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“O vôlei é sinônimo de vida pra mim”: a relação de Isabella Alencar com o esporte

da redação - 16 de mai de 2026 às 05:25 185 Views 0 Comentários
“O vôlei é sinônimo de vida pra mim”: a relação de Isabella Alencar com o esporte Da Redação

“Ninguém vai te dar segurança pronta. Você constrói isso na marra, tentando.” A frase resume a forma como Isabella Alencar Oliveira e Silva enxerga o esporte que a acompanha desde a infância. Natural de Imperatriz (MA), nascida em 12 de maio de 1984, ela encontrou no voleibol mais do que uma prática esportiva: um espaço de enfrentamento pessoal, disciplina e continuidade.

 

O primeiro contato com o vôlei aconteceu ainda na escola, aos sete anos de idade. “Comecei na educação física escolar. Nunca foi por curiosidade. Eu assistia aos jogos pela TV e já achava esse esporte sensacional”, relembra. O que começou cedo se consolidou com o tempo. “Virou amor, paixão e hoje é praticamente uma grande parte de quem eu sou. É impossível pensar em mim sem unir ao vôlei.”

 

Ao longo dos anos, a permanência na modalidade foi sustentada por fatores que vão além da competição. “O que me fez permanecer foi a sensação de evolução constante, desafio pessoal, a energia do jogo, a necessidade de estar ajustada em equipe e tudo o que esse esporte me proporciona dentro e fora da quadra”, afirma.

 

Mesmo sem atuar profissionalmente, a levantadora mantém uma relação intensa com o voleibol. No cotidiano, o esporte ocupa um papel central. “O vôlei é mais do que apenas um esporte pra mim. É um refúgio, uma válvula de escape e também um combustível. É onde eu descarrego o estresse, reencontro minha força, lembro do que sou capaz e, principalmente, onde eu me sinto viva.”

 

Ela também associa essa vivência a momentos pessoais difíceis. “Passei por muitos momentos de deserto total, onde eu não via saída, mas Jesus Cristo salvou a minha vida, e o vôlei foi o instrumento. Portanto, o vôlei é sinônimo de vida pra mim”, relata.

 

A trajetória dentro das quadras também foi marcada por desafios físicos significativos. Isabella enfrentou duas lesões graves nos joelhos em um intervalo de pouco mais de um ano. “Tive rompimento total de LCA e parcial de menisco, uma em cada joelho. A primeira foi aos 37 anos, no joelho direito, em dezembro de 2021. A segunda, aos 38, no joelho esquerdo, em abril de 2023.”

 

Após a primeira cirurgia, o processo de recuperação durou cerca de um ano. “Fiquei fazendo fisioterapia, seguindo todas as recomendações médicas. Depois fui liberada para retomar os treinos. Após três meses de retorno, veio a lesão no outro joelho.” O impacto da segunda lesão trouxe dúvidas. “Passou um filme na minha cabeça, de todo sofrimento, toda luta. Eu chorava muito e cheguei a falar que, se a lesão tivesse sido a mesma, eu não voltaria mais a jogar.”

 

Apesar disso, a decisão de continuar prevaleceu. “Eu sabia que não conseguiria viver sem o vôlei. Foram justamente esses desafios que me fizeram ter mais vontade de crescer, mais vontade de treinar e dar o meu melhor.”

 

Entre os momentos marcantes, Isabella destaca menos os resultados e mais os processos. “Mais do que uma conquista específica, o que mais me marca são os momentos de superação, jogos difíceis, derrotas, evolução pessoal e a sensação de ‘eu consegui’.” Ainda assim, ela cita duas situações simbólicas: o vice-campeonato maranhense nos Jogos Escolares e um momento após o retorno das lesões. “Depois das cirurgias, consegui pular na rede e fazer um bloqueio. Foi o primeiro pulo depois de todo o sofrimento. Meu psicológico não me permitia pular. Mas eu venci.”

 

A rotina para manter os treinos exige organização. “Não é fácil, exige disciplina. Tem dias cansativos, mas quando você entende o quanto aquilo é importante pra você, você dá um jeito.” Segundo ela, o esporte ocupa posição definida em sua vida. “O vôlei virou prioridade dentro da minha rotina.”

 

O incentivo vem de diferentes frentes. “Minhas companheiras de time têm um papel gigante nisso. Meus filhos, Ísis e Lorenzo, meu noivo Alex, e também meus pais, Arnaldo e Edna, são meus maiores incentivadores e torcedores.”

 

Além da prática esportiva, Isabella aponta aprendizados que extrapolam a quadra. “Disciplina, persistência, determinação, fé, trabalho em equipe, resiliência e controle emocional. O vôlei me ensinou a não desistir fácil e a lidar melhor com pressão e desafios.”

 

Vivendo em Mato Grosso do Sul há 11 anos, ela observa potencial de crescimento no cenário local. “Vejo que tem muito espaço para crescimento. Existem muitos atletas talentosos, com vontade e dedicação. É importante ter mais incentivo e estrutura para o esporte se desenvolver ainda mais no estado.”

 

Sem a pressão de uma carreira profissional, os objetivos seguem voltados à evolução contínua. “Quero melhorar cada vez mais, tanto individualmente quanto em equipe. Nunca me vejo pronta, sempre tenho algo a evoluir. Também quero viver experiências maiores dentro do vôlei e ir o mais longe possível.” E completa: “Pretendo estar bem velha e ainda jogando.”

 

Ao falar com quem pensa em começar, Isabella reforça a importância da ação, mesmo diante da insegurança. “O medo vai existir, a insegurança também, mas nenhuma das duas pode mandar em você. Eu não esperei me sentir pronta. Eu fui mesmo assim.” Para ela, o aprendizado vai além da técnica. “O vôlei não é só um esporte, é um campo de batalha interno. Você entra achando que vai aprender a jogar e sai aprendendo a se enfrentar.”

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