Da Redação
Começar no esporte aos 15 anos trouxe desafios para Maria Eduarda Pereira Nascimento, atleta de voleibol de Fátima do Sul (MS). Mesmo iniciando a trajetória mais tarde em comparação com outras jogadoras, ela encontrou no esporte uma motivação para evoluir e passou a dedicar horas de treinamento para conquistar espaço dentro das quadras.
Nascida em 18 de dezembro de 2008, em Fátima do Sul, Maria Eduarda teve o primeiro contato com o vôlei no fim de 2023, quando começou a frequentar os treinamentos escolares. A experiência despertou o interesse pela modalidade e deu início a uma rotina de preparação.
"Minha história no vôlei começou no final de 2023. Comecei a frequentar os horários de treinos escolares e foi lá onde despertei a vontade de jogar. Comecei a treinar frequentemente, ia nos treinos da escola e também nos treinos abertos que tinham na minha cidade."
Por ter começado aos 15 anos, a atleta conta que sentia a necessidade de acelerar o processo de evolução para acompanhar as demais jogadoras da equipe. A busca por melhorar fez com que ela aumentasse o tempo dedicado aos treinamentos.
"Eu chegava na quadra às 16 horas e voltava para casa às 22 horas. Acabava um horário e eu esperava começar o outro para treinar. Como comecei a jogar muito tarde, na minha cabeça eu tinha que melhorar muito rápido para conseguir acompanhar as meninas do meu time. Se elas treinavam duas horas, eu tinha que treinar quatro."
No início, Maria Eduarda relata que ainda estava aprendendo os fundamentos básicos do esporte e que a adaptação exigiu esforço.
"Quando comecei, eu sabia o básico e nem isso direito. Ao longo dessa caminhada, pensei em desistir várias vezes porque achava que isso não ia dar em nada. Muitas pessoas falavam para mim que eu nunca ia conseguir, e isso desanima muito quem está começando."
Uma conversa durante os treinamentos ajudou a atleta a mudar a forma como encarava as dificuldades e seguir com o objetivo de continuar no esporte.
"Conversei com uma pessoa lá na quadra e falei tudo que estava acontecendo. Ela me disse: 'Você não pode parar de fazer o que gosta por causa de outras pessoas. É normal ninguém confiar em você e achar que você não vai conseguir'. Quando cheguei em casa, comecei a pensar nisso e falei para mim mesma que não ia deixar aquilo me abalar."
Depois disso, Maria Eduarda intensificou a rotina de preparação. Além dos treinamentos durante a semana, passou a realizar atividades físicas aos sábados.
"Comecei a treinar de segunda a sexta-feira e aos sábados fazia treino físico na areia. Isso fez eu evoluir muito rápido. Foi cansativo, cada treino era uma lágrima porque eu achava que não aguentava mais, mas não me arrependo de nada. Se pudesse, faria tudo de novo."
Durante a trajetória, a atleta conta que recebeu apoio de familiares, treinadores e pessoas que participaram da sua formação dentro do esporte.
"Comecei os treinamentos com 15 anos e, ao longo desse tempo, tive pessoas que sempre me apoiaram, como minha família, meu treinador Manoel Araújo, a Fabiana Adelice, a treinadora Fabiana, os meninos que jogavam nos treinos abertos e muitas outras pessoas. Sou muito grata por tudo que eles me ensinaram e por sempre me apoiarem."
A dedicação ao vôlei também exigiu mudanças na rotina escolar. No começo, Maria Eduarda estudava em uma escola de período integral que não oferecia treinamentos femininos da modalidade, o que dificultava a participação nos treinos.
"No começo foi muito difícil porque eu estudava em uma escola integral e não tinha treinamentos femininos. Então eu ia treinar em outra escola e os treinamentos eram na parte da tarde. Ou eu faltava na escola ou chegava atrasada. Como isso estava afetando muito meus estudos, decidi mudar para a escola onde eu participava dos treinamentos. Aí começou a facilitar mais: estudava de manhã e treinava à tarde."
A atleta reconhece que a rotina de treinos também fez com que abrisse mão de alguns momentos pessoais.
"Ao longo desse tempo já perdi muitos momentos com minha família, amigos e outras pessoas, mas isso é normal. Não tem como conciliar tudo sempre, mas não me arrependo."
Entre as competições disputadas, uma das que mais marcou a trajetória de Maria Eduarda foi o Jogos da Juventude de Mato Grosso do Sul (JOJUMS), competição da qual participou em duas edições consecutivas.
"Eu já participei de muitos torneios pela região, mas uma das competições que mais marcou minha trajetória foi o JOJUMS. Participei dois anos consecutivos e foi uma das melhores experiências da minha vida. Conheci muitas pessoas incríveis."
Outro momento de dificuldade aconteceu após uma lesão durante um treinamento. Maria Eduarda torceu o tornozelo, mas conseguiu retornar às quadras após realizar recuperação e fortalecimento.
"Eu torci o tornozelo em um treinamento, mas como meu corpo estava quente não senti muita dor e continuei treinando. Depois que saí do treino comecei a sentir muita dor, meu tornozelo estava muito inchado e pensei que nunca mais ia conseguir jogar. Graças a Deus não tinha sido nada muito grave. Comecei a fazer fortalecimento e voltei a jogar."
Dentro de quadra, os fundamentos que mais despertam o interesse da atleta são o ataque e o saque.
"Eu gosto mais de atacar e sacar, porque gosto da adrenalina de poder fazer um ponto e sair comemorando."
As inspirações de Maria Eduarda também estão ligadas ao ambiente esportivo da sua própria cidade. Ela cita atletas locais que contribuíram para sua motivação dentro do voleibol.
"Ao longo desse tempo, muitas pessoas serviram de inspiração para mim, como a Gaby, a Isah e outras pessoas da minha cidade."
Para os próximos anos, a atleta pretende continuar atuando no voleibol e também concluir os estudos.
"Meus objetivos para os próximos anos são continuar jogando pelo meu time e por outros times, e na vida pessoal terminar meus estudos."
Ao deixar uma mensagem para crianças e adolescentes que sonham em seguir no esporte, Maria Eduarda destaca a importância de persistir diante das dificuldades.
"Nunca desista daquilo que faz seu coração disparar. Vão passar muitas pessoas na sua vida falando para você desistir, mas nunca deixe ninguém falar até onde você pode chegar."