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“Quando preciso espairecer a cabeça, é ali que me encontro”: Vitória Fetter relembra trajetória no vôlei de MS

da Redação - 1 de out de 2026 às 15:30 209 Views 0 Comentários
“Quando preciso espairecer a cabeça, é ali que me encontro”: Vitória Fetter relembra trajetória no vôlei de MS Da Redação

O vôlei começou como uma atividade depois das aulas e passou a ocupar parte da rotina de Vitória Batista Fetter, de 20 anos, natural de Amambai. Entre treinos na escola, partidas com as amigas e competições, ela chegou à seleção de Mato Grosso do Sul, disputou torneios fora do Estado e subiu ao pódio no Brasileiro Escolar. Atualmente estudante de Biomedicina, Vitória mantém o esporte como hobby e uma forma de conciliar a rotina acadêmica com uma atividade que pratica desde a adolescência.

 

O primeiro contato ocorreu ainda na escola, quando Vitória tinha aproximadamente 12 ou 13 anos. Na época, estudava no período da tarde e aproveitava os treinamentos realizados logo após as aulas. O interesse pela modalidade fez com que o vôlei também ocupasse outros momentos do cotidiano.

 

“Eu comecei a jogar vôlei na minha escola. Estudava à tarde e os treinos eram logo após as minhas aulas. Comecei a amar desde sempre, adorava jogar vôlei. Eu devia ter uns 12 ou 13 anos, não me lembro direito. Desde então, eu e minhas amigas jogávamos todos os dias. Quando não era treino, era vôlei de areia. Era o que mais amávamos fazer”, conta.

 

A participação em competições escolares abriu espaço para novas experiências. Vitória começou a disputar os Jogos da Juventude de Mato Grosso do Sul (Jojums) pela escola e, conforme avançava nas competições, passou a receber convites relacionados ao esporte.

 

Em 2022, depois de se destacar nas competições, Vitória participou do processo para integrar a seleção de Mato Grosso do Sul. A partir daí, passou a viajar com frequência de Amambai para Campo Grande para participar dos treinamentos. Ao todo, foram dois anos integrando a seleção estadual.

 

A rotina de preparação exigia deslocamentos constantes entre as duas cidades. Mesmo sem se mudar para a Capital, Vitória viajava para participar dos treinamentos e permanecer com a equipe durante os períodos de preparação. As viagens e o alojamento recebiam apoio para que ela pudesse continuar treinando.

 

“Eu não fui embora para Campo Grande, mas sempre patrocinavam minhas viagens e o alojamento para eu poder ficar lá e treinar. A minha escola, Dom Aquino Corrêa, sempre me prestou muito apoio em relação às aulas perdidas”, afirma.

 

Ainda em 2022, a atleta participou do Brasileiro Escolar, em Aracaju. A competição também marcou sua primeira viagem de avião. Representando Mato Grosso do Sul, Vitória terminou o torneio na terceira colocação com a equipe.

 

“Comecei a ir para Campo Grande sempre para treinar até irmos para a minha primeira viagem de avião, para Aracaju, para jogar. Ficamos em terceiro lugar no Brasileiro Escolar”, relembra.

 

Naquele mesmo ano, Vitória também passou a disputar competições por Campo Grande, sob orientação do técnico Samir, do Campo Grande Vôlei. Além de torneios regionais, participou do Estadual de 2022, quando a equipe de Campo Grande conquistou o título.

 

A sequência nas competições continuou em 2023, quando Vitória viajou para Saquarema, no Rio de Janeiro. Durante a competição, ficou hospedada com a equipe nas instalações da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). O time terminou a disputa na quarta colocação.

 

“Em 2023, viajei para Saquarema. Ficamos hospedadas na CBV e terminamos em quarto lugar”, conta.

 

No fim daquele ano, Vitória acrescentou outra competição à trajetória. Ela disputou os Jogos Abertos de Mato Grosso do Sul (JAMS) pelo VPS e terminou a competição na segunda colocação.

 

Os anos dedicados às competições também exigiram uma rotina de preparação que não se limitava aos treinos com bola. Segundo Vitória, havia treinos praticamente todos os dias, além de academia e cuidados com a alimentação.

 

“Minha rotina de treinos na época era todos os dias. Eu tinha muita disciplina com academia, alimentação, disposição e tudo. Agora participo dos campeonatos da minha faculdade, mas é um vôlei diferente e não conseguimos conciliar os treinos”, explica.

 

Entre as experiências acumuladas nesse período, Vitória aponta o Brasileiro Escolar de 2022 como a competição que mais marcou sua passagem pelo esporte. Além da terceira colocação, ela relaciona a participação ao fato de ter saído de Amambai para disputar campeonatos fora de Mato Grosso do Sul.

 

“Acho que o mais especial para mim foi o Brasileiro Escolar, por já ter conseguido um pódio, além de ter sido a primeira menina da minha cidade, Amambai, a sair para participar desses campeonatos. Com o apoio dos meus pais, consegui muitas coisas que nunca imaginei”, afirma.

 

Dentro de quadra, Vitória atuava como central quando integrava a seleção de Mato Grosso do Sul. Com o passar do tempo, passou a jogar também em outras posições. Para ela, uma das características desenvolvidas durante os anos de treinamento foi a concentração.

 

“Eu jogava de central na seleção de Mato Grosso do Sul. Agora consigo participar de outras posições também. Uma característica muito forte é a concentração. Quando estou em quadra, me concentro tanto no que preciso fazer que não consigo ouvir a torcida nem nada além do time e do técnico. Carrego essa disciplina comigo até hoje”, relata.

 

Vitória também atribui parte da trajetória ao suporte recebido da família e dos profissionais que acompanharam seu desenvolvimento. Ela cita os pais como parte do processo que permitiu conciliar viagens, competições e treinamentos e destaca os técnicos Samir e João Vitor na evolução dentro da modalidade.

 

“Com certeza, minha família e meus pais foram muito importantes. Com quem eu evoluí mesmo como atleta foi com os meus técnicos Samir e João Vitor, que me descobriram nesse esporte e me deram oportunidades que ficaram marcadas na minha trajetória”, diz.

 

Ao avaliar o cenário do voleibol em Mato Grosso do Sul, Vitória percebe mudanças relacionadas ao espaço destinado à modalidade e à presença de apoio financeiro para atletas e equipes.

 

“Acho interessante como o cenário vem sendo cada dia mais valorizado e mais patrocinado. Isso é muito bom para o esporte”, avalia.

 

A trajetória também teve dificuldades. Por morar em uma cidade do interior e ter recebido oportunidades para competir fora de Amambai, Vitória afirma que enfrentou comentários e questionamentos sobre as oportunidades conquistadas. Segundo ela, a situação teve impacto pessoal durante aquele período.

 

“Eu já enfrentei dificuldades muito pesadas, como fofocas e estranhamentos por eu ter sido a primeira menina da minha cidade a ter essas oportunidades. Cidade pequena acaba questionando o caráter das pessoas sem saber o quanto é importante receber reconhecimento pela dedicação. Isso me abalou, mas me deixou ainda mais disposta”, conta.

 

Com a proximidade dos 18 anos e sem ter realizado uma mudança definitiva para Campo Grande, Vitória encerrou o período de participação nas competições de base. A rotina dedicada diariamente aos treinamentos também começou a mudar com uma nova etapa da vida.

 

Atualmente, Vitória cursa Biomedicina e continua entrando em quadra nas competições da faculdade. A busca por uma carreira no voleibol deixou de ser seu objetivo principal, mas a modalidade continua presente como hobby e espaço de convivência.

 

“Hoje em dia, o meu objetivo com o vôlei é distração. Faço Biomedicina e amo participar desse esporte quando consigo. Ficou como um hobby, mas é uma das coisas que mais gosto de fazer. Quando preciso espairecer a cabeça, é ali que me encontro”, afirma.

 

Para Vitória, as experiências acumuladas desde os primeiros treinos depois das aulas permanecem ligadas não apenas aos resultados alcançados, como o terceiro lugar no Brasileiro Escolar, o título estadual, a quarta colocação em Saquarema e o segundo lugar nos JAMS, mas também às relações construídas durante os anos em que esteve envolvida com competições.

 

“Tenho um carinho enorme no meu coração. Levo desse esporte, além dos ensinamentos para a vida e para ser uma pessoa melhor, as oportunidades que foram proporcionadas a mim tão jovem, além das amizades”, conclui.

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