Da Redação
Aos 29 anos, Adrielli da Silva Xavier encontrou no handebol uma atividade que, com o passar do tempo, deixou de ser apenas uma prática esportiva e passou a ocupar um espaço importante em sua vida. A relação com o esporte começou ainda na época da escola, mas ficou interrompida durante alguns anos. Em 2022, ela voltou às quadras e retomou também a ligação com o handebol.
“Comecei a praticar handebol na época de escola, fiquei muitos anos sem praticar. Em 2022 voltei a praticar e voltei a me apaixonar pelo esporte”, conta Adrielli, que hoje atua no Hac Handebol Caarapó.
Segundo a atleta, o retorno inicialmente aconteceu como uma forma de praticar uma atividade diferente. No entanto, a experiência dentro da quadra fez com que o esporte ganhasse outro significado. “No início era apenas uma atividade diferente, mas logo percebi o quanto gostava da adrenalina dos jogos, do trabalho em equipe e de estar dentro da quadra. Foi assim que o handebol passou a fazer parte da minha vida.”
Mesmo sem atuar profissionalmente, Adrielli considera que os ensinamentos adquiridos no esporte ultrapassam os limites das competições e dos treinamentos. Para ela, a prática do handebol contribuiu para desenvolver aspectos que também estão presentes em outras áreas de sua vida.
“Hoje representa muito mais do que um esporte. Ele me ensinou sobre disciplina, responsabilidade, respeito, persistência e, principalmente, sobre nunca desistir diante das dificuldades”, afirma.
A atleta destaca que a experiência dentro das quadras também influencia sua vida pessoal e profissional. “Mesmo não sendo uma atleta profissional, tudo o que aprendi dentro da quadra levo para a minha vida pessoal e profissional.”
Manter o esporte na rotina, porém, exige organização. Adrielli precisa conciliar os treinos com as demais responsabilidades do dia a dia e, em alguns momentos, enfrenta dificuldades para encaixar todas as atividades na agenda.
“Não é sempre fácil conciliar tudo, mas aprendi que organização e disciplina fazem toda a diferença”, explica. Ela afirma que procura aproveitar o tempo disponível e manter os compromissos em dia para conseguir continuar treinando.
“Procuro aproveitar bem meu tempo e manter meus compromissos em dia para conseguir treinar sem deixar de lado a rotina do dia a dia e as outras responsabilidades. É cansativo em alguns momentos, mas quando fazemos algo que amamos, encontramos forças para continuar.”
Entre essas responsabilidades está a maternidade. Adrielli é mãe de uma criança de dois anos e conta que, em alguns dias de treinamento, precisa levar o filho com ela. A situação faz parte dos desafios encontrados para continuar praticando o esporte.
“Foram muitos desafios, principalmente conciliar o esporte com as outras responsabilidades, ainda mais quando se tem um filho pequeno”, relata.
Além da rotina fora da quadra, a atleta também precisou lidar com dificuldades relacionadas ao próprio esporte, como derrotas, cobranças e a necessidade de desenvolver confiança. Para Adrielli, entender que a evolução acontece de forma gradual foi parte importante desse processo.
“Também tive que aprender a confiar mais em mim mesma e entender que evolução não acontece de um dia para o outro. Cada dificuldade acabou servindo como aprendizado e me tornou mais forte.”
Entre as experiências que marcaram sua trajetória está a oportunidade de representar Caarapó pela primeira vez em uma competição dos Jogos Abertos de Mato Grosso do Sul (Jams). A participação teve um significado diferente por envolver não apenas a atuação individual, mas a representação da cidade.
“Representar Caarapó em uma competição, nos Jams, pela primeira vez, é algo que sempre vai marcar minha trajetória”, afirma.
Para Adrielli, vestir a camisa de uma cidade durante uma competição envolve também a responsabilidade de representar pessoas que acompanham e apoiam sua caminhada no esporte.
“Vestir a camisa traz um sentimento muito especial, porque sabemos que estamos representando não apenas nós mesmas, mas também nossa cidade, nossa família e todas as pessoas que acreditaram na nossa caminhada. São experiências que ficam para a vida toda.”
Dentro de quadra, Adrielli atua como ponta direita. A posição permite que ela participe das ações ofensivas e contribua para o funcionamento coletivo da equipe. Mais do que destacar uma característica individual, a atleta ressalta a importância do trabalho conjunto.
“O que mais gosto é da possibilidade de contribuir com a equipe e ajudar minhas companheiras durante o jogo”, explica.
Ela se define como uma jogadora dedicada e determinada e afirma que procura estar disponível para ajudar as companheiras durante as partidas. Na visão de Adrielli, o resultado no handebol depende do desempenho coletivo.
“Acredito que uma das coisas mais importantes no handebol é entender que ninguém ganha sozinho: cada atleta tem sua função e todas precisam trabalhar juntas.”
A relação com o esporte também ganhou uma dimensão estadual. Ao representar Mato Grosso do Sul em competições, Adrielli afirma que sente a responsabilidade de levar o nome do Estado para outros locais.
“É um orgulho enorme. Quando entramos em quadra usando a camisa de Mato Grosso do Sul, sentimos uma responsabilidade muito grande, mas também uma felicidade indescritível”, afirma.
Para ela, a participação em competições representa uma oportunidade de apresentar o trabalho realizado nos treinamentos. “É uma oportunidade de mostrar nosso trabalho, nossa dedicação e levar o nome do nosso estado para outras competições.”
A continuidade na modalidade também conta com o apoio da família. Adrielli aponta os familiares como uma das principais bases para que consiga manter a prática esportiva e enfrentar os momentos de dificuldade.
“Minha família é uma das minhas maiores bases. O apoio deles, seja acompanhando os jogos, incentivando nos momentos difíceis ou simplesmente acreditando em mim, faz toda diferença.”
Além da família, ela também cita o treinador e outras pessoas que fizeram parte de sua trajetória. “Também sou muito grata ao meu treinador e às pessoas que fizeram parte da minha trajetória, porque cada incentivo contribuiu para que eu continuasse.”
Sobre o futuro, Adrielli não descarta a possibilidade de seguir uma trajetória profissional no handebol, embora esse não seja o objetivo principal neste momento. Ela afirma que pretende continuar aprendendo e aproveitando as oportunidades que surgirem por meio do esporte.
“Meu principal objetivo é continuar evoluindo, aprendendo e aproveitando cada oportunidade que o handebol me proporcionar”, diz.
A possibilidade de transformar a prática em uma carreira também faz parte dos planos, caso surja uma oportunidade. “Sempre existe o sonho de chegar mais longe e, se surgir uma oportunidade de seguir uma carreira profissional, a gente pensa nas possibilidades.”
Independentemente de uma eventual carreira profissional, Adrielli afirma que pretende continuar praticando a modalidade. “Quero continuar praticando e fazendo parte desse esporte que significa tanto para mim.”
A experiência acumulada desde o retorno às quadras também influencia a forma como ela enxerga a participação de outras pessoas no esporte. Para quem está começando, Adrielli defende que o objetivo não precisa necessariamente ser a profissionalização para que a atividade tenha importância.
“Eu diria para não desistirem. Nem todo mundo que começa um esporte vai necessariamente se tornar profissional, mas isso não significa que a experiência não tenha valor.”
Na avaliação da atleta, o handebol pode contribuir para diferentes aspectos da vida, independentemente do caminho profissional escolhido por cada praticante.
“O handebol pode transformar vidas de muitas outras maneiras. Aproveitem cada treino, cada jogo, cada oportunidade e, principalmente, façam por amor.”
Ao falar sobre as dificuldades que podem aparecer durante a trajetória esportiva, Adrielli reforça a importância da persistência. “Acreditem em vocês mesmos e nunca deixem que as dificuldades façam vocês desistirem dos seus sonhos.”