Da Redação
“O jiu-jitsu salva vidas, não só dentro do tatame, mas fora também.” A afirmação é da atleta Ester Oliveira Pereira, sul-mato-grossense que construiu sua trajetória nas artes marciais a partir de projetos sociais e hoje mantém uma rotina intensa para continuar competindo.
Nascida em 26 de abril de 2003, em Ponta Porã, na região sul de Mato Grosso do Sul, Ester teve o primeiro contato com o esporte ainda na infância. Ela começou no judô aos nove anos de idade, participando de um projeto social da Fundação de Esporte do município.
“No começo eu iniciei no judô aos nove anos, em um projeto social aqui da minha cidade, a Funsep”, conta.
O caminho até o jiu-jitsu surgiu por meio de um convite. Ester frequentava uma igreja e foi incentivada por amigas a participar de uma aula experimental na academia do professor André Duarte. A experiência acabou definindo o rumo da atleta no esporte.
“Eu frequentava uma igreja e o pastor era amigo do mestre de jiu-jitsu, o André Duarte, que ofereceu bolsa para quem quisesse treinar. Umas amigas da igreja me chamaram para fazer uma aula experimental e, desde então, não parei mais de fazer jiu-jitsu.”
A partir desse primeiro contato, o universo das artes marciais passou a fazer parte do cotidiano da atleta. O muay thai surgiu pouco tempo depois, também por influência de treinadores da academia onde ela treinava.
“O muay thai entrou na minha vida através do jiu-jitsu também. O mestre de muay thai, Ernesto Bocão, treinava jiu-jitsu na nossa academia e me chamou para fazer uma aula. Eu fui experimentar e gostei, então comecei a frequentar mais a academia de muay thai.”
As competições de muay thai e kickboxing vieram posteriormente, incentivadas por outro treinador.
“As competições de muay thai e kickboxing vieram com o incentivo do professor Ian Benites”, explica.
Durante um período, Ester chegou a competir nas três modalidades: jiu-jitsu, muay thai e kickboxing. Para dar conta da preparação, era necessário organizar uma rotina de treinos dividida ao longo do dia.
“Quando eu competia nas três modalidades, a conciliação de treinos era dividida por período. Primeiro musculação, depois jiu-jitsu e, na parte da tarde, aula de muay thai. Dependendo da competição que estava próxima, eu me dedicava mais àquela modalidade.”
Atualmente, a atleta concentra seus esforços apenas no jiu-jitsu. A decisão está ligada principalmente à rotina fora dos tatames. Ester trabalha com carteira assinada, é mãe e também cursa faculdade de educação física.
“Hoje eu me dedico somente ao jiu-jitsu. Minha rotina é mais tranquila nesse sentido, mas ainda é bem cheia.”
O dia da atleta começa cedo.
“Das 4h30 às 6h da manhã eu pedalo. Atualmente sou CLT, saio às 17h, busco minha filha na escola e às 19h vou para a turma da noite na academia Defensores da Arte, de segunda a sexta. Conciliando tudo isso ainda com a faculdade de educação física.”
Ao longo da trajetória nas artes marciais, Ester afirma que os desafios não estão apenas dentro das competições. Para ela, a preparação mental e as dificuldades financeiras fazem parte da realidade de muitos atletas.
“Acredito que durante toda a minha trajetória no esporte o maior desafio, além do financeiro, é o mental. É preparar todo o psicológico para entender que estamos prontos para qualquer desafio, abdicar de certos privilégios e conforto, sair de casa e dar o melhor de nós.”
Entre as conquistas que marcaram sua carreira, a atleta destaca títulos estaduais e a oportunidade de disputar um campeonato mundial de jiu-jitsu.
“Todas as minhas conquistas têm um significado muito especial para mim. Mas guardo com mais carinho o Estadual de Muay Thai, em que fiquei em primeiro lugar, o Estadual de Jiu-Jitsu também em primeiro lugar e o Mundial de Jiu-Jitsu no Rio de Janeiro. Eu não consegui subir ao pódio, mas só de estar lá já foi uma grande conquista.”
Ela também destaca o papel do professor Fabrício Everton Aguero em sua formação esportiva.
“Graças ao apoio do meu professor Fabrício Everton Aguero eu consegui estar lá. Ele sempre esteve comigo, independente do resultado das competições, sempre me motiva e acredita no meu potencial.”
No esporte, Ester afirma encontrar valores que vão além das medalhas.
“As artes marciais para mim vão além das competições. Elas representam respeito, disciplina, lealdade e companheirismo, valores que eu tento aplicar na minha vida diariamente.”
Entre as referências dentro do esporte, ela cita uma atleta sul-mato-grossense.
“Uma das minhas maiores inspirações é a Aline Morato, atleta aqui do Mato Grosso do Sul.”
Ester também observa o crescimento da participação feminina nas artes marciais, especialmente no jiu-jitsu. Para ela, o aumento da procura está ligado à busca por defesa pessoal.
“A busca de mulheres por luta corpo a corpo aumentou cerca de 15%, principalmente neste ano em Mato Grosso do Sul. É um aumento bom, mas ainda podemos melhorar. Mulheres com conhecimento de defesa pessoal podem se defender em diversas situações.”
Para a atleta, o avanço da presença feminina nas academias tem um impacto importante.
“Saber que tem mulheres buscando formas de se defender usando o jiu-jitsu é muito importante.”
Para o futuro próximo, Ester tem objetivos claros dentro do esporte.
“Meu objetivo este ano é ir para o Campeonato Brasileiro de jiu-jitsu e trazer a medalha de primeiro lugar para casa. Depois disso, quero voltar também para o muay thai e o kickboxing.”
Ao falar com meninas e mulheres que pensam em iniciar nas artes marciais, ela destaca a importância de encontrar um ambiente acolhedor para começar.
“Meu conselho é procurar uma academia com um número maior de mulheres, com uma metodologia boa, onde você se sinta acolhida e bem.”
E reforça a mensagem que, segundo ela, define sua relação com o esporte.
“Comecem a treinar, porque o jiu-jitsu salva vidas, não só dentro do tatame, mas fora também.”