para suportar a pressão da torcida, a importância do jogo, não abaixar a cabeça a cada gol sofrido e não cair nas provocações dos adversários."
Além do trabalho mental, Murilo explica que procura estudar os adversários antes das partidas.
"Antes dos jogos sempre procuro observar os principais pontos do time adversário, entender quais jogadores serão mais acionados, analisar o tipo de arremesso de cada um e conhecer seus padrões. Assim, quando entro em quadra, já estou mais preparado para o que pode acontecer durante a partida. Cada defesa conta."
Entre as lembranças da carreira, uma das mais marcantes aconteceu na semifinal do Campeonato Estadual de 2025. O confronto terminou apenas na prorrogação e garantiu a classificação da equipe para a decisão.
"Foi um jogo muito disputado. Começamos perdendo, conseguimos virar o placar e, no fim do tempo regulamentar, terminou empatado. Na prorrogação garantimos nossa vaga na final com a vitória por 28 a 24. Tive uma atuação consistente do começo ao fim, fiz defesas importantes para manter a equipe no jogo, defendi três das quatro cobranças de sete metros e fui escolhido o MVP da partida."
Na avaliação do atleta, ser goleiro exige o desenvolvimento constante de diferentes habilidades técnicas e mentais.
"Um bom goleiro de handebol precisa ter controle emocional, flexibilidade, reflexo, equilíbrio, leitura de jogo, leitura corporal dos atacantes, bom posicionamento, saber usar a profundidade do gol em relação ao adversário, ter tempo de bola e explosão nos movimentos. São inúmeras as técnicas que precisam ser treinadas para alcançar e manter um bom nível."
Ao falar sobre o crescimento da modalidade em Mato Grosso do Sul, Murilo reconhece avanços na realização de eventos e na divulgação do esporte. No entanto, acredita que ainda existem desafios para o desenvolvimento dos atletas, especialmente no interior do estado.
"Apesar de o handebol estar começando a ganhar mais visibilidade no Brasil, por muito tempo foi um esporte esquecido. Hoje o Mato Grosso do Sul tem desenvolvido melhor a realização de eventos e a divulgação da modalidade. Porém, um problema recorrente em muitos municípios é a falta de veículos para transportar os atletas até campeonatos e eventos esportivos."
O goleiro também acompanha atletas brasileiros e internacionais que considera referências na posição. Entre eles estão Dentin, da Seleção Brasileira Sub-21, Davi Lauar, do Osasco, Will Silva, do Pinheiros, Washington Luiz, Gabriel Souza, do Cascavel, além dos europeus Andreas Wolff, Andreas Palicka e Emil Nielsen.
Atualmente, Murilo está retomando a rotina de treinamentos após uma lesão sofrida durante uma competição no Paraguai. Segundo ele, o foco tem sido o fortalecimento muscular e o trabalho de mobilidade antes do retorno completo às atividades.
"Recentemente sofri uma lesão leve enquanto jogava no Paraguai e terminei minha recuperação há pouco tempo. Agora estou voltando com treinos mais específicos de fortalecimento muscular e mobilidade. Acredito que em breve estarei novamente na minha rotina normal de treinos."
Para o futuro, o atleta pretende seguir competindo em alto nível e vê no Paraguai uma oportunidade para ampliar sua carreira, em razão da visibilidade da modalidade no país vizinho.
"Procuro continuar me mantendo em alto nível, com a possibilidade de disputar mais campeonatos no Paraguai, onde o handebol tem uma visibilidade maior e oferece boas oportunidades para atletas brasileiros iniciarem uma carreira profissional. Quero conquistar as maiores competições do esporte, como a Champions League, o Mundial de Clubes e, se tudo caminhar da forma correta, defender a Seleção Brasileira em uma Copa do Mundo. Eu quero conquistar o mundo, sem limites para até onde posso chegar, mas sempre mantendo os pés no chão."
Ao deixar uma mensagem para quem está iniciando no handebol, Murilo destaca que o desenvolvimento esportivo depende da dedicação e da relação que cada atleta constrói com a modalidade.
"A persistência, o esforço, a dedicação e a paixão pelo esporte são o que fazem um atleta crescer, independentemente do município onde ele esteja ou da estrutura que tenha para treinar. Quando você decide jogar handebol por amor ao esporte, e não apenas como um hobby, percebe que, independentemente das derrotas, continua feliz por fazer aquilo que gosta. Jogue por você, não para impressionar outras pessoas. O reconhecimento pelo esforço é importante, mas não pode ser confundido com ego. Quem joga por amor entende um valor que quem busca apenas conquistas talvez nunca conheça."