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“Quem não sonha não arrisca”: a aposta de Luciana Rufino no fisiculturismo profissional

da redação - 8 de abr de 2026 às 14:57 32 Views 0 Comentários
“Quem não sonha não arrisca”: a aposta de Luciana Rufino no fisiculturismo profissional Da Redação

“Quem não sonha não arrisca, não descobre seu potencial e não vive a verdadeira emoção que a vida te oferece.” A frase resume a forma como a atleta de fisiculturismo Luciana Rufino conduz sua trajetória dentro e fora dos palcos. Natural de Morrinhos (GO), ela construiu no Mato Grosso do Sul não apenas sua carreira acadêmica, mas também uma identidade consolidada no esporte.

 

A relação com a musculação começou ainda em 2003, por recomendação médica, em um momento em que enfrentava o sedentarismo. “Iniciei musculação porque estava sedentária. A partir daí adquiri o hábito e nunca mais parei”, conta. Anos depois, em 2015, ao se mudar para Campo Grande para cursar doutorado em Zootecnia pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), teve o primeiro contato com o fisiculturismo por meio de amizades.

 

O que inicialmente seria uma experiência pontual se transformou em um compromisso de longo prazo. “Resolvi me desafiar com o propósito de competir apenas uma vez para ter experiência. No entanto, me identifiquei 100% com todas as etapas da preparação e não quis mais parar”, relata. A estreia ocorreu em novembro de 2016, pela IFBB.

 

Desde então, Luciana passou a acumular resultados e a evoluir tecnicamente. Em 2021, estreou na Muscle Contest NPC, em Brasília, onde conquistou o segundo lugar. Na mesma semana, competiu no Rio de Janeiro e ficou com a primeira colocação. Já em 2022, disputou o Mr. Olympia Brasil, em São Paulo, e o Master de Campinas, conquistando o topo do pódio nas categorias Open e Master, embora ainda sem o cartão profissional naquele momento. O objetivo foi alcançado no ano seguinte, ao repetir a participação e garantir o Pro Card no Master de Campinas.

 

A decisão de buscar alto rendimento não foi repentina. Segundo ela, desde o início havia um planejamento pessoal voltado para evolução contínua. “Eu nunca pensei em treinar apenas por saúde. Sou muito intensa. Quando me matriculei na academia, já existia um sonho de ir além. Eu imaginava meu corpo físico delineado, bonito e referência para muitas mulheres”, afirma.

 

A percepção de que poderia alcançar o nível profissional foi reforçada com o tempo. “Quando completei cinco anos competindo, meu ex-coach e árbitros começaram a falar que meu físico já tinha maturidade e condicionamento suficiente para tentar o Pro Card”, lembra. Mesmo diante das dúvidas sobre o nível das competições internacionais, decidiu seguir. “Como sou adepta a desafios, decidi encarar e deu certo.”

 

A rotina de preparação envolve planejamento rigoroso. Luciana segue protocolos definidos por sua equipe, com treinos cinco vezes por semana, além de atividades aeróbicas ajustadas conforme a fase. “Meus treinos são supervisionados por profissional de educação física e realizados com carga máxima para minha capacidade e intensidade alta”, explica. Os intervalos entre séries variam de um minuto e meio a dois minutos, enquanto o aeróbico pode chegar a uma hora, inclusive nos dias de descanso.

 

Apesar da disciplina ser apontada como característica pessoal, os desafios surgem em outras frentes. “Meu maior desafio foi o planejamento para realizar todas as atividades das preparações, mais trabalho e rotina de família”, diz. Um período específico marcou sua trajetória: o retorno às competições após a pandemia. “Foi uma fase sem apoio, sem patrocínio e lidando com separação conjugal.”

 

A experiência nos palcos também ampliou sua compreensão sobre o impacto do esporte. “A partir do primeiro Mr. Olympia em 2022, cada vez que eu descia do palco e recebia o carinho das pessoas, percebia que meu propósito não era apenas minha evolução física”, afirma. Segundo ela, o contato com o público, especialmente jovens, reforçou esse entendimento. “Receber crianças e adolescentes com brilho nos olhos e sentir que está influenciando no futuro delas é incrível.”

 

Dentro da categoria Figure, Luciana destaca que há critérios técnicos bem definidos. “O padrão físico é o formato em Y ou V shape. A cada preparação seguimos o que é exigido e, após cada campeonato, buscamos feedback da arbitragem para traçar novas estratégias”, explica.

 

Ela também aponta a necessidade de enfrentar estigmas relacionados ao fisiculturismo feminino. “Um dos mitos é que a mulher ‘parece homem’. Outro é que só está assim porque usa ‘bomba’”, afirma, ao mencionar percepções que ainda persistem fora do meio esportivo.

 

A estrutura de apoio é considerada fundamental para a continuidade da carreira. “O apoio da família traz segurança e incentiva a continuidade do meu trabalho”, diz. Além disso, destaca a importância de uma equipe qualificada. “Saber escolher o coach é o mais importante. Ele vai projetar cada plano para que se atinja o sucesso. É preciso também um médico com experiência em saúde esportiva e um treinador para monitorar os treinos.”

 

Sobre o cenário local, Luciana avalia que o fisiculturismo em Mato Grosso do Sul está em expansão, mas ainda enfrenta limitações. “O Estado tem crescido muito, mas ainda precisa evoluir. Falta incentivo por parte dos órgãos estaduais. O fisiculturismo não tem apoio político e governamental”, afirma. Ela também chama atenção para os custos elevados das competições e a necessidade de construção gradual de carreira. “Não é subir no palco uma vez e achar que já merece patrocínio. É preciso mostrar que você é merecedor e que trará retorno.”

 

Com novos objetivos definidos, a atleta mantém o planejamento para os próximos anos. Em julho, pretende competir no Muscle Contest Brasil, buscando melhorar o resultado anterior, quando ficou em sexto lugar. Para o segundo semestre, projeta uma competição na Europa, ainda sem detalhar o local.

 

A meta principal já está estabelecida. “A Lu vai alcançar sua maior conquista, que será vencer o Mr. Olympia Master Mundial, que acontecerá em 2027”, finaliza.

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