Da Redação
Leonardo de Souza Roma Camargo, conhecido como Léo Roma, nasceu em 9 de janeiro de 1999, em Corumbá, e começou no esporte ainda na infância. Aos 4 anos, iniciou os treinamentos de futsal e passou a competir pelo Colégio Salesiano de Santa Teresa, em sua cidade natal. Aos 10 anos, durante um dia em que não teve treino de futsal, recebeu um convite que mudaria o caminho de sua trajetória esportiva: experimentar o basquete.
A modalidade já fazia parte do ambiente familiar. O pai foi a influência para o futsal, enquanto a mãe, que também jogou basquete, apresentou ao filho os primeiros fundamentos da modalidade. “Futsal é influência do meu pai e basquete da minha mãe”, resume Léo.
O convite para treinar basquete partiu do professor Thiago. Léo já tinha algum contato com a modalidade por influência da mãe e decidiu aceitar a oportunidade. Depois daquele treinamento, o basquete passou a fazer parte de sua rotina.
“Eu já sabia jogar um pouco por conta da minha mãe, que jogou basquete. Depois desse dia, nunca mais larguei o basquete”, conta.
A trajetória, no entanto, não foi construída sem obstáculos. Um dos principais desafios esteve relacionado ao porte físico. Para Léo, ser considerado pequeno para os padrões do basquete tornou-se uma razão a mais para continuar treinando e buscar espaço dentro das quadras.
“As maiores dificuldades foram pelo meu porte físico. Sou pequeno para jogar basquete e isso me fez querer mais ainda provar que eu podia jogar”, afirma.
Ao longo dos anos, as duas modalidades passaram a ocupar papéis diferentes em sua vida. Segundo Léo, o futsal contribui principalmente para o desenvolvimento da competitividade e do raciocínio rápido. Já o basquete se tornou o espaço no qual encontrou uma identificação maior, especialmente pela parte tática.
“Futsal acrescenta competitividade e raciocínio rápido. O basquete é minha casa. O tático sempre vai ser o que mais aprendo e continuo evoluindo”, explica.
Embora tenha começado no futsal, Léo passou a se aproximar também da função de técnico no basquete. Em 2018, recebeu a primeira oportunidade para atuar nessa função e, a partir daí, começou a migrar gradualmente da posição de jogador para a área técnica.
Em 2019, mudou-se para Campo Grande. Naquele momento, não imaginava que continuaria jogando basquete, mas a chegada à Capital abriu novas possibilidades. Uma delas foi a participação no Carneirão, atlética na qual conquistou títulos e permaneceu invicto durante um ano.
“Em 2019 me mudei para Campo Grande e não esperava jogar mais basquete, até que conheci o Carneirão, atlética onde ganhei tudo e ficamos invictos por um ano”, relembra.
Outro momento citado por Léo foi a conquista da Férias Cup, atualmente chamada Slam Cup, ao lado do Valente. Para ele, a competição teve importância pela formação do elenco e também pela continuidade do torneio.
“Considero importante ter ganhado a Férias Cup com o Valente. Foi um marco pelo elenco que tínhamos e por conta da competição existir até hoje”, afirma.
A partir de 2023, o atleta passou a acumular também conquistas no Ultimate, competição na qual teve títulos em 2023 e 2024. Em 2025, recebeu a oportunidade de atuar como técnico no Ultimate e participou de partidas importantes. No mesmo ano, também representou a equipe no Campeonato Brasileiro de Basquete 3x3, na etapa regional.
A participação na competição nacional teve um significado particular. Léo recorda que, anos antes, precisava reunir dinheiro com os amigos para comprar uniforme e participar dos treinamentos.
“Foi uma honra para mim. O garoto baixinho nunca esperava um dia poder ir para o Brasileiro um dia”, diz.
A experiência acumulada como jogador também contribuiu para a transição para a função de técnico. Léo entende que o conhecimento adquirido dentro da quadra foi determinante para que começasse a atuar do lado de fora.
“As características que mais me fizeram crescer foram, com toda certeza, a parte técnica jogando. Acredito que, por conta disso, comecei a ser técnico e fui migrando para o lado de fora da quadra”, explica.
Atualmente, Léo concilia diferentes atividades ligadas ao esporte. No futsal, voltou a competir em 2024 por meio do Ultimate Futsal. A modalidade passou a ocupar mais espaço em sua rotina de treinamentos e, segundo ele, é o esporte que mais gosta de jogar.
No basquete, atua principalmente como técnico. Atualmente, comanda uma equipe amadora em Campo Grande que leva seu sobrenome. Também trabalha com equipes de atléticas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), entre elas a Fachaaa, ligada à área de Humanas, e a Aaanpee, da Nutrição.
Ao longo do período em que passou a atuar como técnico, Léo já esteve à frente de equipes de oito atléticas. Em 2026, conquistou mais um título com a Fachaaa, resultado que considera importante dentro de sua trajetória.
“Eu me orgulho muito de ter concretizado uma conquista com a Fachaaa, que agora pode me permitir dizer que nunca passei por uma atlética sendo técnico ou jogador sem conquistar algo. Ao longo do tempo, já fui técnico de oito atléticas”, afirma.
Entre tantas partidas disputadas e competições vencidas, uma das lembranças que mais guarda não está relacionada a um título. O jogo aconteceu em 2025, quando Ultimate Blazers, equipe B do Ultimate, enfrentou o Ultimate, equipe principal da organização. Léo comandava o Blazers como técnico.
A partida ganhou significado pela composição do grupo e pela idade dos atletas. O time conseguiu reverter uma desvantagem de 12 pontos nos minutos finais e venceu o confronto.
“A partida mais marcante da minha vida foi uma partida que não valeu título nem nada, mas teve um significado importante para mim”, conta.
Segundo ele, faltavam três minutos para o fim quando a equipe estava 12 pontos atrás. A reação terminou com a virada no placar.
“Guardo com carinho esse dia”, afirma.
A relação de Léo com o esporte também está ligada à possibilidade de representar Mato Grosso do Sul. Para ele, defender o Estado representa uma oportunidade que começou a ser construída ainda na adolescência, quando as condições para treinar e competir eram diferentes das que encontrou posteriormente.
“Representar Mato Grosso do Sul, minha casa, é a oportunidade do menino que desde os 12 anos fazia cota com os amigos para comprar uniforme e ter treino, que nunca teve tamanho para isso, de viver o esporte que eu sempre amei, o basquete”, relata.
Para os próximos anos, os objetivos estão divididos entre as duas modalidades e também entre a atuação dentro e fora das quadras. No futsal, Léo pretende deixar o ambiente das competições universitárias e avançar para o cenário amador. Ele reconhece que ainda tem pontos a desenvolver e pretende continuar treinando.
“No futsal quero sair do futsal atleticano e migrar para o amador. Ainda tenho muito a melhorar e treinar”, afirma.
No basquete, a meta é fortalecer os projetos que já desenvolve. Entre os objetivos está consolidar a Fachaaa como uma equipe competitiva dentro da UFMS e melhorar os times das atléticas que atualmente treina.
Além da atuação como atleta e técnico, Léo mantém a página Basquete Campo Grande, voltada à modalidade na Capital. O projeto tem como objetivo ampliar a presença do basquete na cidade por meio da realização de eventos, especialmente torneios de basquete 3x3.
“Quero que a página se consolide fazendo eventos de basquete 3x3 e quero que o basquete da nossa cidade seja cada vez mais visto”, afirma.
A trajetória iniciada aos 4 anos no futsal e ampliada aos 10 com a chegada ao basquete passou, portanto, por diferentes funções. Léo esteve dentro da quadra como jogador, passou a atuar como técnico e atualmente também trabalha para criar espaços de divulgação e competição para o basquete em Campo Grande.
Ao falar sobre o que diria para quem está começando no esporte, ele resume a experiência acumulada em uma expressão: “Seja obcecado”. Para Léo, dedicação e talento são importantes, mas não suficientes para alcançar os objetivos.
“Só a dedicação e o talento não são o bastante”, conclui.