Da Redação
Aos 22 anos, a atleta de futsal Estefani Pereira reúne uma trajetória construída desde a infância e marcada por decisões que definiram o rumo de sua carreira. Naturalmente envolvida com o esporte desde os primeiros anos de vida, ela começou no atletismo, mas, ainda criança, precisou optar entre continuar nas pistas ou seguir no futebol. A escolha mudou seu caminho e abriu portas para competições estaduais, nacionais, bolsas de estudo e experiências em diferentes equipes.
Hoje, prestes a completar 23 anos, Estefani afirma que o esporte se tornou parte de sua vida e que foi responsável por proporcionar oportunidades dentro e fora das quadras. Ao olhar para trás, ela relembra que sua história começou por volta dos seis anos de idade.
"Minha trajetória no esporte começou lá atrás, com meus 6 ou 7 anos de idade. Começou no atletismo, onde comecei a competir. Mas, um belo dia, tive um divisor de águas, quando precisei escolher entre o atletismo e o futebol. Ali meu coração partiu ao meio, porque eram duas coisas que eu amava praticar. Mas algo dentro de mim sempre gritou mais alto, que era minha paixão pelo futebol."
Depois da decisão, Estefani passou a concentrar seus esforços na modalidade. Os treinamentos começaram na escola onde estudava e, após cerca de dois anos, surgiu a oportunidade de participar de uma seletiva para defender uma equipe tradicional do Estado.
"Comecei a me dedicar mais ao futebol e passei a treinar na escola onde estudava. Depois de dois anos surgiu a oportunidade de fazer uma seletiva para entrar no time do Comercial. Fiz a inscrição, participei da seletiva e passei."
A entrada na equipe marcou o início de uma nova fase. Segundo a atleta, foi naquele período que ela começou a disputar competições de maior expressão e a vivenciar o ambiente esportivo de forma mais intensa.
"Continuei treinando com a equipe e, a partir dali, começaram os meus primeiros campeonatos mais importantes, como Campeonato Estadual, Campeonato Brasileiro e também meu primeiro campeonato profissional."
As competições também proporcionaram novas experiências pessoais. Além das viagens e do contato com atletas e profissionais de diferentes regiões, o esporte abriu oportunidades na área da educação.
"Conheci pessoas, lugares e vivi muitas outras experiências. Passei a jogar por universidades e consegui bolsas de estudo, além de atuar em vários outros lugares."
Ao contrário de muitos atletas que citam grandes nomes do esporte como referência, Estefani afirma que nunca teve uma inspiração específica dentro do futebol feminino. Para ela, a principal motivação sempre esteve na própria dedicação e no incentivo recebido da família.
"Sobre inspiração dentro do esporte, nunca tive, como outras pessoas têm, por exemplo, Marta, Formiga, Cristiane ou Tamires. Acho que minha maior inspiração sempre fui eu mesma, meu esforço e minha dedicação para ser melhor e vencer."
Ela também destaca a influência do irmão Erick, cujas palavras passaram a fazer parte de sua rotina.
"Meu irmão Erick sempre falou para mim: 'Teté, sempre dê o seu melhor em tudo o que for fazer'. Isso sempre ficou comigo e permanece até hoje."
Segundo Estefani, essa mensagem ajudou a moldar sua postura durante os treinamentos e nas competições.
"Sempre fui uma pessoa dedicada nos treinos, sempre escutando e procurando fazer até mais do que era pedido. Esse é o exemplo que eu daria para quem está começando ou para quem já está no esporte: dê sempre o seu melhor. Seja a sua maior inspiração."
Mais do que resultados esportivos, ela afirma que o futebol e o futsal tiveram impacto direto em sua vida pessoal. Para a atleta, o esporte se tornou um espaço de equilíbrio e um elemento importante para enfrentar os desafios do cotidiano.
"Se me perguntarem o que o esporte agregou na minha vida, eu diria que foi tudo. Foi um escape, um refúgio. É onde encontro abrigo no meu dia a dia, seja nos momentos bons ou nos ruins. Além disso, faz muito bem para a mente."
Ao lembrar da adolescência, Estefani também recorda uma frase dita pela mãe, que sintetizava sua disposição para participar de diferentes atividades.
"Lembro como se fosse hoje da minha mãe falando: 'Estefani, você quer abraçar o mundo com uma perna só'. Ela dizia isso porque eu queria fazer de tudo ao mesmo tempo."
Na avaliação da atleta, essa vontade de experimentar diferentes oportunidades acabou sendo uma das características que marcaram sua formação.
"Mesmo sendo muito nova, já vivi muita coisa por causa do esporte. Tive experiências que só foram possíveis graças ao futebol e ao futsal."
Embora reconheça os avanços da modalidade nos últimos anos, Estefani acredita que o futsal feminino ainda enfrenta obstáculos relacionados à divulgação e ao crescimento da modalidade.
"O que falta no esporte hoje, principalmente no feminino, é visibilidade e oportunidades para que ele possa crescer cada vez mais."