Da Redação
“O maior desafio foi eu mesmo, a não falhar nenhum dia, ser mais rigoroso e responsável comigo mesmo.” A frase é de Gilson Carlos Formentão Cabreira, conhecido no motocross como Alemãozinho, bi-campeão sul-mato-grossense da modalidade. Aos 22 anos, o piloto natural de Dourados (MS) vive o esporte que o encantou ainda na infância e segue traçando metas cada vez mais altas nas pistas.
Nascido em 27 de novembro de 2002, Alemãozinho cresceu próximo ao estádio Douradão, local onde acompanhava as provas do Campeonato Brasileiro de Motocross. Foi ali que surgiu a paixão que mudaria o rumo de sua vida. “Eu morava perto do Douradão, onde sempre tinha Brasileiro de motocross, aí eu ia sempre lá assistir. Meu pai reconheceu o amor que eu tive pelo esporte e logo comprou minha primeira motinha”, recorda.
Desde então, o som dos motores e o cheiro da terra se tornaram parte da rotina do piloto. Com o apoio da família, ele começou a participar das primeiras competições e rapidamente mostrou talento. A base familiar, especialmente o incentivo do pai, foi essencial para que ele seguisse firme em uma trajetória que exige esforço, dedicação e disciplina. “O que mais me motivou foi a paixão e a emoção pelo esporte, sem contar no apoio que meus pais sempre me deram. Meu pai sempre gostou muito, ele ama o esporte de verdade, e isso me motivava a ser cada vez melhor”, explica.
A trajetória até o bicampeonato, no entanto, não foi fácil. O piloto destaca que a principal batalha foi contra si mesmo. “O maior desafio foi eu mesmo, a não falhar nenhum dia, ser mais rigoroso e responsável comigo mesmo. Cumprir com o dever que era treinar de moto, fazer exercícios físicos e cuidar da alimentação.”
Essa disciplina, segundo ele, é o que diferencia quem sonha de quem realmente conquista resultados dentro do motocross. “O lugar mais alto do pódio não é para quem só sonha, mas para quem trabalha muito.”
Entre as muitas lembranças nas pistas, há uma corrida que marcou sua trajetória e até hoje desperta emoção. “Teve uma corrida em Campo Grande, no CLC, que foi surreal. Eu larguei em último lugar, vim recuperando, e na última volta passei o primeiro. Só me recordo de ouvir o barulho da galera na arquibancada comemorando.” O episódio resume o espírito de superação que o acompanha desde o início da carreira: determinação, paciência e foco.
Hoje, com mais maturidade e experiência, Alemãozinho dá prioridade à preparação física, etapa que considera essencial para o desempenho em alto nível. “Atualmente treino mais a parte física, que é mais essencial no momento. Na moto, tento treinar uma vez por semana, mas é sagrado os treinos de sábado e domingo”, explica.
Para ele, o motocross é um esporte que exige mais do que apenas técnica e coragem. É preciso estrutura, apoio e uma equipe comprometida. “O apoio financeiro e emocional é essencial. Muitos desistem no meio do caminho achando que o lugar mais alto do pódio está longe. Mas quem chega lá é porque batalhou muito, trabalhou bastante, não só como piloto, mas com toda a equipe — mecânico, treinador, familiares. Eu digo que a base de qualquer piloto é a equipe dele, ninguém consegue nada sozinho.”
Alemãozinho também alerta para os riscos da modalidade e a importância dos cuidados dentro e fora das pistas. Ele mesmo já sentiu as consequências de uma rotina de treinos exagerada. “Eu corria muito a pé, além do que precisava, e isso foi me prejudicando. Até hoje sinto muita dor no joelho por não seguir a planilha de treino exata. Eu sempre queria mais e mais”, relembra.
No motocross, segundo ele, “todo cuidado é pouco”. A concentração é fundamental para evitar acidentes e garantir o melhor desempenho. “Qualquer erro pode custar muito. O maior cuidado que temos que ter é com a falta de atenção. É preciso estar bem focado dentro da pista, prestar atenção onde pode ter risco e evitar fazer o que está acima do nosso limite.”
Mesmo com as dificuldades, Alemãozinho enxerga com otimismo o crescimento do motocross em Mato Grosso do Sul. Ele destaca que o esporte ganhou mais visibilidade, estrutura e novos talentos nos últimos anos. “Sem dúvida alguma, o esporte cresceu muito. Fico feliz e orgulhoso do motocross ter se desenvolvido tanto em nosso estado. Eu parei de correr por seis anos, mas sempre acompanhei a evolução do esporte. Depois que voltei, vejo essa evolução de perto — é de se orgulhar.”
Com a retomada nas competições, o piloto tem como meta principal voltar ao topo do pódio e conquistar novos títulos. “Meus sonhos são cada vez maiores. Sempre busco me dedicar mais, pois sei que consigo ser campeão novamente. O objetivo de todo piloto é sempre alcançar o primeiro lugar, fazer valer a pena todo o esforço por trás disso.”
Alemãozinho também aproveita para deixar uma mensagem aos jovens que sonham em seguir seus passos. Para ele, o motocross é um esporte que exige comprometimento, mas que retribui com emoção e aprendizado. “O conselho que eu dou é o mesmo que me deram: é um esporte apaixonante, com objetivos e responsabilidades. Haverá altos e baixos, mas você sempre continuará apaixonado por esse esporte.”