Da Redação
Natural de Campo Grande, Carlos Eduardo dos Santos, de 22 anos, cresceu cercado pelo futebol. Nascido em 28 de fevereiro de 2004, ele iniciou a trajetória no esporte ainda na infância, motivado pelo exemplo da família. Com o passar dos anos, também encontrou no futsal uma modalidade que contribuiu para o seu desenvolvimento esportivo. Apesar de ter recebido uma oportunidade de atuar no futebol profissional, uma decisão tomada por questões financeiras mudou os rumos da sua caminhada.
Carlos Eduardo conta que o primeiro contato com o futebol aconteceu quando tinha apenas seis anos de idade. O interesse pelo esporte surgiu dentro de casa, acompanhando os pais e outros familiares que também praticavam a modalidade.
"Comecei a jogar futebol quando tinha 6 anos. A paixão por jogar vem da família. Meus pais gostavam de jogar, meus tios também, e fui crescendo vendo eles jogarem. A paixão só foi aumentando", relata.
Durante a adolescência, o atleta teve a oportunidade de integrar o elenco profissional do Pantanal. No entanto, a possibilidade de seguir carreira exigia uma escolha entre investir no esporte ou manter o trabalho. Diante da insegurança em relação ao futuro no futebol, optou por permanecer empregado.
"Tive a oportunidade de jogar no time profissional do Pantanal, só que eu teria que escolher entre trabalhar e jogar. Acabei escolhendo trabalhar, com medo de não dar certo e de não receber uma oportunidade melhor", afirma.
Além do futebol de campo, Carlos Eduardo também construiu uma relação com o futsal. Segundo ele, o início aconteceu durante o período escolar, quando passou a participar das atividades e, aos poucos, desenvolveu interesse pela modalidade.
"O futsal começou na escola. Fui gostando de jogar e fui me aperfeiçoando cada vez mais, porque, querendo ou não, é um pouco diferente do futebol. Mudam as regras, o jeito de jogar e a dinâmica da partida", explica.
Na avaliação do atleta, o futsal exige características específicas dos jogadores, principalmente em relação ao preparo físico e à velocidade de raciocínio durante as partidas.
"O futsal exige um pouco mais de preparo físico, treinamento e inteligência, porque o jogo é curto e rápido", diz.
Atualmente, Carlos Eduardo não treina mais regularmente. Ainda assim, continua acompanhando o cenário esportivo de Mato Grosso do Sul e acredita que o principal obstáculo para o crescimento do futebol local está na falta de oportunidades para os atletas que desejam seguir carreira profissional.
Na visão dele, o futebol amador, especialmente o de várzea, tem conseguido reunir mais atletas e movimentar mais competições do que o cenário profissional no Estado.
"Na minha visão, o futebol de várzea está muito melhor do que o profissional, porque o nosso Estado é muito fraco de oportunidades. Muitos jovens preferem ir para outros estados para tentar dar certo no futebol profissional", comenta.
Para Carlos Eduardo, a criação de mais oportunidades pelos clubes seria um passo importante para fortalecer a modalidade e reduzir a necessidade de os atletas deixarem Mato Grosso do Sul em busca de espaço.
"O que precisa melhorar aqui são as oportunidades dos clubes", resume.
Mesmo tendo seguido um caminho diferente daquele que imaginava quando era criança, Carlos Eduardo afirma que continua valorizando tudo o que viveu no esporte. Para ele, o apoio da família é um dos fatores mais importantes para quem deseja construir uma carreira, seja no futebol ou em qualquer outra modalidade.
Ao falar com crianças e adolescentes que sonham em se tornar atletas, ele destaca a importância de reconhecer o incentivo recebido dentro de casa e de manter a persistência diante das dificuldades.
"Se vocês têm pais que apoiam vocês no futebol, ou até mesmo em qualquer esporte, deem valor a eles, porque, independentemente de qualquer situação, eles sempre vão apoiar vocês. E jamais desistam dos seus sonhos", aconselha.
A trajetória de Carlos Eduardo representa uma realidade compartilhada por muitos jovens atletas de Mato Grosso do Sul. O início precoce no esporte, o incentivo da família, a busca por espaço em equipes competitivas e a necessidade de conciliar o sonho esportivo com a estabilidade financeira fazem parte do cotidiano de diversos jogadores no Estado.
Embora tenha interrompido os treinamentos e seguido outro caminho profissional, ele mantém a convicção de que o fortalecimento dos clubes e a ampliação das oportunidades podem contribuir para que mais atletas consigam permanecer em Mato Grosso do Sul e buscar uma carreira no futebol sem precisar deixar o Estado em busca de novas chances.