Da Redação
Há três décadas, o profissional de Educação Física, atleta e professor Cezar Luiz Giroletta dedica sua vida às artes marciais. Proprietário da Academia Dragão Imperial, ele atua no ensino de kung fu wu shu, tai chi chuan e wushu sanda, modalidades que, segundo ele, vão além da prática esportiva e fazem parte de um processo de formação baseado em disciplina, respeito e desenvolvimento pessoal.
Em entrevista, Giroletta relembrou o início da trajetória, falou sobre os desafios enfrentados ao longo da carreira, explicou as diferenças entre as modalidades que ensina e comentou o crescimento do kung fu em Mato Grosso do Sul.
O primeiro contato com a modalidade aconteceu no Círculo Militar, onde frequentava outras atividades esportivas. A paixão pelo kung fu, no entanto, já vinha da infância.
"Minha história no kung fu wu shu começou há 30 anos. Eu frequentava o Círculo Militar para fazer as modalidades do clube. Foi ali que conheci o kung fu. Como sempre fui apaixonado pela modalidade e vibrava com os filmes de Bruce Lee, vi que aquele seria o momento de realizar meu sonho."
Ao longo da carreira, Giroletta afirma que as conquistas esportivas marcaram sua caminhada, mas destaca um episódio que considera decisivo para sua permanência no esporte: uma grave lesão no joelho.
"Os momentos mais marcantes, claro, foram as vitórias. Mas o que mais me marcou foi uma lesão muito séria que tive no joelho. Achei que nunca mais conseguiria voltar a praticar. Com muita vontade, determinação, resiliência, coragem e disciplina, logo voltei aos treinos e, claro, muito mais preparado."
Como treinador, ele afirma que uma das maiores satisfações é acompanhar o desenvolvimento dos próprios alunos.
"Como professor, o mais marcante foi ver meus alunos conquistarem vagas importantes em campeonatos e, principalmente, serem escolhidos para integrar a Seleção Brasileira."
A Academia Dragão Imperial surgiu com o objetivo de desenvolver atletas, mas também de contribuir para a formação de pessoas por meio dos ensinamentos das artes marciais. Segundo Giroletta, o início foi simples.
"A academia surgiu com a ideia de transformar campeões no esporte e na vida, no intuito de contribuir para uma sociedade mais educada e formar grandes guerreiros do bem. Comecei a lecionar e, nos primeiros dias, era somente eu. Logo depois apareceram alunos com a esperança de serem campeões."
O nome da academia também possui um significado ligado à tradição oriental.
"O nome Dragão Imperial representa um símbolo de força, poder, sabedoria e harmonia. É a união de qualidades como inteligência, força e equilíbrio."
Durante a entrevista, Giroletta também explicou as diferenças entre as modalidades que ministra.
"O kung fu é uma palavra genérica usada para definir uma arte bem executada. Sua tradução está relacionada ao trabalho árduo e ao tempo dedicado para adquirir habilidade."
Segundo ele, dentro do kung fu existem diferentes práticas.
"As formas, chamadas de taolu, são movimentos marciais de ataques, esquivas e defesas que desenvolvem principalmente a parte externa do corpo."
Já o tai chi chuan segue outra proposta dentro da arte marcial.
"O tai chi chuan também é uma forma marcial, mas trabalha com mais concentração e suavidade. Os movimentos continuam sendo de ataques, defesas e esquivas, porém desenvolvem a parte interna do corpo, envolvendo órgãos, articulações e os músculos estabilizadores."
A modalidade de combate esportivo é o wushu sanda.
"O wushu sanda é a parte desportiva de luta do kung fu. As disputas acontecem em um ringue chamado lei tai, onde os atletas se enfrentam utilizando chutes, socos e projeções."
Apesar das diferenças, Giroletta ressalta que todas pertencem ao mesmo universo das artes marciais.
"Os três são artes marciais de combate. A prática pode começar a partir dos cinco anos de idade, mas pessoas mais velhas também podem participar de todas as modalidades, pois elas também contribuem para a saúde."
Formado em Educação Física, ele considera que a graduação ampliou as possibilidades de atuação profissional.
"Para mim, a formação em Educação Física é de suma importância para que eu possa levar minha arte para escolas e academias, difundindo o melhor das artes marciais."
Para Giroletta, os ensinamentos do kung fu vão além das técnicas de luta e fazem parte do cotidiano dos praticantes.
"O kung fu vai muito além da luta. Transmite conhecimento, sabedoria, respeito ao próximo, honestidade, humildade, bondade e muita disciplina. É isso que procuro passar aos meus alunos."
Sobre o cenário estadual, ele avalia que o trabalho realizado por professores e praticantes tem contribuído para ampliar a modalidade em Mato Grosso do Sul.
"Estamos trabalhando há muito tempo pelo crescimento do kung fu no Estado. Eu e outros professores estamos no caminho certo e acompanhando essa evolução. Hoje temos em torno de 20 atletas revelação representando Mato Grosso do Sul."
Entre os desafios para manter uma academia, Giroletta aponta a necessidade de maior incentivo às crianças e adolescentes.
"Primeiro, os pais. Muitos não incentivam e não acreditam no potencial dos filhos, deixando de investir neles. Meu papel é identificar talentos e mostrar que eles são capazes de conquistar seus objetivos."
Ao recordar momentos marcantes como treinador, ele cita a participação de um grupo de atletas em um Campeonato Brasileiro.
"Levei seis atletas para o primeiro Campeonato Brasileiro da carreira deles. Todos conquistaram medalhas e alcançaram grandes resultados, mesmo tendo apenas um ano e meio de prática."
Para o futuro, Giroletta afirma que a missão da Academia Dragão Imperial permanece a mesma: formar atletas preparados para as competições e para a vida.
"Nosso objetivo é formar grandes campeões, não apenas no esporte, mas também na vida."
A quem pretende iniciar no kung fu, o professor deixa uma orientação baseada nos princípios da modalidade.
"Você está no caminho certo. Mostre humildade e honestidade, seja equilibrado e respeite todos ao seu redor. Assim, você estará preparado para se tornar um grande atleta e alcançar o seu melhor."