Da Redação
“O fisiculturismo expõe a mente antes mesmo do corpo.” A frase resume a forma como Thalyta Silva, 26 anos, natural de Coxim, enxerga a própria trajetória no esporte. Atleta da categoria Wellness da National Physique Committee, ela afirma que a construção física é apenas uma parte de um processo que envolve disciplina, estratégia e enfrentamento pessoal.
Nascida em 8 de setembro de 1999, Thalyta conta que a relação com o fisiculturismo começou de forma natural, a partir da musculação. O primeiro objetivo não era competir, mas recuperar a autoestima após a gestação. “No início, logo após a gestação, eu buscava somente estética e autoestima. Com o tempo, comecei a notar que meu corpo respondia muito bem. Meus amigos também me influenciaram”, relata.
O contato com a categoria Wellness dentro da NPC marcou uma virada. “Foi quando eu conheci a categoria Wellness dentro da NPC. Eu me identifiquei bastante. A categoria Wellness é o tipo de físico que eu sempre admirei: forte, feminino e imponente.” A identificação com o padrão exigido na categoria fez com que o treino deixasse de ser apenas uma prática regular e passasse a ter outro significado.
Segundo a atleta, houve um momento específico em que a musculação deixou de ser um hábito e se tornou um compromisso. “Quando comecei a enxergar meu corpo como algo construído, e não apenas treinado. Quando percebi que existia densidade, formato e maturidade muscular surgindo. Também foi um momento mental: quando a musculação deixou de ser só um hábito e virou um compromisso com quem eu queria me tornar.”
A partir dessa decisão, a rotina ganhou estrutura. Em fase de preparação, cada detalhe passa a ser planejado. “Minha rotina se torna extremamente estruturada. O treino passa a ter propósito específico: lapidar, corrigir pontos fracos e refinar o físico. O foco maior é em membros inferiores, sem negligenciar o restante.”
Na categoria Wellness, o desenvolvimento de glúteos e posteriores de coxa é determinante. Thalyta explica que o processo ocorre em etapas distintas. “Existe uma fase de construção, em que o foco é desenvolver mais volume, principalmente em glúteos e posteriores. E existe a fase de refinamento, em que o objetivo é lapidar. É um processo de paciência. Wellness não é um físico que se constrói rápido. É um físico que se constrói com consistência.”
A alimentação também passa por mudanças significativas durante a preparação. “A alimentação deixa de ser apenas saudável e passa a ser estratégica. Cada refeição tem função. Não é só sobre comer limpo, é sobre construir o físico certo.” Além da dieta e do treino, outros fatores entram no planejamento. “O descanso, o cardio e o controle emocional passam a fazer parte da preparação tanto quanto o treino.”
Para a atleta, o maior embate não acontece diante do público ou das adversárias, mas internamente. “O maior desafio mental é lutar contra você mesma. Contra a dúvida, contra o cansaço, contra os dias em que você não se sente suficiente.” Ela afirma que a exigência física é acompanhada por uma cobrança constante. “Fisicamente, é sustentar a constância. Treinar mesmo cansada. Seguir o plano mesmo quando a mente tenta negociar.”
A exposição nas redes sociais é outro aspecto presente na rotina de atletas da categoria. Thalyta reconhece que a pressão existe, mas diz ter redefinido a forma como lida com ela. “Eu entendi que a pressão sempre vai existir. Mas hoje eu não construo meu corpo para aprovação. Eu construo porque isso faz parte de quem eu sou.” Para ela, o que aparece na internet não reflete todo o processo. “As redes sociais mostram recortes. O verdadeiro trabalho é silencioso.”
Entre as competições já disputadas, a atleta destaca a participação no Power Classic 2024 como um momento de consolidação pessoal. “Esse foi o campeonato em que entreguei o meu melhor físico entre todas as competições.” Mais do que o resultado, o significado esteve no processo. “Foi ali o momento em que eu entendi que subir no palco não é só sobre vencer outras atletas. É sobre vencer a versão antiga de você mesma.”
No cenário do fisiculturismo, Thalyta cita como referências as atletas Rayane Fogal e Isa Nunes, nomes reconhecidos na categoria Wellness. A observação do desempenho de outras competidoras, segundo ela, faz parte do aprendizado e da evolução dentro do esporte.
Além das transformações físicas, a atleta aponta mudanças na forma de pensar e agir. “O esporte me ensinou que disciplina é uma decisão. Transformou minha autoestima, não apenas pela aparência, mas pela consciência da minha capacidade.” A perspectiva de futuro também foi impactada. “Hoje eu não penso pequeno. Eu penso em construção. Em evolução.”
Após a última competição, a meta é seguir o planejamento com base nas avaliações recebidas. “Meu objetivo agora é seguir o feedback da minha última competição, melhorar os pontos fracos e continuar construindo um físico competitivo.”
Para Thalyta Silva, o fisiculturismo é resultado de um processo contínuo, que envolve fases de ganho, ajustes e refinamento. A cada preparação, a atleta reafirma o compromisso assumido quando decidiu enxergar o próprio corpo como construção. E, como resume em uma de suas declarações, antes de qualquer resultado no palco, o confronto acontece internamente. “O fisiculturismo expõe a mente antes mesmo do corpo.”