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“O esporte é uma escola”: Voleibata chega aos 20 anos formando atletas e cidadãos em Batayporã

da redação - 27 de ago de 2026 às 15:38 168 Views 0 Comentrios
“O esporte é uma escola”: Voleibata chega aos 20 anos formando atletas e cidadãos em Batayporã Da Redação

O que começou em 2006, a partir da observação de estudantes durante os intervalos de uma escola de Batayporã, em Mato Grosso do Sul, se transformou em um projeto que atualmente atende 190 alunos-atletas e participa de competições estaduais. O Projeto Voleibata, nome formado a partir de “voleibol de Batayporã”, completa 20 anos de trajetória em 2026 e tem entre os resultados mais recentes o acesso da equipe feminina à 1ª Divisão dos Jogos Escolares da Juventude de Mato Grosso do Sul para 2027.

 

À frente do projeto está Leandro Henrique Pereira, nascido em 18 de setembro de 1984 e técnico nível 2 pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). A história do Voleibata começou quando Leandro cursava o quarto semestre de Educação Física e iniciou um estágio na rede estadual de ensino.

 

Segundo ele, foi durante os intervalos que percebeu o interesse dos estudantes pelo voleibol. “Percebi, nos intervalos, o quanto os alunos gostavam de vôlei, mas era uma prática sem regras e lúdica. Comecei, então, a reunir grupos de alunos para fazer treinamentos mais específicos, com fundamentos”, relata.

 

O início, porém, tinha uma dificuldade: não havia espaço adequado para realizar os treinamentos. Com o aumento do número de alunos interessados, surgiu uma parceria com a direção da Escola Estadual Jan Antonin Bata. A partir dessa parceria, o projeto começou a ganhar estrutura e passou a ser chamado de Voleibata.

 

“Começamos a fazer amistosos e a competir na região”, conta Leandro.

 

Atualmente, os treinamentos são realizados no Ginásio Poliesportivo de Batayporã e na quadra da Escola Estadual Jan Antonin Bata. O projeto também passou a integrar o Prodesc/Fundesporte, Programa MS Desporto Escolar, além de contar com parceria da Secretaria de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (Secel).

 

“Hoje o Voleibata atende diretamente 190 alunos-atletas”, afirma o técnico.

 

O projeto trabalha com alunos de 8 a 17 anos e tem como proposta contribuir para o desenvolvimento de diferentes aspectos relacionados à formação esportiva. Entre os objetivos estão o desenvolvimento das habilidades físicas, técnicas, táticas, psicológicas, morais e sociais, além das capacidades físicas e perceptuais envolvidas na execução dos fundamentos do voleibol.

 

Para Leandro, a modalidade também tem um papel que ultrapassa o desempenho esportivo. “O vôlei contribui para a formação integral do aluno ao desenvolver o trabalho em equipe, a disciplina e a resiliência, valores essenciais tanto para o esporte quanto para a vida como ser humano”, explica.

 

Ele cita ainda a empatia, o respeito e a autoconfiança como aspectos trabalhados com os participantes. “Os pontos mais importantes para quem pratica o voleibol são a resiliência, a empatia e o respeito e, principalmente, a autoconfiança”, afirma.

 

Um dos desafios apontados pelo técnico para a continuidade e ampliação do projeto é a disponibilidade de materiais esportivos. Segundo Leandro, a diferença na qualidade dos equipamentos utilizados nos treinamentos e nas competições pode interferir na preparação das equipes.

 

“Os principais desafios para manter o projeto funcionando são a falta de recursos e materiais de qualidade. Com isso, vem a perda de engajamento da equipe nas competições. Treinamos com materiais inferiores e, nas competições, nos deparamos com materiais de qualidade”, relata.

 

Ele reforça que os equipamentos fazem parte da preparação dos atletas. “Os materiais esportivos fazem diferença no treinamento, pois influenciam diretamente o desempenho, o conforto e a segurança durante a prática”, afirma.

 

Ao longo dos anos, a participação em competições e eventos esportivos também contribuiu para aumentar a procura pelo projeto. Leandro afirma que as conquistas e participações em competições realizadas em Mato Grosso do Sul e no Paraná fizeram crescer o interesse de crianças e adolescentes pela modalidade.

 

“Com o decorrer dos anos, as conquistas e as participações nos principais eventos disputados em MS e até mesmo no PR fizeram com que o número de procura para fazer parte do projeto aumentasse significativamente”, diz.

 

Entre os resultados do trabalho estão também atletas que passaram pelo Voleibata e posteriormente tiveram experiências em outras equipes. Leandro cita como exemplos Maria Eduarda, conhecida como Duda, e Laiane.

 

Segundo ele, Duda teve passagem pelo Voleibata, pelo Circuito Militar de Campo Grande, por Terra Rica, no Paraná, pela Escolinha Bernardinho, de Nova Andradina, pelo NVC, de Naviraí, entre outras experiências. Já Laiane passou pelo Voleibata, Calvoso, de Ponta Porã, Campo Grande Vôlei, Unilife, de Maringá, Astorga, no Paraná, e NVC, de Naviraí.

 

A participação das famílias também é apontada como parte da estrutura necessária para manter as equipes em atividade. De acordo com Leandro, os familiares acompanham os eventos e participam de ações para arrecadar recursos destinados às viagens, uniformes e alimentação das atletas.

 

“A participação dos familiares é muito significativa. Eles participam dos eventos e ajudam em ações para arrecadar fundos, como rifas e venda de pizza, para custear viagens, uniformes e alimentação das alunas”, afirma.

 

Para o técnico, o trabalho desenvolvido no Voleibata busca utilizar o esporte como instrumento de formação. “Procuro levar para as alunas que o esporte é uma ferramenta eficaz para a formação delas como cidadãos, facilitando o desenvolvimento de importantes características como sociabilidade, autoestima, autocontrole, respeito e companheirismo”, explica.

 

Leandro também relaciona a prática esportiva ao desenvolvimento escolar e pessoal dos participantes. Segundo ele, o treinamento planejado pode contribuir para aspectos cognitivos, psicomotores e afetivos, além de estimular a autonomia e a consciência sobre o papel de cada um na sociedade.

 

A trajetória competitiva mais recente do Voleibata teve como marco a participação nos Jogos da Juventude de Mato Grosso do Sul, realizados entre os dias 10 e 17 de agosto de 2026, em Campo Grande. A equipe feminina de Batayporã representou o município na competição estadual e terminou na terceira colocação.

 

O resultado também garantiu o acesso à 1ª Divisão do Estado para 2027.

 

A evolução pode ser observada na trajetória da equipe nos últimos quatro anos. Em 2023, o projeto iniciou sua participação na 3ª Divisão do Estado. Em 2024, conquistou o vice-campeonato e garantiu o acesso à 2ª Divisão. A equipe permaneceu nessa divisão em 2025 e, em 2026, chegou à terceira colocação nos Jogos Escolares da Juventude, resultado que assegurou a presença na 1ª Divisão em 2027.

 

Para Leandro, o resultado é consequência de um processo desenvolvido ao longo dos anos. “São 20 anos de história e muito trabalho. Com toda essa história, hoje tenho o orgulho de mostrar um pouco de onde viemos e onde poderemos chegar”, afirma.

 

A terceira colocação também representa, segundo o projeto, uma nova etapa para o voleibol feminino de Batayporã, que terá a oportunidade de disputar a principal divisão estadual da competição em 2027.

 

Atualmente, o Voleibata trabalha com as categorias sub-10, sub-15 e sub-17. Para o futuro, Leandro pretende buscar a federação do projeto, com a expectativa de ampliar as possibilidades de participação em competições.

 

“Tenho planos de futuramente federar o projeto, abrindo assim portas para mais competições”, afirma.

 

Apesar do foco nas competições, a proposta continua relacionada à formação dos participantes. Ao falar sobre os jovens que têm interesse em começar no esporte, Leandro defende que a prática esportiva deve fazer parte da rotina de crianças e adolescentes, independentemente da modalidade escolhida.

 

“Eu acredito que todas as crianças e adolescentes têm que fazer esporte, não só o vôlei. O esporte é uma escola. Ele ensina regras, objetivos, a ser líder e a respeitar a sociedade”, afirma.

 

O técnico também deixa uma mensagem para quem deseja iniciar no voleibol e ainda não deu o primeiro passo. “Nunca é tarde para começar. Basta cada um ter a iniciativa de querer”, diz.

 

Ao final, Leandro resume a proposta do projeto em uma frase que, segundo ele, orienta o trabalho desenvolvido com as alunas: “O Voleibata não forma apenas alunas-atletas, ele forma pessoas melhores para o mundo”.

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