Da Redação
“O foco vence o talento quando o talento não tem foco.” A frase resume a forma como o jovem atleta Guilherme Silva de Lima, de 18 anos, encara a própria trajetória no futebol. Natural de Mato Grosso do Sul, ele construiu seu caminho longe das categorias de base tradicionais e aposta na disciplina para alcançar novos patamares na carreira.
A relação com o esporte começou ainda na infância, em um ambiente pouco convencional para a idade. “Minha relação começou muito cedo, aos 9 anos, já frequentando rachas de adultos. O que me motivou foi a paixão que nasceu no campo e o apoio incondicional da minha família”, afirma. Segundo ele, o incentivo familiar teve papel decisivo: “Ver meu pai e meu irmão me incentivando me deu a certeza de que eu queria transformar essa obsessão por vencer em profissão”.
Sem passagem por categorias de base como sub-12 ou sub-15, Guilherme encontrou na várzea o principal espaço de formação. “O maior desafio foi a falta de uma estrutura de base tradicional. Eu nunca passei por um sub-12 ou sub-15 de clube. Minha escola foi a várzea livre do MS”, relata. O contato precoce com jogos mais físicos exigiu adaptação rápida. “Jogar contra homens, sendo apenas um menino, me exigiu um amadurecimento precoce, muita disciplina e coragem para me destacar em um ambiente tão competitivo e físico”.
A percepção de que poderia avançar no esporte veio anos depois, já na adolescência. “Foi quando percebi que, mesmo sem a formação de base comum, eu conseguia me sobressair pela inteligência de jogo e pela força física que a várzea me deu”. Aos 17 anos, surgiu uma oportunidade fora do Estado. “Quando tive a oportunidade de ir para o Rio de Janeiro fazer uma avaliação no Bangu e passei, entendi que meu foco e minha disciplina podiam me levar a qualquer lugar”.
Além da experiência no clube carioca, outras vivências contribuíram para o desenvolvimento do atleta. “A várzea de Mato Grosso do Sul me deu a base, e o DS Sports, em Atibaia (SP), me deu o profissionalismo”, explica. Mais recentemente, ele participou de uma competição em Goiás. “Um projeto que foi fundamental foi o Bar sem lona, de Jataí. Através do convite do meu amigo Marcinho e do empresário Vinícius, disputei o Amadorzão de Goiás. Foi uma experiência em que pude aplicar tudo o que aprendi em São Paulo e ajudar a equipe dentro e fora de campo”.
Mesmo sem vínculo atual com um clube, Guilherme mantém rotina de preparação. “Minha rotina é de atleta profissional, mesmo estando sem clube no momento. Treino diariamente por conta própria para manter a parte física e técnica intactas”. Para ele, o aspecto mental é determinante. “Para o alto rendimento, considero essencial a mentalidade: a disciplina de treinar quando ninguém está olhando e o foco total na preparação, pois a oportunidade não avisa quando vai chegar”.
Entre os momentos marcantes da carreira, ele destaca experiências recentes fora do Estado. “Minha estreia no Paulista foi um marco, mas o que vivi em Jataí (GO) foi muito especial. Ser um dos jogadores destaque do campeonato e me tornar um ‘jogador lista’ na região foi o reconhecimento de que todo o esforço valeu a pena”. O atleta também menciona dificuldades enfrentadas fora de campo. “Inclusive o tempo em que vendi doces nas ruas de São Paulo para sobreviver. Essa vitória sobre as dificuldades vale tanto quanto um troféu”.
Sobre o cenário local, Guilherme aponta limitações estruturais. “O estado tem muito talento bruto, mas ainda faltam oportunidades e visibilidade para quem está começando, especialmente para quem não está em grandes centros. É preciso ter muita força de vontade para sair daqui e mostrar o valor do nosso futebol para o restante do país”.
Com novos passos em andamento, ele mantém o foco nos próximos objetivos. “A curto prazo, estou focado na minha preparação para um novo projeto que está por vir. Em breve poderei revelar o destino”. A projeção futura envolve o cenário internacional. “A longo prazo, meu objetivo é construir uma carreira sólida no exterior e chegar ao mais alto nível do futebol europeu”.
Ao falar com jovens atletas, o discurso segue a mesma linha de disciplina e persistência. “Tenham obsessão pelo treino e não tenham medo da dificuldade. Se o caminho estiver difícil, vendam paçoca, trabalhem, mas não abandonem o campo”. Para ele, a origem deve servir como base. “A humildade de saber de onde você veio e a fé em Deus são o que te sustentam quando o caminho parece fechado”.