Da Redação
“Ninguém pode correr por você ou pela sua saúde.” A frase resume a forma como R. Anderson Santos Sena, nascido em 21 de dezembro de 1979, em Aquidauana (MS), passou a enxergar o esporte ao longo dos últimos anos. Entre o jiu-jitsu e a corrida, ele construiu uma rotina que envolve disciplina, convivência familiar e adaptação diante das dificuldades.
A entrada no jiu-jitsu não partiu de uma decisão individual. Foi motivada pelos filhos. “O jiu-jitsu entrou em minha vida através do meu filho Miguel Carson, de 8 anos, que é autista. Eu procurava uma forma de inclusão social e um ambiente estruturado”, relata. Segundo ele, a modalidade oferecia “coordenação motora, disciplina, melhoria muscular e contato físico”.
O ambiente encontrado também teve papel importante. “Encontrei na Academia Coliseu Gold Team, de Anastácio, através do mestre Douglas e sua esposa Débora, instrutores experientes e muito qualificados, em um ambiente acolhedor”, afirma. A participação dos filhos acabou influenciando diretamente sua decisão de começar a treinar. “Eu cobrava meus filhos na execução dos golpes, e eles me cobravam por não treinar. Sempre me desafiavam para o rola. Fui para o primeiro treino e acabei gostando da modalidade e de seus valores.”
Já a corrida surgiu em um contexto diferente, ligado à recuperação física. “A corrida passou a fazer parte da minha vida em 2019, depois que machuquei o joelho jogando futebol. Eu ficava muito tempo parado e, quando voltava, sentia dores”, explica. Sem condições de arcar com tratamento mais complexo, ele seguiu orientação de iniciar atividades mais leves. “Fui aconselhado a fazer fisioterapia e caminhadas. Participei de uma corrida de 6 km e consegui concluir sem dor, em um ritmo confortável.”
O período seguinte trouxe mudanças pessoais importantes. Durante a pandemia, Anderson acompanhou o tratamento do pai, que sofreu um AVC. “Aprendi que nosso corpo tem que viver em constante movimento. Meu pai era desportista e, mesmo com mais de 70 anos, competia e incentivava outras pessoas”, relembra.
A consolidação da corrida como parte da rotina veio anos depois, com o incentivo do irmão e a participação em provas locais. “Conheci o grupo Pantanus Runners Brasil e, desde então, comecei a treinar e participar das provas na região. É uma forma de incluir minha família e amigos no esporte.”
A conciliação entre corrida e jiu-jitsu exige organização. Ele destaca diferenças entre as modalidades. “Na corrida, eu sou meu próprio adversário. Já no jiu-jitsu, aprendi que não é só usar força, é ter técnica e saber usar os movimentos em cada momento.” Segundo ele, a preparação precisa considerar essas características. “O jiu-jitsu exige força e explosão, e a corrida é aeróbica e contínua. Me preparo de forma cuidadosa para evitar lesões.”
Esse cuidado se tornou ainda mais necessário após um episódio que impactou sua rotina. “Depois de um treino de 10 km em trilha, fui jogar futebol no dia seguinte e tive um estiramento grau 2. Fiquei cerca de 90 dias sem treinar em ritmo de prova”, conta. A experiência trouxe aprendizado. “Entendi que é possível conciliar as modalidades, mas respeitando o descanso e priorizando a recuperação.”
Entre as experiências no esporte, uma prova específica marcou sua trajetória. “Na prova ‘Cê Tá Doido’, um duatlo com bike e corrida, caí durante a descida no Morro do Paxixi. Levantei machucado, mas continuei”, relata. Mesmo com dores, seguiu até o fim. “Comecei a caminhar na trilha e fui até onde aguentei. O pessoal do resgate acompanhava e incentivava. Isso me deu ânimo para concluir a prova.” Ao final, recebeu um troféu. “Foi pelo esforço e pela dedicação.”
Atualmente, Anderson mantém uma rotina voltada principalmente para a corrida. “Treino terça, quinta e sábado. Nos outros dias, concilio com o jiu-jitsu, buscando evoluir sem prejudicar nenhuma modalidade.” O objetivo é manter consistência e melhorar o desempenho nas provas.
A mentalidade construída ao longo do processo também reflete na forma como encara o esporte. “Se eu quiser ser melhor que aqueles que chegam na minha frente, só existe um caminho: treinar de forma séria e dedicada”, afirma. Ele também destaca a importância do respeito. “Em todas as competições, cada um dá o seu melhor, e depois todos se cumprimentam. Sempre haverá novas oportunidades.”
Com provas previstas para os próximos meses, ele mantém metas definidas. “Quero tentar pódio na minha categoria ou, pelo menos, cumprir o planejamento de tempo nas provas”, diz.
Ao falar com quem pretende iniciar no esporte, Anderson reforça a importância da decisão individual. “O esporte é saúde e é vida. Precisamos estar preparados para o dia a dia. Invista em você”, afirma. Para quem quer começar, a orientação é simples: “Na corrida, comece caminhando e evolua aos poucos. No jiu-jitsu, vá até uma academia, faça um treino de teste e, se gostar, continue.”