Da Redação
Nascido em Campo Grande (MS), em 21 de maio de 2002, Rafael Santana constrói sua trajetória no futebol atuando diretamente na formação e no rendimento de atletas. Graduado em Educação Física pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), ele trabalha como professor da base do Comercial-MS e da Arena 67, além de integrar a comissão técnica do elenco profissional como auxiliar de preparação física. Em diferentes frentes, o profissional participa do desenvolvimento físico e humano de jogadores em distintas fases da carreira.
Ao falar sobre a formação acadêmica, Rafael aponta que a universidade teve papel central na construção da sua metodologia de trabalho. “Por ser uma universidade referência no estado, com professores excepcionais e ensino de alta qualidade, consegui extrair o máximo de conhecimento, seja na teoria ou na prática. Foi essencial para os meus planejamentos de treino e aplicação da minha didática”, afirma. Segundo ele, a experiência acadêmica contribuiu para que hoje consiga adaptar atividades conforme a idade e a categoria. “Consigo com muita facilidade adaptar os treinos para a categoria que vou trabalhar e extrair o máximo dos meus atletas.”
A atuação simultânea na base e no profissional exige mudanças constantes na forma de conduzir os treinamentos. Rafael explica que as diferenças corporais e a intensidade das competições determinam as estratégias aplicadas. “No profissional o ritmo é muito acelerado, a cobrança é alta e com muita rigidez. Já nos atletas da base adapto os trabalhos e diminuo a rigidez, pois o corpo responde diferente”, relata. Ele acrescenta que a força e a resistência são aspectos que mais diferenciam os níveis, além da carga de jogo e das exigências físicas durante as partidas.
Ao analisar o comportamento das novas gerações, Rafael destaca mudanças no entendimento sobre o futebol de alto rendimento. “A preguiça. Hoje os jovens acreditam que apenas o talento vence, mas estão enganados. O futebol tem mudado muito, principalmente com a evolução da tecnologia, que tem deixado o jogo mais rápido e dinâmico”, afirma. Para ele, a preparação vai além dos treinos em campo. “O corpo é uma máquina de trabalho, mas o descanso é fundamental para conseguir desfrutar de um alto rendimento. Assim como a alimentação também é uma grande aliada.”
A rotina profissional envolve momentos distintos ao longo do dia. “É prazeroso e desafiador. Uma parte do dia você está a 100 km/h, gritando, cobrando e planejando a semana no profissional. Depois é desacelerar e trabalhar com a garotada, levando muitas vezes os treinos do profissional de maneira adaptada para executar com eles”, conta. Ele destaca que o trabalho em equipe com a comissão técnica facilita a execução das atividades e o acompanhamento dos atletas.
Na Arena 67, o foco está na formação inicial. “Trabalhamos com a escolinha voltada para ensinar os princípios básicos do futebol, sendo técnico, tático e físico. Nosso planejamento é formar atletas para que eles possam seguir uma carreira no esporte”, explica. Os grupos são divididos por idade, priorizando o desenvolvimento coletivo e o aprendizado progressivo dos fundamentos.
Entre os momentos marcantes da carreira, Rafael cita uma pré-temporada realizada com o elenco profissional. “Foram dias de muito trabalho e cobrança. Foi necessário um planejamento em conjunto com a comissão técnica para implementar treinamentos de força e resistência sem comprometer a integridade física. Não tivemos atletas com lesões musculares durante a competição”, relata.
Ele também observa avanços na preparação física no estado. “Graças ao avanço da tecnologia e à qualificação dos profissionais, estamos no caminho certo. Ainda estamos atrasados em comparação a outros estados, mas com investimento dos clubes em equipamentos e estrutura, logo mais chegaremos ao nível de elite”, avalia.
Além do rendimento esportivo, Rafael afirma que busca orientar os atletas para além das quatro linhas. “Busco ensinar o respeito dentro e fora de campo e cobro bastante o desempenho nos estudos. Sabemos que é muito difícil se tornar jogador de futebol e que uma hora vai chegar o momento de sair das quatro linhas”, diz. Segundo ele, a formação educacional contribui para o futuro dos jovens quando a carreira esportiva chega ao fim.
Entre os objetivos pessoais e profissionais, o preparador físico destaca a formação humana e a busca por crescimento coletivo no futebol sul-mato-grossense. “Meu objetivo é formar grandes seres humanos, disputar mais títulos, participar de competições nacionais e internacionais e contribuir com o desenvolvimento do futebol no nosso estado”, afirma.