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“O futsal me fez ser uma pessoa melhor”, diz atleta de Dourados

da redação - 22 de abr de 2026 às 14:43 40 Views 0 Comentários
“O futsal me fez ser uma pessoa melhor”, diz atleta de Dourados Da Redação

“O futsal, além das quadras, para mim foi e é essencial. Me fez ser uma pessoa melhor, a ter disciplina, a ter valores e, principalmente, a mostrar como o esporte salva vidas.” É a partir dessa relação construída ainda na infância que a atleta de futsal Maiara da Silva Brum, de 30 anos, resume a importância do esporte em sua trajetória.

 

Nascida em 9 de maio de 1995, em Dourados, Maiara teve os primeiros contatos com a bola ainda criança, em um ambiente familiar onde o futebol já fazia parte do cotidiano. “Comecei com uns 6, 7 anos. Meu pai foi goleiro, tenho três irmãos, tios e primos. Eu era a única menina para completar o time. Jogávamos no fundo de uma chácara onde morávamos, e me colocavam para completar o time”, relembra.

 

O cenário improvisado foi suficiente para despertar o interesse. “Ali despertou o interesse. Desde sempre, meu pai e meus irmãos jogavam bem e eu queria ser igual a eles.” Na escola, a presença feminina no esporte ainda era reduzida, o que fez com que ela participasse de competições junto com meninos. “Jogava interclasse mesclado com meninos, porque eram poucas as meninas que se interessavam.”

 

A descoberta no esporte aconteceu de forma espontânea, durante jogos no bairro onde mora. “Fui descoberta jogando em um campo no bairro.” A partir daí, o contato com o futsal passou a exigir uma adaptação a uma realidade diferente da vivida até então. “A maior dificuldade foi entender como o mundo do futsal funcionava. Para mim, era colocar a bola no chão, driblar e fazer gol. Não imaginava que havia regras, campeonatos de alto nível.”

 

O futsal também teve papel fora das quadras. “Eu vivia em um mundo onde só queria jogar, pois, apesar de pequena, era ali que esquecia os problemas pessoais que enfrentava em casa.” Com o tempo, a atleta passou a compreender a estrutura do esporte. “Descobri como o futsal funciona a partir de treinos, disciplina, constância, curiosidade, pessoas certas apoiando e um excelente professor, o Daniel Tomiati. Ele é importante nesse processo.”

 

A formação dentro do esporte foi marcada pela presença do professor. “A pessoa que me fez enxergar meu potencial além da minha família foi o professor Daniel Braga Tomiati. Ele me ensinou tudo que sei, que posso ir além do que imaginava, mostrou que eu tinha muito mais a mostrar, tanto dentro quanto fora de quadra, a ter postura, disciplina e ser honesta com os jogos propostos, não só em competições, mas também na vida.”

 

A trajetória como atleta teve continuidade ao longo dos anos, mesmo diante de interrupções. “Joguei por um longo período, mas tive que interromper quando precisei escolher entre estudar, trabalhar e treinar.” Ainda assim, a ligação com o futsal permaneceu. “Nunca abandonei o futsal, até porque é a minha paixão.”

 

Durante esse período, Maiara também passou pela maternidade e por uma lesão. “Fui mamãe, voltei para as quadras, mas infelizmente tive que dar uma pausa novamente devido a uma lesão de LCA e menisco.” A recuperação exigiu persistência. “Fui persistente, fiz o impossível para recuperar e poder voltar às quadras.”

 

Mesmo afastada dos jogos, continuou envolvida com o esporte. “No meio tempo, fiquei como auxiliar de um grupo de futsal feminino em Dourados, o EIA Dourados, passando tudo que sei, dando suporte no que precisavam e ajudando nos treinos constantes, no qual os resultados eram mostrados em quadra.”

 

Entre as experiências marcantes, a atleta destaca a participação nos Jogos Escolares Brasileiros (JEB’s). “A maior conquista foi o reconhecimento de poder, para algumas, ser inspiração. E também quando fomos representar Mato Grosso do Sul e a Escola Ramona da Silva Pedroso nos JEB’s, em Aracaju. Ficamos em terceiro lugar na Série Ouro, na categoria sub-18. Fui como auxiliar e pude viver essa experiência de sair de tão longe para ficar entre os três melhores estados.”

 

Sobre o cenário estadual, Maiara avalia que há potencial. “No Mato Grosso do Sul, temos inúmeras potências dentro de quadra. Estamos bem representadas. Tenho um imenso respeito por vários times que podem ir para competições de alto nível e nos representar bem.” Ao mesmo tempo, aponta desafios. “A maior dificuldade é a visibilidade. Estamos crescendo e tomando espaço, mas ainda há pontos que podem fazer a diferença.”

 

Atualmente cursando Educação Física, ela projeta continuidade no esporte, agora também na formação de novos atletas. “Meu objetivo é formar crianças que, assim como eu, desde pequenas já sabem o que querem, e ajudar adolescentes que têm potencial, mas não têm apoio e suporte, a mostrar que podem ir além e ser o que quiserem.”

 

A mensagem para quem pretende seguir no futsal é direta. “Não desistam, sejam persistentes, passem por cada dificuldade sempre pensando que hoje sou bom, amanhã posso ser melhor.”

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