Quarta-feira, 15 de abril de 2026, 23:55

“O vôlei não é só carreira, é uma paixão que quero continuar vivendo”

da redação - 15 de abr de 2026 às 14:44 44 Views 0 Comentários
“O vôlei não é só carreira, é uma paixão que quero continuar vivendo” Da Redação

“O vôlei não é algo que eu vejo apenas como carreira profissional, mas sim como uma paixão que quero continuar vivendo.” É a partir dessa definição que o atleta Marcos Antonio Andrade Alberto, nascido em 28 de julho de 2001, resume sua relação com o voleibol e projeta os próximos passos dentro do esporte.

 

Natural de Mato Grosso do Sul, Marcos construiu sua trajetória de forma tardia em comparação a outros atletas. O primeiro contato com a modalidade veio ainda na infância, em ambiente escolar, mas a prática estruturada só começou anos depois. “Sempre fui apaixonado pelo voleibol desde criança. Sempre que tinha oportunidade, estava jogando na escola, principalmente nas aulas de Educação Física. Porém, acabei começando a treinar de forma mais séria um pouco tarde, principalmente pela falta de estrutura e treinamento na cidade onde eu morava”, relata.

 

A mudança para Coxim, aos 17 anos, marcou o início de uma nova fase. Foi nesse período que ele passou a treinar de forma regular, sob orientação do professor José Roberto, conhecido como Tico. “Foi apenas quando me mudei para Coxim-MS que comecei a treinar de verdade. Como todo atleta, eu tinha o sonho de me tornar um grande profissional no esporte, mas, por ter começado mais tarde, esse objetivo acabou ficando um pouco mais distante”, afirma.

 

Ao longo da trajetória, Marcos enfrentou uma série de obstáculos físicos que impactaram sua continuidade nas quadras. As lesões se tornaram um dos principais desafios. “O principal desafio, sem dúvida, foram e ainda são as minhas lesões. Tive cinco torções no tornozelo, além de problemas no ombro direito, com inflamações nos tendões. Também enfrento a questão do menisco rompido em ambos os joelhos”, explica. Segundo ele, a necessidade de adaptação constante passou a fazer parte da rotina. “São dificuldades que exigem muito cuidado, disciplina e adaptação constante para continuar praticando o esporte.”

 

Mesmo com as limitações, o atleta destaca que sua evolução não se resume ao desempenho técnico. Para ele, o crescimento mais significativo ocorreu no aspecto pessoal. “Acredito que meu maior crescimento aconteceu tanto dentro quanto fora de quadra, no amadurecimento, na forma de pensar o jogo e também na minha postura como atleta.”

 

Atualmente, Marcos mantém uma rotina de treinos reduzida, conciliando a prática esportiva com outras atividades. Ele treina duas vezes por semana pelo Vôlei Coxim, ainda sob o comando de Tico. “Grande parte da minha evolução eu devo a ele, pois sempre me incentivou a continuar e buscar melhorar cada vez mais”, afirma. O atleta também destaca o papel das relações construídas no esporte. “Meu amigo Rafael Silva, que o vôlei me proporcionou, também me incentiva sempre dentro e fora de quadra.”

 

Dentro das quatro linhas, o foco segue no aprimoramento técnico. “Estou sempre em busca de aperfeiçoar meus fundamentos, principalmente o ataque e o bloqueio, que são pontos que venho trabalhando com mais foco”, diz.

 

Ao analisar o cenário estadual, Marcos aponta a falta de oportunidades como um dos principais entraves para o desenvolvimento do voleibol em Mato Grosso do Sul. “Ainda faltam muitas oportunidades tanto para atletas de base quanto para o adulto. O voleibol sul-mato-grossense possui atletas com nível nacional, mas que infelizmente não recebem a visibilidade que merecem”, avalia. Ele também chama atenção para a saída de atletas do estado. “Hoje, muitos acabam precisando ir para outros estados para conseguir jogar profissionalmente, justamente pela falta de estrutura e oportunidades locais.”

 

Entre as referências na modalidade, Marcos cita nomes do voleibol brasileiro feminino. “Minhas principais referências são Thaísa Daher e Jaqueline Carvalho. Comecei a acompanhar a trajetória delas desde a época em que jogavam pelo Osasco e foi justamente por causa delas que me tornei torcedor do clube.”

 

Um dos momentos mais marcantes de sua trajetória aconteceu durante uma competição pelo Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS). “Foi na semifinal de uma competição muito importante. Infelizmente acabamos sendo derrotados, mas era um jogo decisivo, pois, se tivéssemos vencido, iríamos representar nosso estado em nível nacional”, relembra. Apesar do resultado, ele considera a experiência relevante para sua formação. “Foi uma experiência intensa, que me marcou muito e contribuiu para o meu crescimento dentro do esporte.”

 

Em quadra, Marcos destaca a importância do coletivo, especialmente em momentos de pressão. “Procuro ajudar minha equipe da melhor forma possível, principalmente através do diálogo. Sempre busco conversar com meus colegas e orientar caminhos que possam ajudá-los nos momentos mais difíceis”, afirma.

 

Fora das quadras, o impacto do esporte também influenciou suas escolhas pessoais. “Passei a me cuidar mais, tanto na prevenção quanto na recuperação, justamente para evitar novos problemas e conseguir manter uma boa qualidade na prática esportiva”, explica.

 

Com a graduação em Matemática em fase final, Marcos já projeta um novo caminho dentro do voleibol. A ideia é seguir na modalidade, mas fora das quadras. “Tenho planos de iniciar Educação Física, com o objetivo de me tornar técnico de uma equipe feminina de vôlei”, revela. A decisão foi influenciada por experiências recentes. “Já tive a oportunidade de acompanhar o time do Vôlei Coxim, onde conquistamos o bicampeonato da Livim, e foi justamente nessa experiência que percebi que é isso que quero seguir.”

 

Entre limitações físicas, adaptação e permanência no esporte, Marcos Andrade mantém a ligação com o voleibol, agora com novos objetivos e outra perspectiva de atuação. “É isso que eu quero: continuar contribuindo com o esporte que eu amo.”

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