Segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026, 19:12

O futsal possível: rotina, desafios e resistência nas quadras de Bonito

da redação - 16 de fev de 2026 às 15:14 15 Views 0 Comentários
O futsal possível: rotina, desafios e resistência nas quadras de Bonito Da Redação

“Hoje em dia a minha vontade de jogar futsal se passa por momentos.” A frase de Luís Eduardo Vargas Rocha resume uma realidade comum a muitos atletas do interior: a conciliação entre trabalho, rotina adulta e a paixão pelo esporte. Natural de Bonito (MS) e nascido em 2 de abril de 2001, o jogador construiu sua relação com o futsal ainda na infância, acompanhando o irmão mais velho nos treinos e permanecendo nas quadras mesmo sem participar diretamente das atividades.

 

“Comecei a praticar o futsal com seis anos de idade. Eu acompanhava meu irmão mais velho, que já participava dos treinos para competições, e ficava até o final dos treinamentos para assistir e esperar para ir para casa”, relembra. O contato frequente com o ambiente esportivo despertou o interesse em competir, mas a decisão de encarar o esporte com mais seriedade veio alguns anos depois. “Quando cheguei aos dez anos percebi que o futsal era algo que eu cogitava para me tornar jogador profissional, mas ainda dividia essa vontade com o futebol de campo, que eu gostava muito quando era mais novo.”

 

A trajetória, no entanto, não ocorreu sem obstáculos. Luís Eduardo aponta que as dificuldades financeiras e o apoio familiar limitado são fatores que impactam diretamente a continuidade de jovens atletas no esporte. “O maior desafio dos atletas no Brasil é o apoio familiar. Quem não tem condição de viajar ou comprar material acaba perdendo campeonatos.” Ele conta que, até os treze anos, teve pouco incentivo dentro de casa. “Participava porque gostava muito e já me dedicava bastante ao esporte na cidade.”

 

Além das questões pessoais, o atleta também observa entraves estruturais na região. “Por ser sul-mato-grossense, acredito que já poderia estar em algum clube de futsal ou de campo, mas o nosso Estado parou no tempo e os nossos times e campeonatos perderam a visão que tinham em certos momentos.” Mesmo diante das limitações, a ligação com Bonito permanece como um elemento central em sua trajetória. “Nossa cidade já teve momentos bons no esporte ao longo da sua história e, para cada atleta, é um prazer defender as cores do município e continuar movimentando o esporte.”

 

Entre as principais conquistas, ele destaca o título da Copa Pelezinho de Futsal, na categoria sub-14, em Campo Grande. “Foi uma grande conquista para nós jovens e para a cidade, pois fazia algum tempo que a base não conquistava algo grande.” Já na fase adulta, passou a disputar competições municipais e regionais, acumulando títulos e experiências. “Conquistei duas vezes o campeonato municipal, além de um segundo e um terceiro lugar. Em 2018 conquistamos o campeonato regional sub-20 sobre a equipe que era a atual campeã estadual. Em 2022 conquistamos a Copa Sudoeste de Futsal, quando juntamos os melhores atletas do município e terminamos a competição invictos.”

 

Com o passar dos anos, a rotina de treinos sofreu mudanças em função do trabalho. “Hoje em dia eu treino nos horários livres ou nas folgas do serviço.” Mesmo com menos tempo dedicado às quadras, Luís Eduardo mantém características que desenvolveu ao longo da formação em duas modalidades. “Como comecei cedo no futsal e no campo, aprendi visão de jogo, noção de espaço, tabelas e passes longos. Acredito que minhas melhores características sejam a velocidade e a visão de jogo, consigo achar passes e gols em espaços curtos.”

 

Ele também reconhece a importância de professores, treinadores e apoiadores ao longo da carreira, destacando que o aprendizado vai além das quadras. “Tive a oportunidade de ser treinado por grandes professores e hoje meu conhecimento pelo futsal é fruto desses profissionais que ajudaram a formar a pessoa que eu sou. Sem eles eu não me tornaria um jogador com disciplina.” Entre os nomes citados estão Alexander Pelk, Marcos Viana, Emerson Baes, Edemir Rodrigues, Odinei, Otto, Afonso Brandão, Uallace Possas, Rosana Barros e Maria Luisa Marchi, além de apoiadores da comunidade que contribuíram em momentos importantes, como Thiago da Conveniência Avenida e Zezé da Palhoça.

 

Ao refletir sobre o cenário atual, ele observa mudanças no desenvolvimento da modalidade nas cidades menores. “A cada ano o futsal vai crescendo gradativamente. Em cidades com menor estrutura é possível montar equipes fortes com jovens e a experiência de atletas mais velhos.” Em Bonito, segundo ele, o crescimento da modalidade ganhou força após o encerramento da equipe de futebol de campo. “Começaram a investir mais no futsal e foram surgindo equipes competitivas.”

 

Mesmo com a rotina intensa fora das quadras, o esporte continua presente em sua vida, ainda que de forma diferente da juventude. “Na vida adulta é mais difícil, temos que dividir o tempo de trabalho com o de treinamento. Às vezes prefiro ficar em casa para trabalhar bem no outro dia.” Ele lembra que já precisou lidar com lesões enquanto mantinha o emprego. “Já trabalhei lesionado em alguns serviços, onde os proprietários foram companheiros em deixar trabalhar machucado por um tempo.”

 

Ao final, Luís Eduardo deixa uma mensagem direta para quem está começando no futsal ou em qualquer modalidade. “Acredite no seu potencial. Mesmo que em algum momento pareça difícil, continue trabalhando que uma hora a porta vai se abrir.”

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