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“O futebol não era o único caminho”: atleta de Dourados concilia trabalho, estudo e bola

da redação - 5 de abr de 2026 às 15:26 117 Views 0 Comentários
“O futebol não era o único caminho”: atleta de Dourados concilia trabalho, estudo e bola Da Redação

“O futebol não era o único caminho para o sucesso.” A frase resume um dos momentos de virada na trajetória de Felipe Miranda dos Santos, atleta de Dourados, no interior de Mato Grosso do Sul. Longe de um roteiro linear, a relação com o esporte passou por mudanças ao longo dos anos, incluindo pausas, retomadas e uma nova forma de enxergar o futebol.

 

Nascido em 6 de outubro de 2001, Felipe teve o primeiro contato com a bola ainda na infância. “Meu primeiro contato com o futebol aconteceu aos 4 anos de idade, quando meu pai me matriculou em uma escolinha de futsal. A partir daí, o esporte se tornou uma grande paixão. Minha mãe também teve muita influência nesse momento, ela quem me levava a quase todos os treinos”, relata.

 

A vivência no futsal seguiu durante toda a infância, período em que ele começou a se destacar. “Aos 12 anos, já apresentava um nível de jogo acima da média para a minha idade e foi quando mudei do salão para o campo, chegando a treinar com categorias mais velhas”, afirma. A transição marcou também uma mudança de perspectiva. “Foi nesse momento que comecei a enxergar a possibilidade de ir além e busquei oportunidades por meio de avaliações.”

 

No entanto, o contexto local impunha limites. Segundo o atleta, as oportunidades eram reduzidas na época. “Naquele período, as chances eram mais limitadas, principalmente pela falta de estrutura e de instituições esportivas em Dourados — realidade que hoje vejo ter evoluído bastante, com mais oportunidades surgindo na base.”

 

Com a chegada da adolescência, outras prioridades passaram a disputar espaço com o futebol. “Surgiram novos desafios e dúvidas, e o sonho do futebol acabou ficando em segundo plano”, conta. Foi quando tomou a decisão de seguir outro caminho. “Optei por ingressar no mercado de trabalho e construir novos objetivos, entendendo que o futebol não era o único caminho para o sucesso.”

 

Atualmente, Felipe divide a rotina entre diferentes atividades. “Consigo conciliar trabalho, futebol e faculdade, e acredito que esse equilíbrio tem contribuído diretamente para o meu crescimento pessoal e profissional”, diz. A reorganização da vida fora de campo acabou influenciando também a forma como passou a enxergar o esporte.

 

“Com o tempo, passei a enxergar o futebol amador com outros olhos. Percebi o alto nível das competições e surgiu a vontade de atuar nesse cenário em Dourados.” A entrada nesse ambiente contou com apoio próximo. “No início, contei com o apoio fundamental do meu pai e de amigos que já faziam parte do meio, o que foi essencial para minha adaptação.”

 

A trajetória no futebol amador foi construída gradualmente, com participação em equipes e competições locais. “Ao longo da minha trajetória, fui adquirindo experiência, evoluindo dentro das equipes e construindo minha identidade de jogo. Isso me proporcionou novas oportunidades, melhores desempenhos e a participação em campeonatos importantes da cidade.”

 

Entre as características que aponta como diferenciais, Felipe destaca aspectos físicos e comportamentais. “Entre minhas principais características, destaco a força física, a versatilidade para atuar em mais de uma posição e a boa relação com companheiros e gestores.” A preparação, segundo ele, é um ponto constante de atenção. “Busco sempre manter um bom condicionamento físico, pois entendo que, mesmo no futebol amador, o talento precisa estar aliado à preparação física e a um mental forte, além da vontade de competir entre os melhores.”

 

Atualmente, o atleta atua por duas equipes do cenário local. “Atuo pelas equipes Atalanta Dourados e Amigos da Vila, com o objetivo de estar sempre no meu melhor nível, contribuir com o grupo e conquistar títulos.” Além dos resultados dentro de campo, ele também busca ampliar a visibilidade. “Procuro maior reconhecimento dentro do futebol douradense, que segue em constante crescimento, e acredito que ainda posso viver grandes momentos e alcançar novas conquistas.”

 

Ao analisar o cenário estadual, Felipe identifica avanços, mas também aponta limitações. “Vejo o futebol de Mato Grosso do Sul em evolução, tanto no cenário profissional quanto no amador. No entanto, ainda há carência de estrutura, principalmente no profissional.” Ele cita como exemplo o potencial de equipes da região. “O Dourados F.C., por exemplo, tem potencial para alcançar um nível ainda mais elevado.”

 

A experiência acumulada ao longo dos anos também se reflete na forma como orienta quem está começando. “Acredito que é fundamental estar atento às oportunidades, ter uma base familiar sólida, agir com humildade e se dedicar ao máximo.” Para ele, não há um único caminho possível dentro do esporte. “Cada trajetória é única, e com trabalho e persistência, os resultados aparecem, seja no futebol profissional ou amador.”

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