Reprodução/Jeozadaque Garcia
De 2008 a 2010, o jornalista Jeozadaque Rocha Garcia fez parte de um time que carregava o microfone e a câmera como bandeira de resistência em defesa do esporte sul-mato-grossense. Nesse período, ele ajudou a consolidar o Esporte Ágil como uma das principais vozes da crônica esportiva regional — e guarda, até hoje, cada cobertura como uma aula de vida e profissão.
“Comecei no Esporte Ágil ainda como estudante. Era meu primeiro contato com o jornalismo de verdade e ali aprendi o básico para um jornalista: ter boa escrita”, lembra.
Entre as diversas reportagens que produziu, uma ficou marcada. “Cobri vários eventos. Mas acompanhar e realizar a cobertura do jogo entre Palmeiras e Cene, pela Copa do Brasil de 2008 no Estádio Morenão, foi inesquecível. Até então, eu só assistia aos jogos pela TV. Foi marcante”
Trabalhar com o esporte local nunca foi fácil. “A gente cobria campeonatos com pouquíssima estrutura. Às vezes, não tinha sequer transporte. Já fiz matéria com bloco de anotações no colo e celular sem crédito. A gente sabia que, se não fosse o Esporte Ágil, ninguém contaria aquelas histórias.”
Entre os desafios, o jornalista destaca o preconceito contra o jornalismo esportivo regional. “Muita gente achava que era um ‘bico’, que não tinha valor. Mas para mim, foi a universidade prática do jornalismo. Aprendi a ouvir, a contar histórias com humanidade, a respeitar cada realidade.”
Ele guarda com carinho a lembrança dos bastidores. “Tinha sempre uma correria, uma briga boa por espaço, contar caracteres no título, mas também muita parceria. E claro, os personagens que conhecemos: técnicos que davam a vida pelo projeto, atletas que competiam com fome, pais que faziam de tudo pelos filhos. Tudo isso me ensinou mais do que qualquer manual de jornalismo.”
Para Jeozadaque, o Esporte Ágil tem um papel histórico. “Foi o primeiro veículo a realmente olhar para o esporte do nosso estado com seriedade. E isso mudou muita coisa. Hoje, há mais visibilidade, sim, mas ainda falta apoio, falta valorização. O legado do site é o de abrir caminho.”
E o que significou estar nessa trincheira? “Foi o meu começo. Foi o lugar onde entendi que o jornalismo é uma ferramenta de transformação. Que escrever sobre um atleta da periferia ou um técnico do interior podia mudar uma realidade.”
A mensagem que ele deixa para quem segue nessa missão é direta: “Seja teimoso. O esporte local precisa de gente teimosa. Porque cada história que você publica é uma semente de reconhecimento”, finalizou.
Nossa história - Ao longo desses 21 anos, o Esporte Ágil não foi apenas um veículo de notícias: foi escola, trincheira, ponto de partida e, muitas vezes, abrigo para quem acreditava que o esporte sul-mato-grossense merecia mais do que notas de rodapé. Cada jornalista que passou por aqui deixou sua marca, ajudando a construir uma história feita de compromisso com o que é nosso.
Esta série de reportagens é uma homenagem a todos que escreveram nas madrugadas e acreditaram que cada atleta, técnico ou projeto local tinha uma história que merecia ser contada. Porque no fim das contas, o que nos une é a certeza de que valeu — e sempre vai valer — a pena lutar pelo esporte de Mato Grosso do Sul.