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Prevenção, disciplina e experiência: a visão de Cariny Gaspar sobre o esporte

da redação - 16 de jan de 2026 às 14:12 50 Views 0 Comentários
Prevenção, disciplina e experiência: a visão de Cariny Gaspar sobre o esporte Da Redação

A médica Cariny Oliveira Moraes Gaspar, nascida em 7 de junho de 1989 em Dourados (MS), encontrou na combinação entre medicina e esporte o caminho para atuar muito antes do surgimento das doenças. Durante a graduação, ela se deparou com histórias que a marcaram e a fizeram refletir sobre o papel da prevenção. “As paredes dos hospitais escondem histórias ímpares, que nos ensinam diariamente. Foi assim que me deparei com a vontade de fazer a diferença antes mesmo do problema aparecer”, afirma.

 

Cariny relata ter percebido cedo que muitos desfechos poderiam ser evitados com mudanças simples ao longo da vida. Essa percepção moldou sua visão sobre a prática médica. “Os leitos das enfermarias e das UTIs muitas vezes são o fim da linha. Mas para que esperar chegar a esse ponto?” A partir dessa inquietação, a futura médica voltou seu interesse para a Medicina do Esporte, área que considera essencial na promoção de saúde, performance e bem-estar. Mais tarde, entendeu que a Nutrologia seria uma aliada importante no atendimento aos atletas. Em sua visão, “a medicina do esporte e a nutrição se complementam e juntas podem oferecer praticamente tudo que um atleta precisa para performar”.

 

O envolvimento pessoal com a corrida de longa distância se tornou parte fundamental da sua prática profissional. A teoria do “skin in the game”, que ela cita como referência, traduz essa relação direta entre vivência e atuação. “O fato de ser maratonista e apaixonada por endurance facilita muito o meu vínculo com os pacientes atletas”, explica. Para Cariny, entender o processo de preparação, fadiga e evolução do atleta cria uma comunicação mais empática. “Essa troca não tem preço e você dificilmente consegue aprender determinadas situações só na teoria.”

 

Ao longo da trajetória como corredora, ela acumulou lições importantes — algumas delas dolorosas. Cariny relembra que, em uma maratona, ignorou sinais claros de lesão. A experiência resultou em uma fratura por estresse. “Paguei um preço muito alto por não ter respeitado meu corpo. Foi algo que eu precisava vivenciar para aprender”, reflete. O episódio a fez reforçar sua convicção de que o processo de preparação exige disciplina, paciência e respeito ao próprio corpo. Para ela, a maratona simboliza justamente a construção lenta do atleta. “A maratona é um grande exemplo de que a disciplina supera o talento. Basta treinar e se dedicar.”

 

Com o tempo, Cariny observou padrões recorrentes entre atletas amadores, especialmente na preparação para provas longas. Uma das falhas frequentes é a desconsideração da periodização. Ela defende o modelo 80/20, que prioriza treinos em baixa intensidade. “A grande maioria acha que, para correr bem, precisa correr forte todos os dias. Esse é o caminho que leva direto às lesões e frustrações”, aponta.

 

A nutricionista destaca que alimentação adequada é parte essencial do desempenho. Para ela, o corpo de um atleta precisa de “combustível de alta octanagem”, especialmente carboidratos. Ela reforça que proteínas, fibras e gorduras boas devem ser ajustadas às demandas de cada rotina. “Todos são indispensáveis.”

 

O avanço da Medicina do Esporte também tem ampliado a segurança dos praticantes. A avaliação pré-participação, segundo Cariny, é uma ferramenta que deveria ser rotina entre atletas recreativos e profissionais. “É possível rastrear doenças cardiovasculares, respiratórias, do aparelho locomotor e alterações metabólicas, oferecendo segurança na hora de levar o corpo ao limite.” Ela pondera que, embora a expressão “prevenir lesões” já tenha sido criticada no meio esportivo, o uso adequado de ferramentas disponíveis reduz, sim, as chances de afastamento prolongado.

 

Sobre o desempenho em maratonas, Cariny reforça o peso do fator emocional. “O bom desempenho e a performance estão intrinsecamente ligados às emoções”, afirma. Ela explica que a capacidade de tolerar desconforto é o diferencial de atletas de elite e depende, sobretudo, da resiliência mental.

 

A médica também deixa um conselho direto aos corredores que iniciam no esporte ou buscam evoluir com segurança. “Não tenha pressa. Respeite o processo, pois é com o tempo que se lapida um corredor.” Para ela, articulações, sistema cardiovascular, musculatura e até a maturidade emocional precisam de tempo para acompanhar a evolução do corpo.

 

Os próximos anos devem ser de novos desafios. Em 2026, Cariny pretende ampliar sua atuação no triatlo e disputar uma maratona no segundo semestre, etapa importante no sonho de conquistar a mandala das Majors. “Ainda não defini qual será a maratona alvo de 2026”, comenta. O objetivo é completar uma major por ano até 2030.

 

No campo profissional, ela segue determinada. “Espero poder seguir fazendo o que mais amo: cuidar da saúde das pessoas e ajudá-las a conquistar seus objetivos e alcançar sua melhor versão.”

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