Da Redação
“O futebol é metade da minha vida, é o que me move e é o que eu amo fazer.” A frase resume a relação de Felipe Benites, nascido em 2 de abril de 2009, com o esporte. Goleiro no futebol amador de Mato Grosso do Sul, ele construiu sua identidade dentro das quatro linhas e estabeleceu metas que passam pela profissionalização e pelo sonho de disputar uma Copa do Mundo.
Segundo ele, a ligação com o futebol começou antes mesmo de ter consciência disso. “No meu nascimento eu fui muito entregue ao futebol logo de cara, recebi o nome de ‘Felipe’ em homenagem a um antigo goleiro do Corinthians.” A referência familiar à posição foi reforçada na infância, quando passou a acompanhar jogos pela televisão. “Me apaixonei pela posição ainda pequeno assistindo o gigante Cássio no gol e, mesmo diante disso, me tornei palmeirense.”
A escolha pelo Palmeiras não afastou as inspirações em outros nomes da posição. Ele afirma que busca referências tanto no futebol brasileiro quanto no europeu. “Eu me inspiro muito no Fernando Prass, ídolo do Palmeiras, e no gigante alemão Manuel Neuer.” Para ele, observar diferentes estilos amplia a compreensão sobre a função do goleiro, que exige técnica, leitura de jogo e preparo físico.
Dentro de campo, os desafios são constantes. “Enfrento lesões frequentes e, muitas vezes, a falta de dinheiro para investir em materiais.” Fora das quatro linhas, a dificuldade é outra. “A falta de apoio da minha família é algo que me afeta muito psicologicamente.” Mesmo assim, ele afirma que mantém o foco na preparação. “Desde treinos de força até treinos de resistência, o goleiro é o que mais treina em um time de futebol.”
A preparação também envolve o aspecto mental, especialmente em momentos decisivos. Questionado sobre o que pensa diante de um pênalti, ele explica que confia na leitura do adversário. “Em pênalti, eu sigo muito a minha intuição e, na maioria das vezes, acaba dando certo, mas também observo a postura do cobrador, porque às vezes ele entrega o canto antes mesmo de pegar na bola.” Já nas situações de um contra um, a prioridade é outra. “Em defesas cara a cara, eu priorizo a técnica.”
Entre as lembranças que guarda da trajetória no futebol amador, uma defesa se destaca. “Existe uma defesa de mão trocada no ângulo, nos acréscimos da semifinal da Copa Ramão. Está no meu perfil. Na época, eu atuei pelo Flamengo MS.” O lance, segundo ele, representa um dos momentos mais marcantes até agora na carreira.
A posição de goleiro, no entanto, também expõe o atleta a críticas constantes. “Como goleiro, as críticas sempre vão estar presentes e, mesmo diante desse cenário, eu admito que é difícil manter a sanidade mental em algumas ocasiões.” Ele reconhece que o erro costuma ter peso maior para quem atua no gol, mas afirma que trabalha para manter o equilíbrio emocional.
Apesar da dedicação, Felipe ainda não recebeu propostas formais para o futebol profissional. “Ainda não recebi nenhuma proposta de maneira direta, mas é algo que eu venho buscando através de treinos, muito trabalho duro e disciplina.” A meta está definida. “Quero me profissionalizar e trazer uma Copa do Mundo para o meu país. Também tenho o sonho de jogar pelo Palmeiras.”
Ao falar sobre o cenário estadual, ele aponta limitações estruturais. “O futebol amador de Mato Grosso do Sul precisa evoluir na estrutura para os atletas e, principalmente, na mídia. Temos joias raras aqui no Estado que são ofuscadas pela falta de visibilidade.” Para ele, a exposição é um fator que pode abrir portas e ampliar oportunidades para quem busca espaço.
Com 16 anos, Felipe Benites mantém uma rotina de treinos voltada ao desenvolvimento físico e técnico, enquanto acumula experiências em competições locais. Entre defesas decisivas, cobranças internas e externas e a ausência de apoio familiar, ele sustenta o projeto de seguir no futebol. “O futebol é metade da minha vida”, repete, ao resumir o que o mantém em campo e o que orienta seus próximos passos.