Da Redação
“A missão continua e com mais responsabilidade.” A frase resume o momento vivido por Reginaldo Arruda, nascido em Campo Grande (MS), em 18 de outubro de 1969, ao alcançar a faixa coral 6º dan no judô. Após décadas dedicadas à modalidade, ele trata a graduação como reconhecimento e, ao mesmo tempo, como ponto de partida para novas responsabilidades dentro e fora do tatame.
“A faixa coral (vermelha e branca) é considerada uma graduação superior no judô. Para mim, foi uma vitória e um reconhecimento após tantos anos de prática. Vemos que poucos conseguem alcançar essa graduação e nos sentimos realizados e, ao mesmo tempo, buscamos passar os conhecimentos e formar novos judocas e novos faixas-pretas”, afirma. Segundo ele, a graduação “representa um reconhecimento pela dedicação, técnica e liderança no judô” e reforça que “a missão continua e com mais responsabilidade”.
A história de Reginaldo com o judô começou ainda na juventude. Ele iniciou a prática em 1982, sob orientação do sensei Reinaldo Santos, e, desde então, construiu uma trajetória ligada tanto à formação esportiva quanto à formação humana. Em 2026, ele completa 40 anos dedicados ao ensino da modalidade.
A criação da Academia Judô CGR surgiu da necessidade de um espaço próprio para a prática e divulgação da filosofia original da modalidade. “A Academia Judô CGR nasceu da necessidade de termos um espaço para a prática e divulgação do judô de Jigoro Kano”, explica, ao mencionar o fundador do judô, Jigoro Kano. Atualmente, a academia está localizada na Avenida América, 612, na Vila Planalto, em Campo Grande, e atende alunos a partir dos quatro anos de idade.
Ao falar sobre os princípios que orientam seu trabalho, Reginaldo destaca que procura transmitir os mesmos valores que recebeu no início da prática. “Os valores que recebemos desde o início da prática do judô, quando comecei lá em 1982 com o sensei Reinaldo Santos”, resume. Ele reforça que o judô, desde sua criação, carrega um propósito educacional. “Desde a sua criação pelo mestre Jigoro Kano, o judô tem o cunho educacional e de formação global do praticante”, afirma.
Para o sensei, o impacto da modalidade vai além das competições. Ele relata que um dos principais desafios ao longo dessas quatro décadas foi manter-se como referência para os alunos. “Ao longo desses anos, completo agora, em 2026, 40 anos em que dou aulas de judô, e os desafios sempre estão relacionados a ser uma referência positiva para os nossos alunos”, diz.
A atuação social também faz parte da rotina da academia. Reginaldo afirma que o espaço atende pessoas em situação de vulnerabilidade e já desenvolveu trabalhos com instituições da cidade. “Atendemos pessoas carentes, trabalhamos por vários anos com um abrigo de crianças que esperam por adoção, o Lar Vovó Miloca, e um dos principais objetivos é a formação de pessoas de bem”, relata.
Sobre o cenário estadual, ele avalia que o judô sul-mato-grossense vive um momento de destaque. “Vemos, por meio dos resultados, que o Mato Grosso do Sul está entre os melhores do Brasil. O judô do Estado está muito forte, graças ao bom trabalho dos excelentes professores que trabalham com o judô aqui no MS”, afirma.
Embora diga que não foi um atleta de ponta, Reginaldo destaca a experiência acumulada em competições e na formação de atletas de alto rendimento. “Não fui um atleta de ponta, mas competi bastante e formei alguns atletas de ponta e de seleção brasileira no passado. Temos que dar a opção para aquele aluno que quer competir e ser campeão. Para isso, precisamos estar sempre dando suporte e estudando para oferecer o melhor atendimento a esses atletas”, explica.
Ao avaliar os resultados alcançados ao longo dos anos, ele afirma que a maior realização está na trajetória dos alunos fora do esporte. “Fico muito orgulhoso de ter formado atletas que hoje constituíram suas famílias e se realizaram profissionalmente com muito sucesso em suas carreiras. Tenho alunos que são profissionais de várias áreas: médicos, engenheiros, vendedores, empreendedores e muito mais. A missão nunca deixa de ser essa: formar pessoas de bem, com objetivos na vida e disposição de vencer em todos os aspectos”, declara.
Olhando para o futuro, Reginaldo associa seus objetivos à continuidade do trabalho e ao crescimento pessoal. “O objetivo das pessoas, na minha opinião, é sempre estar em crescimento pessoal, fazendo aquilo de que gostam e buscando a felicidade. Nada me deixa mais feliz do que estar cercado de pessoas boas, de amigos, da família, e participar da vida das pessoas de maneira positiva”, afirma. Ele acrescenta que se considera “uma pessoa abençoada por ter muitos amigos de infância, ter meus alunos como amigos e perceber que as pessoas querem o seu bem”.