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Osvaldo Sato e os 21 anos do Esporte Ágil: dar voz ao esporte sul-mato-grossense

da redação - 20 de ago de 2025 às 15:51 145 Views 0 Comentários
Osvaldo Sato e os 21 anos do Esporte Ágil: dar voz ao esporte sul-mato-grossense Da Redação

Em 2005, Osvaldo Sato começou sua trajetória no Esporte Ágil como estagiário, ainda estudante de jornalismo. Dois anos depois, já formado, foi efetivado e seguiu no veículo até 2008, ano em que assumiu um cargo público no estado de Mato Grosso. Mesmo distante fisicamente, sua ligação com o esporte e com a cobertura regional permanece viva: ele ainda atua em redações e mantém o compromisso de dar visibilidade às histórias esportivas de Mato Grosso do Sul.

 

“Em 2005, comecei minha trajetória na empresa como estagiário, atuando por dois anos. No início de 2007, logo após minha formatura, fui efetivado e continuei na empresa até meados de 2008. Saí para assumir um cargo público no estado de Mato Grosso, função que mantenho até hoje, mas agora morando em Campo Grande”, recorda Sato.

 

Entre as coberturas mais marcantes da carreira, destaca-se um amistoso do seu time do coração, o Corinthians, contra o Cene, no Estádio Morenão. “Foi em 2008, e na época eu era jovem e aquilo era a realização de um sonho. Fiquei tão nervoso que tenho certeza de que não fiz um bom trabalho, mas a oportunidade de entrevistar jogadores que só via pela televisão foi inesquecível. Sem dúvida, foi um dia que marcou a minha vida.”

 

O que motivava Sato a seguir, mesmo diante das dificuldades de valorizar o esporte local, era a paixão genuína pelo movimento esportivo. “Muita gente no jornalismo esportivo fala que todo jornalista é um atleta frustrado. Eu discordo. Para mim, ele é um atleta de alma. É alguém que ama o esporte, mesmo que o corpo não acompanhe a vontade. É exatamente o meu caso. Desde criança, o esporte faz parte da minha vida. Participei de competições escolares em diversas modalidades: futsal, basquete, vôlei, atletismo, xadrez e tênis de mesa… Hoje, aos 41 anos, pratico badminton e continuo experimentando novos esportes, porque a vida é curta para aproveitar todos.”

 

Essa paixão também o fez viver momentos éticos e humanos marcantes durante a cobertura jornalística. Ele lembra de um acidente na Fórmula Truck, em agosto de 2008, que colocou sua ética profissional à prova: “No início da prova, um acidente na reta de largada causou o maior engavetamento da história das pistas brasileiras. Meu instinto como jornalista me dizia para fotografar, coletar informações e escrever sobre a matéria. No entanto, vi uma corrente humana se formando para levar baldes e garrafas de água até os caminhões em chamas e decidi que a coisa certa a fazer era ajudar. Mais tarde, a matéria que escrevi ficou bem ruim, mas até hoje eu sinto que a decisão que tomei naquele dia foi a correta.”

 

O jornalista também lembra das histórias mais leves e curiosas que marcaram sua passagem pelo Esporte Ágil, como a cobertura de um evento de MMA local: “Era a primeira vez que eu cobria um evento de MMA e queria fazer um bom trabalho. Assisti a todas as lutas com atenção e escrevi o meu relato, me baseando na minha vasta experiência de faixa azul de judô e nas maratonas de vídeos do UFC que alugava na locadora nos anos 90… Na segunda-feira, o professor do atleta apareceu na redação do Esporte Ágil. Ele queria me ‘explicar’ que o seu lutador não foi dominado e que estava fazendo a tal ‘guarda ativa’. No fim das contas, o professor, que tinha uma expressão fechada, se mostrou um cara gente boa e todos riram bastante da situação.”

 

Para Sato, o maior legado do Esporte Ágil é dar voz ao esporte amador e às histórias que muitas vezes não aparecem na grande mídia. “Cobrir o esporte amador em um estado que historicamente pouco o valoriza sempre foi uma tarefa árdua, mas o trabalho realizado deu voz a pessoas que, não raro, lutam a vida inteira por uma conquista, mas que raramente são reconhecidas… A contribuição do projeto é exatamente essa: mostrar esses atletas em seu momento de ápice, vivendo nas pistas, nas quadras e nos campos a paixão que os move. É um trabalho de imenso valor, que ajudou a contar muitas histórias que, de outra forma, poderiam ter sido esquecidas.”

 

O jornalista acredita que a imprensa local evoluiu nos últimos 20 anos, mas ainda há muito espaço para crescimento: “Graças ao surgimento de novos sites e à ascensão das redes sociais, mais entusiastas têm entrado no jornalismo esportivo. Mas o esporte e suas organizações — federações, equipes e clubes — precisam ser liderados por pessoas genuinamente apaixonadas, não por aqueles que buscam apenas uma fonte de renda. Esse é um desafio que se estende para além do âmbito local, sendo um problema nacional.”

 

Entre os atletas, treinadores e dirigentes que mais o impressionaram, Sato faz questão de reconhecer a dedicação diária de todos os amadores e cita nomes como Waldir Nogueira de Jesus e Alessandro Nascimento, além do professor João Rocha: “A oportunidade de entrevistá-lo para um perfil me fez admirá-lo, pela franqueza da conversa e seu comprometimento com o esporte.”

 

Refletindo sobre sua passagem pelo Esporte Ágil, Sato enfatiza o impacto pessoal e profissional que teve: “O Esporte Ágil não é apenas parte da minha carreira, ele é uma das bases da minha formação como jornalista. Toda vez que acompanho meus filhos em um ginásio ou assisto a um jogo, sou transportado de volta no tempo… Ter feito parte dos 21 anos de história do Esporte Ágil é motivo de orgulho. Sinto que contribuí para colocar o jornal e o jornalismo esportivo de Mato Grosso do Sul na vanguarda do meio online.”

 

E, ao se dirigir à nova geração de jornalistas esportivos, deixa um conselho que resume sua filosofia: “O esporte é um reflexo da vida. Ele é feito de vitórias, derrotas, resiliência e, acima de tudo, de gente. Para quem continua nessa missão, meu recado é simples: sejam curiosos, éticos e apaixonados. Fotografe, escreva e relate, mas nunca se esqueçam de que, por trás de cada jogo, há uma pessoa com uma história única. O esporte local precisa de vocês para que essas histórias não sejam esquecidas. Mantenham a integridade e continuem sendo a voz do esporte em nosso estado.”

 

Nossa história - Ao longo desses 21 anos, o Esporte Ágil não foi apenas um veículo de notícias: foi escola, trincheira, ponto de partida e, muitas vezes, abrigo para quem acreditava que o esporte sul-mato-grossense merecia mais do que notas de rodapé. Cada jornalista que passou por aqui deixou sua marca, ajudando a construir uma história feita de compromisso com o que é nosso.



Esta série de reportagens é uma homenagem a todos que escreveram nas madrugadas e acreditaram que cada atleta, técnico ou projeto local tinha uma história que merecia ser contada.

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