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“O jiu-jitsu é tudo para mim”: de Campo Grande ao circuito internacional

da redação - 20 de fev de 2026 às 15:57 24 Views 0 Comentários
“O jiu-jitsu é tudo para mim”: de Campo Grande ao circuito internacional Da Redação

“O jiu-jitsu é tudo para mim.” A frase resume a relação de Paulo Illas Cação Tognini Alves com o esporte que começou em Campo Grande e o levou a competir em diferentes países. Nascido em 28 de setembro de 1987, na capital sul-mato-grossense, ele encontrou na arte suave o que define como propósito de vida.

 

A ligação com o jiu-jitsu começou ainda em Mato Grosso do Sul. Segundo ele, a motivação inicial estava ligada ao desejo de reconhecimento. “Minha motivação sempre foi ser reconhecido por algo que eu fizesse bem. O jiu-jitsu foi a primeira atividade na minha vida em que senti que realmente tinha potencial para me destacar.” A partir dessa percepção, a prática deixou de ser apenas uma atividade esportiva e passou a ocupar papel central em sua rotina. “O esporte se tornou meu propósito, e essa sensação de evolução e conquista foi o que me manteve focado até chegar ao nível internacional.”

 

O primeiro indicativo de que poderia ir além das competições estaduais veio ainda na faixa azul. O segundo lugar no Campeonato Brasileiro foi determinante para ampliar horizontes. “Quando eu ainda era faixa azul, conquistei o segundo lugar no Campeonato Brasileiro. Esse resultado me mostrou que eu tinha condições de competir em alto nível e que poderia ir além do cenário estadual.” A conquista serviu como parâmetro técnico e também como sinal de que o caminho poderia ultrapassar as fronteiras de Mato Grosso do Sul.

 

Entre as experiências internacionais, um momento específico marcou a trajetória. “O primeiro Mundial de faixa azul, nos Estados Unidos, em 2013. Eu estava vivendo um sonho e ali tive a certeza de que era isso que eu queria para a minha vida.” A participação no torneio consolidou a decisão de investir na carreira como atleta, mesmo diante das dificuldades.

 

Ao analisar o cenário atual da modalidade, Paulo avalia que as diferenças entre o jiu-jitsu praticado no Brasil e no exterior diminuíram ao longo dos anos. “Hoje já não vejo tantas diferenças. O jiu-jitsu evoluiu muito no mundo todo. Muitos atletas brasileiros saíram do país em busca de melhores oportunidades e acabaram ajudando a desenvolver o esporte em diversos lugares.” Para ele, a internacionalização da modalidade contribuiu para nivelar o alto rendimento.

 

Representar Mato Grosso do Sul fora do país é, segundo o atleta, uma responsabilidade construída pela rede de apoio que o acompanha. “A maioria das pessoas que me apoiam e torcem por mim é de Mato Grosso do Sul, muitas delas nem me conheciam pessoalmente quando eu morava lá. Fico feliz em poder ser uma referência para algumas dessas pessoas e representar o estado através do esporte.” A identificação com o estado permanece como elemento constante, mesmo com a carreira desenvolvida em diferentes lugares.

 

Se dentro do tatame os desafios são técnicos e estratégicos, fora dele a principal barreira foi financeira. “Sem dúvida, o maior desafio sempre foi o financeiro. Essa é a parte mais difícil da carreira no jiu-jitsu.” A necessidade de custear viagens, inscrições e preparação faz parte da rotina de quem opta por competir em alto nível.

 

Entre as lutas que redefiniram sua trajetória, Paulo cita a conquista do Pan-Americano de 2022, quando enfrentou o atleta número 1 do ranking na categoria master faixa preta. “Foi uma das maiores experiências da minha carreira. Enfrentar os melhores exige muito controle mental. Se o psicológico não estiver forte, os pensamentos negativos podem fazer você perder para si mesmo.” O resultado reforçou a importância do preparo emocional no alto rendimento.

 

A evolução técnica e mental também passou por mudanças de ambiente e de rotina. Morando nos Emirados Árabes Unidos, ele relata ter ampliado o repertório dentro do tatame. “Morar nos Emirados Árabes trouxe um grande salto técnico, pois tive a oportunidade de treinar com atletas de alto nível de vários países.” Já o fortalecimento psicológico teve outro caminho. “A evolução mental veio principalmente através da terapia, que foi fundamental para fortalecer meu psicológico.”

 

Hoje, ao falar sobre metas, Paulo amplia o olhar para além das medalhas. “Meu maior objetivo é usar o esporte para transformar a vida das pessoas, assim como transformou a minha — seja inspirando através de títulos ou ensinando e formando novos atletas.” A atuação como referência e formador aparece como extensão natural da carreira competitiva.

 

Aos jovens atletas de Mato Grosso do Sul que desejam trilhar caminho semelhante, ele destaca um ponto prático. “Primeiro, estudem inglês. O jiu-jitsu está em alta no mundo todo, com muitos eventos e oportunidades de trabalho. Como faixa preta, você pode atuar em praticamente qualquer país, mas a comunicação faz toda a diferença. Se preparem dentro e fora do tatame.” Para Paulo Illas, a preparação vai além da técnica: envolve idioma, adaptação cultural e fortalecimento mental.

 

Da conquista ainda na faixa azul ao título no Pan-Americano de 2022, a trajetória do atleta de Campo Grande evidencia uma carreira construída a partir de resultados, deslocamentos internacionais e investimento pessoal. “O jiu-jitsu é tudo para mim”, afirma. A frase sintetiza uma escolha profissional que começou em Mato Grosso do Sul e ganhou dimensão global.

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