Da Redação
A corrida de rua entrou na vida de Hichard Silva Dantas quase por acaso. Nascido em 27 de dezembro de 2008, o atleta começou a correr depois de receber o incentivo de amigos que já praticavam a modalidade. O que inicialmente era apenas um convite para participar de uma prova se transformou em uma rotina de treinos e, posteriormente, em um objetivo de evolução constante nas competições.
Hichard conta que, antes de começar a correr, nunca havia pensado em seguir pelo esporte. Ele trabalhava com alguns amigos que já praticavam a modalidade e passou a ser incentivado por eles a participar de uma corrida.
“Eu tinha uns amigos que começaram a correr e eu trabalhava com eles. Eu nunca pensei em correr. Eles ficavam me falando para eu ir com eles e, uma vez, me inscreveram em uma prova de corrida. Eu topei ir correr com eles e fui treinar. Foi difícil no começo, mas consegui treinar pelo menos um mês antes da prova”, relata.
A primeira experiência despertou o interesse pela modalidade. Depois da competição, Hichard passou a enxergar a corrida de outra maneira e decidiu continuar treinando.
“Depois dessa corrida eu gostei muito e me apaixonei pela corrida”, afirma.
Com o passar das provas e dos treinamentos, a busca deixou de ser apenas pela participação. Hichard começou a acompanhar seus próprios tempos e a estabelecer metas para melhorar o desempenho, principalmente nos 5 quilômetros, distância na qual passou a concentrar parte de seus objetivos.
Uma das competições que mais marcou sua trajetória ocorreu em 30 de novembro de 2025, durante uma prova realizada na UCDB. Naquele momento, o atleta disputava sua quarta corrida e havia realizado uma preparação específica para tentar baixar seu tempo nos 5 km. A presença do pai na competição também teve um significado especial para Hichard, que queria mostrar sua evolução.
“Foi a quarta corrida que corri 5 km e foi a que mais treinei, porque era uma corrida em que eu queria melhorar e bater meu recorde nos 5 km. Meu pai também ia, e eu queria mostrar que iria ganhar, porque foi a primeira corrida em que ele foi me ver correr”, explica.
Na prova, Hichard conseguiu completar os 5 km em 19min57s e terminou em segundo lugar na categoria. O resultado fez com que ele passasse a enxergar novas possibilidades dentro da modalidade.
“Isso me ajudou muito para conseguir correr bem nessa corrida. Foi a da UCDB, no dia 30/11/2025, que ficou marcada porque eu consegui bater meu recorde nos 5 km, com 19:57, e consegui ficar em segundo na minha categoria”, conta.
A partir daquele resultado, o atleta passou a acreditar que poderia buscar marcas melhores. Para Hichard, a percepção de que poderia competir em um nível mais alto veio justamente da evolução apresentada nos 5 km.
“Depois disso eu percebi que tinha um potencial para melhorar. Para mim, foi uma alegria ter ganhado pela primeira vez”, afirma.
Mesmo reconhecendo que existem atletas melhores e utilizando essas referências como estímulo, Hichard prefere estabelecer sua própria avaliação sobre o momento que vive na modalidade. Segundo ele, a vontade de melhorar faz parte do processo.
“Quando comecei a correr, queria só por hobby, mas depois de algumas corridas e treinos você vai gostando da corrida. Eu queria sempre estar melhorando e sempre focado. Foi depois que percebi que comecei a correr muito bem nos 5 km que vi que estava em alto nível”, explica.
O desenvolvimento no esporte acontece paralelamente a uma rotina que envolve trabalho e escola. Hichard trabalha das 8h30 às 17h30 e, logo depois, segue para a escola, onde permanece até 21h35. Por isso, precisa organizar os próprios horários para conseguir manter os treinos.
“Minha vida é bem corrida. Eu trabalho das 8h30 às 17h30 e, logo após, vou para a escola, que começa às 18h20 e vai até 21h35. Então, eu faço meus próprios treinos”, relata.
Quando não há competição programada, ele procura manter uma rotina mais leve. Os treinos podem acontecer pela manhã, antes do trabalho, ou nos finais de semana. Quando há uma corrida prevista, a preparação muda e exige maior frequência.
“Quando não tenho nenhuma prova, gosto de treinar leve, na parte da manhã, antes do meu trabalho, ou nos finais de semana. Quando tenho corrida no mês, já é diferente: a semana toda é de corrida”, conta.
A necessidade de conciliar os horários também faz com que Hichard encontre alternativas para manter a atividade física durante o dia. Caminhar ou andar de bicicleta até o trabalho são algumas das formas que ele utiliza para continuar ativo.
“Quando não dá para treinar de manhã, eu me viro para dar uma treinada. Vou caminhando para o meu serviço ou vou de bicicleta, sempre executando, porque isso também é um treino”, afirma.
Além da rotina apertada, o atleta aponta fatores que dificultam a preparação e a participação nas competições de corrida de rua em Mato Grosso do Sul. Entre eles estão as altas temperaturas, as lesões e os custos necessários para manter a preparação.
“Acho que uma das maiores dificuldades é o calor e as lesões, porque no nosso Estado tem muita gente que corre corrida de rua. Então, você treina muito para ser bom e, muitas vezes, se lesiona”, explica.
Hichard também chama atenção para a necessidade de investimento financeiro. Para ele, os atletas precisam lidar com despesas relacionadas a equipamentos e alimentação, enquanto nem sempre conseguem contar com apoio.
“Também são os patrocinadores. Muitas vezes, entre os atletas, não tem alguém para ajudar no investimento em tênis de corrida, roupa e alimentação. É difícil”, afirma.
Mesmo diante dessas dificuldades, a principal referência do atleta continua sendo a própria evolução. Em sua corrida mais recente, Hichard conseguiu novamente baixar seu tempo nos 5 km. A marca passou de 19min57s para 19min24s.
“Minha maior conquista da carreira na corrida até agora foi a minha última corrida. Eu consegui bater meu tempo para 19:24. Mesmo não tendo ganhado nada, conseguir baixar meu tempo, para mim, é uma conquista marcante, porque sei que estou melhorando”, diz.
A redução do tempo, segundo ele, mostra o resultado do trabalho realizado durante os treinos. Para Hichard, diminuir alguns segundos nos 5 km exige dedicação e serve como uma forma de acompanhar o próprio desenvolvimento.
“O processo é difícil. Para você diminuir dez segundos é difícil. Então, você treinando, no final vê o resultado na sua corrida, porque sempre está querendo melhorar. Isso, para mim, é uma conquista”, afirma.
Entre os objetivos para os próximos anos está a tentativa de chegar aos 15 minutos nos 5 km. A meta representa uma redução significativa em relação à marca atual, mas Hichard afirma que pretende avançar gradualmente.
“A marca que eu quero fazer é 15 minutos nos 5 km. Isso, para mim, é um grande objetivo. Então, vou diminuindo aos poucos e, durante um tempo, eu irei conseguir”, projeta.
Além da meta relacionada aos 5 km, o atleta também possui outro sonho ligado ao esporte: disputar uma prova de Ironman. A modalidade reúne diferentes disciplinas e representa um desafio que Hichard pretende enfrentar em algum momento da trajetória esportiva.
“Eu tenho um sonho de correr um Ironman. Isso eu quero fazer uma vez. Mas o que eu quero sempre é melhorar o meu tempo e a minha marca”, conta.
A preparação também envolve o aspecto mental. Antes dos treinos e das competições, Hichard afirma que busca na fé uma forma de manter a concentração e lidar com os resultados, independentemente de vitória ou derrota.
“A minha parte mental sou eu e Deus. Eu sou evangélico e, sempre antes de qualquer coisa, seja treino ou prova, falo para Ele me guiar e me abençoar. Seja feita a vontade Dele na minha vida”, relata.
Segundo o atleta, essa postura também ajuda a lidar com os resultados das competições. Para ele, vencer é motivo de comemoração, mas os resultados negativos também fazem parte do processo.
“Se for para eu ganhar, é a honra para Ele. Se não for, eu fico triste, mas sei que Ele sabe de tudo. Então, sempre estou orando e buscando a Ele para a minha mente”, afirma.
Na trajetória até aqui, os amigos que o incentivaram a participar da primeira corrida continuam sendo apontados por Hichard como importantes para sua evolução. O apoio aparece principalmente nos momentos de treino e competição, quando as palavras de incentivo ajudam a manter o ritmo.
“As pessoas que mais me ajudaram na minha trajetória foram meus amigos, que já corriam. Eles me ajudaram muito, principalmente a me dar motivação na corrida, com aquele ‘Bora, bora!’. Esse incentivo ajudou muito”, conta.
Foi a partir de um convite desses amigos que Hichard entrou no esporte. Agora, depois de melhorar suas marcas e estabelecer novos objetivos, ele pretende continuar utilizando a corrida como uma forma de buscar evolução.
Para quem está começando, o conselho do atleta é baseado justamente na experiência que teve desde os primeiros treinos: manter a persistência mesmo quando os resultados demoram a aparecer.
“Não desista. O processo é difícil, mas, no final, você vai ver que valeu a pena ter trabalhado duro”, aconselha.