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Quando o improviso vira plano: um jovem de Jardim e o caminho pelo vôlei

O voleibol não surgiu como um projeto de vida para Diogo Fernando Cardoso.
da redação - 5 de fev de 2026 às 15:52 113 Views 0 Comentários
Quando o improviso vira plano: um jovem de Jardim e o caminho pelo vôlei Da Redação

O voleibol não surgiu como um projeto de vida para Diogo Fernando Cardoso. Pelo contrário. A modalidade entrou em sua rotina de forma inesperada, a partir de um convite simples feito por um colega de sala. “Perguntou para eu entrar no time de vôlei da escola só para poder completar o time, porque a escola iria participar do JEMS”, relembra o atleta, nascido em 27 de junho de 2008, em Jardim, no interior de Mato Grosso do Sul. À época, a motivação era apenas participar. “Como eu gostava bastante de praticar qualquer esporte que eu via, fui lá e participei.”

O ano era 2022 e o vôlei ainda não ocupava um espaço central na sua vida esportiva. Em 2023, Diogo dividia o tempo entre o voleibol e o futsal, modalidade que considerava prioritária. “Eu não era muito aprofundado no vôlei, praticava futsal, então o vôlei era mais um passatempo”, afirma. A mudança de rota aconteceu no meio daquele ano, quando uma lesão o afastou das quadras de futsal por um período prolongado. O retorno aos esportes veio acompanhado de uma decisão importante. “Quando pude voltar a praticar, comecei a focar mais no voleibol, deixando de lado o futsal.”

Foi a partir de 2024 que a relação com o vôlei ganhou outro significado. Os dois últimos anos marcaram uma fase de dedicação intensa, conciliando estudos e treinos frequentes. “Foram os dois anos que eu mais me dediquei no esporte, com a rotina puxada com os estudos e os treinos. Foi o tempo que percebi o que o vôlei poderia me possibilitar, de ir longe na carreira de atleta.” A prática deixou de ser ocasional e passou a exigir escolhas mais conscientes.

Entre os primeiros desafios, Diogo aponta as decisões relacionadas ao futuro acadêmico e esportivo. “As decisões entre o estudo e a carreira de atleta, como fazer uma faculdade como todos os outros ou focar em um sonho incerto”, relata. Ao olhar para trás, avalia o caminho percorrido sem arrependimentos. “Não me arrependo de nenhuma decisão que fiz. Para mim, fiz tudo certo.”

A mudança de prioridade ficou evidente na rotina. “Notei que eu estava treinando demais, treinava cinco vezes por semana e, nos finais de semana, jogava com os amigos.” Foi nesse momento que percebeu que o vôlei havia deixado de ser apenas mais um esporte. “Percebi que o vôlei estava virando uma prioridade na minha vida.” O esforço diário trouxe também consequências físicas. “O que mais mudou na rotina foram os cansaços diários, mas mesmo com esse desafio, eu queria mais, queria aperfeiçoar ainda mais.”

Dentro de quadra, Diogo identifica com clareza suas principais características técnicas. “As que considero mais fortes são os levantamentos, a defesa e o bloqueio”, além do que define como “uma exceção de liderança na quadra”. Ao mesmo tempo, reconhece aspectos que ainda exigem evolução. “Busco melhorar o psicológico dentro de quadra. Sabemos que o atleta precisa ter um psicológico forte. Todos temos aquele friozinho na barriga antes de jogar ou até mesmo durante o jogo.”

As primeiras experiências fora de Jardim também deixaram marcas. Ao disputar o primeiro campeonato fora da cidade, as emoções se misturaram. “Fiquei muito nervoso. Acho que todos ficam”, conta. A sensação, segundo ele, foi inédita. “Foi uma sensação totalmente diferente de todas que eu tinha sentido na vida, uma mistura de medo e alegria, também por conhecer novas pessoas.” Mais do que a competição, o peso simbólico da representação chamou sua atenção. “A responsabilidade de honrar o nome da sua cidade ou da sua escola é grande. Você só pensa na vitória. Ganhar algo representando sua cidade ou escola é algo realmente importante. O peso de representar uma camisa é enorme.”

Ao longo do processo de formação, Diogo destaca a importância das pessoas que estiveram ao seu lado. “Tive várias pessoas que me apoiaram, como amigos, professores, técnicos e familiares.” Entre esses, os treinadores tiveram papel central. “Acredito que os que mais me apoiaram foram os técnicos. Não tive um só, mas dois técnicos durante o processo. Foram eles que me ensinaram tudo o que sei hoje. Sou muito grato aos dois por tudo o que me ensinaram.”

Conciliar as diferentes áreas da vida segue sendo um exercício constante. “Consigo administrar estudos, treinos e lazer, dando tempo para cada um, sabendo qual é mais importante”, explica. O objetivo é manter o equilíbrio. “Sempre quero evitar que a rotina fique sobrecarregada.”

Ao analisar o cenário esportivo do estado, Diogo reconhece avanços, mas também aponta limitações. “Sabemos que o MS tem uma base ótima para os esportes, mas ainda faltam coisas para os jovens talentos terem reconhecimento.” Para ele, a ampliação de oportunidades passa por estrutura. “Mais clubes, mais campeonatos, para que os atletas possam se destacar e ter um futuro brilhante no esporte, levando o nosso estado nas costas.”

O olhar para o futuro vai além das quadras. Diogo planeja seguir ligado ao esporte também fora da condição de atleta. “Quero focar em fazer uma faculdade de Educação Física, para começar a dar treinos e repassar todo o conhecimento que tive durante minha carreira.” O desejo de ensinar não é recente. “É um sonho que tenho desde sempre, poder ensinar outros atletas da minha idade, repassando tudo o que aprendi durante a minha formação.”

Ao final, a mensagem que deixa para quem está começando ou já vive a rotina esportiva é direta. “Independente do que estejam passando, apesar das dificuldades dentro ou fora de quadra, tudo isso faz parte do processo.” Para Diogo, as dificuldades não são obstáculos definitivos. “Levem tudo como aprendizado e não desistam tão fácil.”

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