Da Redação
“Treine todos os dias, mesmo quando for difícil, acredite no seu sonho e nunca desista porque cada esforço hoje é o que vai te levar a brilhar dentro da quadra amanhã.” A frase resume a forma como Maria Luiza De Lima Heck, nascida em 28 de junho de 2010, em Campo Grande, constrói sua relação com o voleibol.
O contato com o esporte começou de forma simples, dentro da escola. “Em 2022 comecei treinando algumas vezes na minha escola. No final do ano fui assistir um treino da minha prima, que já jogava pela escolinha do Leomar. Então o Leomar me deu uma bolsa para treinar lá”, relata. A oportunidade abriu caminho para uma sequência de etapas que ampliaram sua experiência dentro da modalidade.
Ao longo de 2023, Maria Luiza manteve uma rotina constante de treinos. “Treinei 2023 o ano inteiro e, no final do ano, fui fazer uma seletiva no time do Sesi e passei. Então, em 2024, ganhei uma bolsa para estudar na escola e jogar pelo time. Em 2024 jogava sub-15 e sub-17 do Sesi”, conta. A entrada em uma estrutura mais organizada marcou uma mudança de perspectiva.
Foi nesse momento que o esporte deixou de ser apenas uma atividade e passou a ser visto como possibilidade de futuro. “Percebi que poderia levar o voleibol para o meu futuro quando ganhei uma bolsa de estudos em uma escola particular, no caso o Sesi, e me vi melhorando no esporte”, afirma.
O processo de evolução, no entanto, não acontece sem obstáculos. A atleta aponta que a parte emocional é um dos principais desafios. “Os maiores desafios são quando você joga uma competição que acha que vai ganhar e acaba perdendo por erro bobo. Aí você começa a se cobrar em dobro, achar que nunca está boa suficiente para o esporte que pratica. Com isso vêm pensamentos de desistir ou de achar que nunca vai melhorar”, diz.
Para lidar com esse cenário, a rotina de treinos se torna um elemento central. “Minhas rotinas de treinos são três treinos na quadra durante a semana, nas segundas, quintas e sábados. Faço academia três vezes na semana também, personal uma vez na segunda e, em alguns domingos, faço treino específico”, explica. A organização das atividades é acompanhada por uma preocupação com o próprio desenvolvimento. “O que considero essencial é sempre focar no seu corpo e na sua saúde, sempre treinar aquilo que você acha que pode melhorar, seu posicionamento dentro e fora de quadra.”
Ao longo do tempo, também houve mudanças dentro da própria quadra. Maria Luiza iniciou em uma posição e, posteriormente, encontrou outra função no jogo. “Antes eu me inspirava muito nas líberos da seleção ou de times grandes. Tentava treinar o máximo para melhorar e jogar um pouquinho do que elas jogavam. Mas, em 2025, me apaixonei pela posição de levantadora. Achava incrível como elas jogavam”, relata.
A identificação com a nova posição veio acompanhada de referências. “Hoje admiro muito a Dani Lins, pela forma como ela joga em quadra e pela pessoa que ela é também”, afirma. A mudança de função também trouxe um dos momentos que ela considera mais marcantes até agora. “Foi quando eu joguei um ano de líbero e, depois que mudei de time, troquei de posição. Meu primeiro campeonato foi em Maracaju e ganhei de melhor da partida”, lembra.
Antes das partidas, a preparação envolve estratégias para controlar a ansiedade. “Normalmente eu fico um tempo sozinha antes do jogo, respirando ou ouvindo uma música. Aí, antes do jogo na quadra, começo a conversar com as meninas do time para tirar toda a pressão”, explica. A orientação que ela mesma segue também é compartilhada com outros atletas. “Aconselho muito que a pessoa tire um tempo para ela antes do jogo ou não pense ‘ah, mas é um jogo difícil’, e jogue o que sabe, sem pressão e com medo de perder.”
Mais do que resultados, o voleibol ocupa um espaço importante no cotidiano da atleta. “Se tornou algo que eu gosto muito de fazer e, quando estou mal ou algo do tipo, jogar ou até mesmo treinar o voleibol se torna um tipo de refúgio para todos os problemas”, diz.
Com os compromissos ao longo da temporada, o foco está no desenvolvimento contínuo. “Acho que o meu principal foco e objetivo este ano é terminar os campeonatos que tenho para jogar e treinar o máximo que posso para melhorar cada dia mais naquilo que gosto de fazer”, afirma.
Entre treinos, competições e mudanças dentro da quadra, Maria Luiza segue estruturando sua trajetória com base na constância. A frase que ela escolhe como mensagem final sintetiza esse caminho: “Treine todos os dias, mesmo quando for difícil”.