Sexta-feira, 17 de abril de 2026, 13:47

“O crossfit não é sobre ser perfeito, mas sobre começar”

da redação - 16 de abr de 2026 às 15:55 41 Views 0 Comentários
“O crossfit não é sobre ser perfeito, mas sobre começar” Da Redação

O que começou com resistência virou parte da rotina de Náthaly de Souza Gonçalves, de 26 anos, praticante de crossfit que encontrou na modalidade não apenas um exercício físico, mas um espaço de adaptação, equilíbrio e continuidade. Nascida em 9 de abril de 1999, em Cândido Mariano, ela conta que o primeiro contato com o esporte veio por influência do namorado, mas sem intenção de aderir.

 

“O crossfit entrou na minha vida de um jeito que eu nem imaginava. Meu namorado já praticava e sempre falava muito bem da modalidade, mas, pra ser sincera, eu dizia que não faria porque achava difícil demais pra mim”, afirma.

 

A mudança de percepção aconteceu ao assistir a uma aula. Segundo ela, o ambiente foi determinante para quebrar a ideia inicial sobre a prática. “Lá, percebi algo que fez toda diferença: tinha pessoas de todas as idades e níveis, cada uma no seu ritmo, evoluindo dentro das suas possibilidades. Aquilo que antes parecia impossível começou a parecer acessível. Foi nesse momento que entendi que o crossfit não é sobre ser perfeito ou já estar preparado, mas sobre começar.”

 

Antes de se dedicar ao crossfit, Náthaly passou por outras modalidades, como beach tennis, tênis e ciclismo. De cada experiência, ela afirma ter incorporado elementos que hoje fazem parte da sua rotina de treinos. “Cada esporte me trouxe algo que hoje levo comigo no crossfit, principalmente a persistência. Aprendi a respeitar o processo, evoluir aos poucos e não desistir diante dos desafios.”

 

A trajetória também inclui aprendizados a partir de limitações físicas. Em 2025, após uma lesão, ela passou a incluir a natação na rotina. “Foi um aprendizado importante: o crossfit não lesiona por si só, mas exige consciência corporal, descanso e técnica. Hoje, além de amar a natação, busco sempre me desafiar em novas modalidades, mantendo o equilíbrio e o cuidado com o corpo.”

 

A relação com o esporte também está diretamente ligada à saúde. Náthaly é diabética tipo 1 e utiliza insulina diariamente. Ela relata que a prática esportiva passou a ter um papel importante no controle da condição. “Sou diabética tipo 1 e faço uso de insulina várias vezes ao dia. O crossfit e a natação se tornaram um momento de conexão comigo mesma, uma pausa no meio dessa rotina intensa. Além disso, me mostraram, na prática, que é totalmente possível ser diabética e praticar esportes.”

 

Segundo ela, os benefícios vão além do condicionamento físico. “Hoje, vejo a atividade física não só como um treino, mas como uma ferramenta de equilíbrio, bem-estar e qualidade de vida. A atividade física ajuda muito no controle da minha glicemia.”

 

A disciplina adquirida ao longo dos anos em diferentes esportes também influencia no desempenho atual. “A principal característica que trago dos outros esportes é o esforço. Sempre fui muito dedicada em tudo que faço e não tenho preguiça de me empenhar, mesmo quando é difícil. Além disso, busco manter um equilíbrio na alimentação, o que faz diferença no desempenho e na recuperação.”

 

Ao longo das mudanças entre modalidades, ela aponta que um dos maiores desafios foi adaptar a rotina. “Não estava dando conta de manter o mesmo ritmo no pedal e no crossfit ao mesmo tempo, além das outras prioridades do dia a dia. O ciclismo demandava muito tempo, enquanto o crossfit, em uma hora, já entrega um treino completo e intenso.”

 

Atualmente, Náthaly organiza os treinos ao longo da semana, conciliando com outras atividades e compromissos acadêmicos. “Faço crossfit às segundas, quartas e sextas, e natação às terças e quintas. Aos sábados, tento ir ao crossfit também, mas nem sempre consigo. Como estou no mestrado, tem dias que a rotina fica mais puxada.”

 

Mesmo com seis anos de prática, ela afirma que os objetivos mudaram com o tempo. “Meu principal objetivo hoje é evoluir na parte de ginástica, que ainda é mais desafiadora pra mim por exigir mais coordenação. Mas entendi que nem tudo precisa ser cobrança o tempo todo. Atualmente, vou muito pelo bem-estar e para desestressar.”

 

A experiência em diferentes esportes também contribuiu para uma visão mais ampla sobre a prática de atividades físicas. “Experimentar diferentes esportes ao longo da vida é fundamental. Isso promove uma evolução não só física, mas principalmente mental, porque você está sempre se desafiando e saindo da zona de conforto.”

 

No caso dela, os reflexos também aparecem em exames e no acompanhamento da diabetes. “A atividade física mudou completamente a forma como eu enxergo a diabetes, e isso refletiu diretamente na melhora da minha hemoglobina glicada, que é um exame super importante no controle da doença.”

 

Para quem ainda tem receio de começar no crossfit, Náthaly defende que o primeiro passo é essencial. “Meu principal conselho é: comece, mesmo com medo. É normal achar que o crossfit parece difícil ou que ‘não é pra você’, mas ele é totalmente adaptável a qualquer nível.”

 

Ela também destaca a importância de respeitar limites individuais. “Respeite o seu ritmo, entenda seus limites e foque na sua evolução, não na comparação com os outros. A constância vale muito mais do que a intensidade no início.”

 

Além dos aspectos físicos, ela chama atenção para o ambiente social do esporte. “Tem algo que eu valorizo muito: o lado social. Você está sempre conhecendo pessoas novas, criando amizades e tornando o ambiente muito mais leve e motivador.”

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