Sexta-feira, 16 de outubro de 2026, 01:58

"O vôlei me ensinou a ser forte": Julia Jara relembra trajetória nas quadras

da Redação - 28 de set de 2026 às 15:40 128 Views 0 Comentários
"O vôlei me ensinou a ser forte": Julia Jara relembra trajetória nas quadras Da Redação

A trajetória de Julia Alfonso Jara no voleibol começou em 2021, quando ela tinha 12 anos e assistiu a um desenho sobre a modalidade. O que começou com o interesse despertado pela televisão logo ganhou espaço na vida da jovem de Dourados-MS, que encontrou no esporte uma atividade que permaneceria presente em sua rotina pelos quatro anos seguintes.

 

"Era 2021, eu tinha 12 anos, e eu assisti a um desenho sobre vôlei e me interessei muito pelo vôlei. Me apaixonei", conta Julia.

 

Naquele mesmo período, uma turma de vôlei feminino foi aberta em sua escola, e ela decidiu participar. Segundo a jovem, mesmo no início já tinha algum conhecimento sobre as técnicas da modalidade, o que ajudou em sua adaptação.

 

"Quando comecei a jogar, já tinha um conhecimento das técnicas e de como jogar, então me destaquei um pouco", relata.

 

A experiência fez com que Julia procurasse novas oportunidades para continuar praticando. Foi quando descobriu a existência de uma escolinha voltada exclusivamente ao voleibol em Dourados. A partir daí, passou a insistir com a mãe para que pudesse fazer parte do projeto.

 

"Daí eu descobri que tinha uma escolinha somente de vôlei em Dourados e fiquei no pé da minha mãe até ela me pôr", lembra, em tom descontraído.

 

A entrada na Skill Sports ampliou o contato de Julia com treinamentos e competições. Ela conta que, pouco tempo depois de começar a treinar, recebeu o convite para participar de uma competição.

 

"Quando eu entrei na Skill, eu já tinha um conhecimento do vôlei e tinha uma técnica mais apurada. Então, com um mês de treino, eu já fui convidada a ir em uma Copa da Amizade", afirma.

 

A partir das competições, a jovem passou a conviver com uma rotina de preparação e com a busca por evolução dentro da modalidade. De acordo com Julia, o ambiente competitivo também fazia com que as atletas procurassem melhorar constantemente.

 

"Desde então, a gente já é colocada em um cenário de competições, então a gente sempre procura melhorar e subir no ranking das melhores jogadoras, procura estar no meio dos melhores times do Estado e nossos treinadores sempre nos incentivando a melhorar", explica.

 

Um dos momentos que Julia guarda da trajetória aconteceu em 2023, quando disputou pela primeira vez o FVMS. Na época, ela integrava a equipe Sub-15 da Skill Sports.

 

Embora a equipe não tenha terminado a competição no pódio, a campanha teve um resultado que marcou a atleta. Nas quartas de final, o time venceu uma equipe de Campo Grande.

 

"Em 2023 eu fui para meu primeiro FVMS e, apesar de a gente não ter ficado no pódio, a gente, Sub-15 da Skill Sports na época, ganhou do time de Campo Grande nas quartas de final", recorda.

 

Para Julia, aquele resultado teve significado para a equipe e para o projeto do qual fazia parte.

 

"Foi um momento realizador para nós e para toda a equipe da Skill", afirma.

 

Depois da competição, veio outra oportunidade importante em sua trajetória: o convite para participar da seletiva do Campeonato Brasileiro de Seleções, o CBS, na categoria Sub-16.

 

"Após o campeonato, fui convidada para a seletiva do CBS Sub-16. Me lembro de como me senti na época e foi muito incrível para mim. Foi um passo grande na minha trajetória do vôlei", conta.

 

Em 2024, Julia passou por um dos períodos mais difíceis de sua trajetória esportiva. Durante um treinamento, sofreu uma lesão no joelho, com estiramento do ligamento colateral medial. O problema a obrigou a interromper os treinos e as competições.

 

"Eu tinha muita dificuldade de socializar, e começar a jogar na Skill me fez criar muitas boas amizades que levo para a vida", relata.

 

Ao falar sobre a lesão, ela lembra que o momento também teve impacto fora das quadras. Naquele período, segundo Julia, não havia condições para buscar um tratamento completo para o joelho.

 

"Em 2024 eu sofri uma lesão no joelho, estendi o ligamento colateral medial em um treino, e foi uma fase muito difícil para mim porque eu tive que parar de jogar", conta.

 

A recuperação ocorreu de forma gradual. Julia também recebeu ajuda de pessoas que faziam parte de sua rotina no voleibol. Entre elas, cita o fisioterapeuta Caio, que participou do processo de recuperação.

 

"Nessa época não tinha muitas condições de procurar um tratamento completo para o joelho e foi muito difícil fisicamente e mentalmente para mim, mas minhas amigas do vôlei me ajudaram. Eu consegui um fisioterapeuta, o Caio, que me ajudou muito. Sou muito grata a ele", afirma.

 

A lesão também provocou uma mudança dentro da quadra. Até então, Julia atuava como ponteira. No retorno aos treinamentos, passou a exercer a função de líbero.

 

"Depois de conseguir cuidar um pouco do meu joelho, eu voltei com muita dificuldade. Era ponteira, passei a ser líbero", explica.

 

A mudança ocorreu em um momento que, segundo ela, foi especialmente difícil, já que a lesão aconteceu quando estava em uma fase importante de sua trajetória e tinha a expectativa de disputar o Jojums.

 

"Foi muito triste para mim porque, quando machucou, eu estava no meu auge e iria ao Jojums, mas não consegui ir", lembra.

 

O retorno às quadras aconteceu aos poucos, com os treinamentos adaptados à nova função. Julia destaca a participação dos treinadores e das amigas nesse processo.

 

"Voltei aos poucos, treinando como líbero, e com a ajuda dos meus treinadores e minhas amigas, eu voltei às quadras também e foi muito realizador para mim", conta.

 

Durante o período em que esteve na Skill Sports, Julia conta que a preparação para as competições envolvia mais do que os treinamentos dentro da quadra. A rotina incluía cuidados com o físico, alimentação e também atenção à saúde mental.

 

"Quando eu treinava, nossa rotina tinha que ser equilibrada. Tínhamos que cuidar do nosso físico e do mental também", afirma.

 

Segundo ela, o treinador Douglas reforçava a importância da preparação psicológica antes dos jogos.

 

"Meu treinador Douglas sempre destacava o quanto era importante cuidar da saúde mental antes das competições, e cuidar da alimentação e do físico também", relata.

 

Com a proximidade das competições, a carga de treinamento aumentava e, junto com ela, a necessidade de concentração.

 

"Perto das competições nossos treinos aumentavam e nosso foco era máximo", diz.

 

Para Julia, a evolução no esporte também depende da disposição para enfrentar as dificuldades encontradas no caminho.

 

"Eu acredito que, para evoluir dentro de quadra, tem que ter muita coragem e força de vontade. Não é fácil, não é simples, tem que ter muita garra", afirma.

 

A participação da família também esteve presente ao longo da trajetória. Julia conta que os pais apoiaram sua decisão de praticar o esporte e, sempre que possível, acompanharam as partidas disputadas fora de Dourados.

 

"Meus pais sempre me apoiaram a jogar. Quando eu ia para outras cidades, eles iam me assistir também, se possível", conta.

 

Além de acompanhar os jogos, segundo Julia, os pais também tiveram participação nos momentos de dificuldade e nas conquistas.

 

"Sempre me incentivavam a jogar e a melhorar, me confortavam quando algo não ia como esperado e também me parabenizavam quando eu jogava bem", afirma.

 

Entre os profissionais que fizeram parte de sua formação, Julia também cita os treinadores Douglas e Victor.

 

"Meus treinadores Douglas e Victor também me apoiaram muito. Sou grata eternamente por ter conhecido eles e ter feito parte do projeto deles", diz.

 

Ao falar sobre a Skill Sports, projeto que integrou durante parte de sua trajetória, ela também deixa uma mensagem de reconhecimento.

 

"Eles são incríveis, profissionais e estão sempre crescendo. Eu desejo o bom e o melhor sempre para a Skill Sports", afirma.

 

Além dos aspectos esportivos, Julia considera que a modalidade contribuiu diretamente para seu desenvolvimento pessoal. Antes de entrar no voleibol, ela afirma que tinha dificuldades para socializar. A convivência com outras atletas ajudou a mudar esse cenário.

 

"O vôlei me ensinou muitas coisas. Me ensinou a socializar, me ensinou a ser forte, a aprender a escutar, a ser independente em alguns aspectos também, a ser resiliente", relata.

 

Ela também aponta outros aprendizados que considera importantes.

 

"Me ajudou no controle mental, me ajudou fisicamente, entre outras coisas", completa.

 

Depois de quatro anos praticando a modalidade, Julia deixou de jogar em 2026. A decisão, segundo ela, não ocorreu por falta de vontade, mas porque o voleibol deixou de se encaixar em sua logística.

 

"Hoje em dia eu não jogo mais vôlei. Confesso que faz muita, muita falta mesmo. Eu passei quatro anos jogando vôlei, e ficar sem é muito difícil", afirma.

 

No ano anterior, ela ainda havia conseguido voltar às quadras depois do período de recuperação da lesão. O retorno teve um significado particular, principalmente porque chegou a acreditar que não conseguiria se recuperar completamente.

 

"Ano passado eu consegui voltar a jogar nas quadras e foi realizador para mim, porque eu achei que não ia conseguir me recuperar da lesão", conta.

 

Mesmo sem ter tido a oportunidade de disputar competições maiores após o retorno, Julia afirma que continuou buscando evolução nos treinamentos e procurando contribuir com a equipe.

 

"Foi frustrante, mas eu consegui dar a volta por cima. Apesar de não ter tido a oportunidade de ir em campeonatos maiores, sempre me esforcei para dar meu máximo e crescer junto com meu time", afirma.

 

Hoje, mesmo afastada das quadras, a relação com o esporte permanece na memória da jovem. Julia reconhece a importância das pessoas que participaram de sua caminhada e dos aprendizados acumulados durante os anos de prática.

 

"Sou muito grata a todos que fizeram parte da minha trajetória. Minha história com o vôlei sempre vai ficar guardada no meu coração", conclui.

Comentários

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos com * são obrigatórios.