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“O esporte me ensinou disciplina, respeito e superação”, afirma João Vinícius

da Redação - 23 de set de 2026 às 12:53 44 Views 0 Comentrios
“O esporte me ensinou disciplina, respeito e superação”, afirma João Vinícius Da Redação

“O que você quer com o esporte? Aonde você quer chegar?” A pergunta feita pelo treinador João Vitor Nascimento, ainda no início da trajetória de João Vinícius O. O. Boretti no voleibol, ajudou o atleta de Mato Grosso do Sul a enxergar o esporte para além das quadras. O que começou como uma atividade praticada na infância passou a ser encarado como uma possibilidade de transformação pessoal, acadêmica e profissional.

 

João Vinícius conheceu o voleibol em 2010, na Escola Professora Iracema de Souza Mendonça. Naquele período, ele praticava karatê e ainda não imaginava que o vôlei ocuparia um espaço tão importante em sua vida.

 

“Foi em 2010, na Escola Professora Iracema de Souza Mendonça. Na época, eu praticava outro esporte, o karatê, e, à medida que fui crescendo, conheci o voleibol”, conta.

 

Foi também naquele ambiente que o atleta teve contato com a professora Elenice Rodrigues de Almeida, responsável por apresentar a modalidade a ele e incentivar seus primeiros passos no esporte.

 

“Quero deixar um agradecimento especial à professora Elenice Rodrigues de Almeida, que acabou se tornando uma grande amiga e é uma pessoa que guardo com muito carinho no coração, e também ao seu auxiliar, Antonio. Foi naquela escola que conheci o voleibol, e foi a professora Elenice quem despertou em mim esse encantamento pelo esporte.”

 

No início, porém, João Vinícius não pensava em seguir uma trajetória competitiva. Ainda criança e cursando o ensino fundamental, treinava principalmente pela diversão. A mudança aconteceu em 2011, quando entrou no ensino médio e passou a trabalhar com o treinador João Vitor Nascimento.

 

Segundo ele, foi o treinador quem ajudou a ampliar sua visão sobre as possibilidades que o esporte poderia oferecer.

 

“No início, em 2010, eu ainda era criança e estava no ensino fundamental. Não tinha ideia da dimensão que o esporte poderia ter na minha vida. Eu treinava principalmente para me divertir e não encarava aquilo como algo sério.”

 

A pergunta feita pelo treinador passou a orientar suas escolhas: “O que você quer com o esporte? Aonde você quer chegar?”. A partir daquele momento, João Vinícius começou a estabelecer um objetivo.

 

“Meu foco nos treinamentos mudou. Eu tinha um objetivo principal: conseguir uma bolsa em uma universidade, porque sabia que minha família não tinha condições financeiras de me proporcionar isso. Foi quando percebi que o esporte poderia ser também um caminho para transformar minha vida.”

 

A trajetória, entretanto, também foi marcada por lesões e dificuldades. Ainda no início da caminhada pelo voleibol, João Vinícius sofreu uma lesão no joelho que exigiu um longo período de recuperação e o afastou de um dos principais campeonatos da fase estadual escolar.

 

Depois, vieram outras lesões. Uma delas aconteceu após um acidente de carro e atingiu sua mão. Mais tarde, o atleta enfrentou problemas nos dois joelhos, envolvendo os ligamentos.

 

“Além das lesões, também enfrentei dificuldades relacionadas ao apoio familiar. No início, minha família enxergava o voleibol mais como uma forma de lazer e não como algo que pudesse realmente fazer parte do meu futuro.”

 

A falta de apoio naquele período também apareceu em momentos importantes. Na primeira semifinal de um campeonato escolar, por exemplo, sua família não queria que ele fosse para a partida. João Vinícius recorreu à professora Elenice, que conversou com sua mãe e conseguiu convencê-la.

 

“O que senti falta naquela época foi de um pouco mais de apoio familiar nesse sentido: de presença, incentivo e tentativa de ajudar, mesmo que não fosse financeiramente.”

 

Em 2013, surgiu uma oportunidade que poderia representar uma mudança significativa. João Vinícius foi aprovado em uma seletiva para um projeto em Uberlândia, em Minas Gerais, que oferecia bolsa de estudos e a possibilidade de jogar pela equipe. O problema, naquele momento, era financeiro.

 

“O alojamento estava cheio e eu precisaria custear minha passagem e me manter por aproximadamente seis meses até conseguir uma vaga. Minha mãe realmente não tinha condições financeiras para isso.”

 

A oportunidade acabou não se concretizando, mas a experiência fez com que ele passasse a procurar alternativas mais próximas de casa.

 

“Foi uma situação triste, porque eu sabia que aquela poderia ser uma grande oportunidade. Mas também entendi a realidade da minha família. A partir dali, passei a buscar oportunidades de bolsas para atletas mais próximas de casa, o que também me permitiria conciliar melhor os estudos com o esporte.”

 

As bolsas conquistadas ao longo da trajetória ajudaram João Vinícius a alcançar outro objetivo: concluir sua primeira formação acadêmica, em Arquitetura e Urbanismo.

 

“Sou muito grato ao esporte porque consegui utilizar o voleibol, em mais de uma oportunidade, para conquistar bolsas de atleta que me ajudaram muito a concluir minha primeira formação, em Arquitetura e Urbanismo.”

 

No caminho, também houve momentos em que a continuidade no esporte pareceu incerta. Durante uma das lesões nos joelhos, João Vinícius chegou a pensar que não voltaria a jogar.

 

“Nessa última lesão, eu realmente cheguei a pensar que não conseguiria jogar novamente e comecei a aceitar essa possibilidade.”

 

A recuperação contou com o auxílio da fisioterapeuta Karina Garcia, amiga do atleta, que realizou o tratamento gratuitamente.

 

“Mas tive novamente um anjo na minha vida: minha grande amiga Karina Garcia, que é fisioterapeuta e realizou todo o meu tratamento de forma gratuita para me ajudar.”

 

Atualmente, João Vinícius também passou a dar mais atenção ao fortalecimento físico. A rotina inclui academia e exercícios voltados principalmente para regiões bastante exigidas pelo voleibol, como joelhos e ombros, além dos trabalhos realizados em quadra.

 

“Hoje faço algo que talvez eu devesse ter começado muito antes: academia e fortalecimento, principalmente das regiões que são muito exigidas pelo voleibol, como joelhos e ombros, além dos exercícios específicos realizados em quadra.”

 

Para ele, porém, a preparação não se resume ao aspecto físico. O trabalho psicológico também passou a fazer parte da sua compreensão sobre o esporte.

 

“Também considero muito importante uma parte que muitas vezes acaba sendo deixada de lado: o aspecto psicológico. Tive o prazer de jogar em uma equipe que contava com uma psicóloga, a Maria, e ela me ajudou muito a enxergar algumas situações por uma perspectiva diferente.”

 

João Vinícius considera que a evolução de um atleta depende da dedicação dentro e fora dos treinamentos.

 

“Acredito que, para evoluir, é preciso se dedicar ao máximo não apenas durante o horário do treino, mas também fora dele. Buscar conselhos de pessoas mais experientes, ouvir quem tem algo a ensinar e praticar constantemente. No fim, o esporte é muito baseado em repetição, disciplina e superação.”

 

Entre as referências citadas pelo atleta estão nomes que fizeram parte da história do voleibol brasileiro. Em Mato Grosso do Sul, ele destaca Saymon Barbosa, do vôlei de praia, com quem teve contato durante treinamentos quando ainda estava na categoria infanto.

 

“Além de ser um grande atleta, é uma pessoa incrível. Ele chegou a participar de alguns treinamentos quando eu estava na categoria infanto, ajudando nossa equipe a evoluir, e isso é algo que guardo com carinho.”

 

No voleibol masculino, João Vinícius aponta o ex-levantador da Seleção Brasileira Ricardinho como seu jogador favorito. Entre as mulheres, cita Fabi Alvim, Camila Brait, Fofão, Sheilla Castro e Jaqueline Carvalho.

 

“Todos esses atletas me inspiram, não apenas pelo talento, mas pela presença que tinham dentro de quadra e por terem sido referências em suas gerações.”

 

Entre as conquistas, uma ocupa lugar especial: o terceiro lugar no Campeonato Brasileiro, representando Mato Grosso do Sul. A campanha foi marcada por uma situação inesperada, com a lesão de um dos atletas durante a competição.

 

“Naquela ocasião, nem nós mesmos imaginávamos que chegaríamos tão longe e sairíamos de lá com uma medalha. Durante a competição, tivemos a lesão de um dos atletas e precisamos jogar no improviso, mas, mesmo diante daquela situação, conseguimos chegar ao pódio.”

 

Representar o estado em uma competição nacional e retornar com uma medalha tornou o resultado ainda mais significativo para o atleta.

 

“Representar o seu estado em uma competição nacional e voltar para casa com uma medalha é algo que vou guardar para sempre.”

 

Antes das partidas, João Vinícius também desenvolveu uma rotina para lidar com a concentração e a expectativa. Ele procura se afastar das redes sociais, fazer um bom aquecimento e ouvir músicas que o ajudem a entrar no clima da competição.

 

“Hoje gosto de me afastar um pouco das redes sociais antes das partidas, para evitar distrações e conseguir me concentrar melhor.”

 

Com os anos de experiência, ele afirma que passou a lidar de outra maneira com a pressão dos jogos.

 

“Depois de tantos anos e tantos jogos, sinto que a pressão diminuiu. Você aprende a entrar focado e, por alguns momentos, ignorar tudo o que está acontecendo do lado de fora da quadra.”

 

Além das competições e das conquistas, o vôlei também deixou ensinamentos que João Vinícius leva para outras áreas da vida.

 

“Acredito que os principais ensinamentos são disciplina, respeito e superação.”

 

Entre esses aprendizados, um dos principais está relacionado à capacidade de continuar mesmo quando o resultado parece difícil de alcançar.

 

“O voleibol me ensinou que, enquanto ainda existe uma oportunidade, precisamos continuar focados e fazendo a nossa parte até o último momento. Isso é algo que levo não apenas para o esporte, mas também para a vida.”

 

Agora, João Vinícius inicia uma nova etapa. Depois de utilizar o esporte para conquistar bolsas e concluir a formação em Arquitetura e Urbanismo, ele está se preparando para mudar de estado, estudar e trabalhar na área de Educação Física.

 

“Estou aceitando um novo desafio: mudar para outro estado, estudar e trabalhar na área de Educação Física. Estou muito animado com essa nova etapa, porque, como a minha própria história demonstra, sempre estive muito próximo do esporte.”

 

A nova formação mantém sua trajetória ligada ao universo esportivo, mas amplia as possibilidades profissionais para além da atuação como atleta.

 

“Estou encarando novos desafios e iniciando uma nova formação acadêmica, mas continuando de alguma forma ligado àquilo que sempre fez parte da minha vida.”

 

Para os jovens de Mato Grosso do Sul que também enxergam no esporte uma possibilidade de formação e desenvolvimento, João Vinícius destaca a importância de ouvir os treinadores, respeitar os ensinamentos e compreender que as oportunidades profissionais não estão restritas à carreira de atleta.

 

“Primeiramente, levem a sério tudo aquilo que o treinador ensina. Tenham o máximo de respeito por quem está tentando fazer vocês evoluírem.”

 

Segundo ele, o esporte pode abrir diferentes caminhos profissionais.

 

“O futuro dentro do esporte pode acontecer de várias formas: como atleta profissional, educador, auxiliar técnico, preparador, fisioterapeuta, gestor ou em diversas outras profissões que fazem parte do universo esportivo.”

 

A própria trajetória serve como referência para essa visão. O voleibol foi utilizado como caminho para bolsas de estudo, contribuiu para sua formação acadêmica e agora está presente em uma nova etapa profissional.

 

“E o esporte também pode ser uma ponte para a vida profissional em outras áreas, como aconteceu comigo.”

 

Ao olhar para a própria caminhada, João Vinícius resume a experiência construída ao longo dos anos a partir das dificuldades enfrentadas, das oportunidades aproveitadas e da continuidade mesmo diante dos obstáculos.

 

“Não desistam na primeira queda. Se tem uma coisa que o esporte me ensinou é justamente isso: você vai cair, vai enfrentar dificuldades e vai encontrar momentos em que vai pensar em desistir. Mas é justamente aí que precisa decidir se vai continuar.”

 

E completa: “No fim, é disso que o esporte também trata: queda, superação e evolução.”

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