Da Redação
“Não importa o tempo que leve para realizar o sonho ou a idade que você se encontra, nunca é tarde para começar a correr atrás do seu sonho.” A frase resume a trajetória de Luciano Simas Alencar, morador de Dourados, profissional da área da saúde, personal trainer e praticante de jiu-jitsu que retomou um objetivo da juventude e alcançou a faixa-preta aos 39 anos.
Nascido em 3 de abril de 1985, Luciano construiu a carreira inicialmente em outro segmento. Antes de atuar como personal trainer, formou-se em Farmácia. Mesmo durante esse período, já mantinha ligação com os treinos de musculação, com a busca por qualidade de vida e com o interesse pela Educação Física.
“Em 2007, quando comecei meu curso de Farmácia, eu já tinha vontade de cursar Educação Física, porém não era tão valorizada a classe e eu não tinha noção do quanto poderia expandir”, relata.
Após a formação, ele decidiu retomar o plano antigo e encontrou uma forma de unir os dois campos de conhecimento. “Quando me formei em Farmácia, continuei com o sonho de me tornar professor de Educação Física. Foi aí que liguei a chave, na qual poderia somar as duas áreas e os dois conhecimentos”, afirma.
Hoje, Luciano trabalha com consultoria esportiva e atendimento personalizado, utilizando a experiência acumulada em saúde, treinamento físico e acompanhamento individual. A proposta, segundo ele, vai além do desempenho estético e inclui bem-estar, prevenção e qualidade de vida.
A relação com as artes marciais começou cedo. Luciano iniciou no jiu-jitsu aos 16 anos, mas a trajetória no esporte teve interrupções. “Não tive muitos incentivos na época. Fiz pouco menos de um ano”, conta. Depois disso, passou por outras modalidades, como kickboxing e muay thai, enquanto seguia treinando musculação.
O retorno ao jiu-jitsu ocorreu anos depois, aos 31 anos. Desde então, manteve constância nos treinos e seguiu até alcançar a graduação máxima da faixa comum ao praticante. “Atualmente sou faixa-preta de jiu-jitsu e conquistei ela com meus 39 anos, resgatando um sonho vindo da minha adolescência”, diz.
A rotina atual exige organização para conciliar trabalho, família e esporte. Luciano aproveita diferentes horários para manter a frequência nos treinos. “Hoje eu pratico jiu-jitsu nos horários de almoço, aos finais de semana e, conforme vaga algum horário livre, vou encaixando os treinos.”
Ele afirma que a procura por atividades ligadas às lutas também aumentou nos últimos anos, incluindo defesa pessoal e treinamento funcional voltado ao combate. “Hoje a procura está cada vez maior para aulas de artes marciais, defesa pessoal e personal fight.”
Dentro e fora do tatame, Luciano aponta que disciplina e constância são fatores decisivos. “Se o aluno não tiver constância e disciplina, ele não consegue nada. Isso serve para a vida.”
Segundo ele, o ambiente do jiu-jitsu também ensina princípios aplicáveis no cotidiano. “No tatame, aprendi respeito ao próximo e às hierarquias, disciplina rigorosa, humildade para aceitar erros e aprender continuamente, resiliência para superar obstáculos, autocontrole emocional e coragem.”
Pai de um menino de 7 anos, Matheus, e casado com Mariana Zarpelon, Luciano também incentiva a nova geração a conhecer o esporte desde cedo. “Tenho um filho de 7 anos que já está inserido no judô e jiu-jitsu.”
Ao falar sobre saúde emocional, ele considera o jiu-jitsu uma ferramenta importante no cenário atual. “Com certeza o jiu-jitsu atua como uma ferramenta poderosa para a saúde emocional, oferecendo um alívio eficaz para o estresse, a ansiedade e a depressão.” Para ele, a modalidade contribui para desenvolver resiliência, foco, autoconfiança e convivência social.
Sobre o momento do esporte em Mato Grosso do Sul, Luciano avalia que a modalidade vive crescimento. “Hoje o jiu-jitsu é o esporte que mais se destaca no nosso Estado.” Ele destaca a presença de categorias que vão do mirim ao master, o que amplia a participação de diferentes faixas etárias.
Mesmo com a expansão das academias e equipes, ele reconhece que manter uma rotina ativa ainda é desafio para muitas pessoas. “A falta de tempo e a correria do dia a dia prejudicam. Os principais obstáculos incluem desmotivação, monotonia, dificuldade em criar o hábito, lesões e conciliar treinos com trabalho e família.”
Como orientação para quem deseja começar, Luciano recomenda equilíbrio e progressão gradual. “Começar musculação e jiu-jitsu juntos exige planejamento de recuperação e priorização da técnica sobre a força. Sempre foque em consistência, não intensidade extrema inicial.”
Ele também resume o que considera essencial para saúde física e mental. “Os três pilares fundamentais são alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos e sono de qualidade”, acrescentando ainda a importância da espiritualidade em sua vida.
Para o futuro, Luciano afirma que pretende seguir ajudando pessoas e ampliar a estrutura de trabalho. “A meta é sempre poder ajudar pessoas a realizarem seus sonhos e seus objetivos, conscientizando a importância da atividade física, tanto na saúde física como emocional. Futuramente, adquirir um espaço próprio para atender musculação, jiu-jitsu e consultorias.”
Ao olhar para a própria caminhada, ele reforça a mensagem que resume sua experiência: “Se Deus lhe permitiu sonhar, é porque você pode realizar.”